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Ministro é exonerado para tirar voto da oposição em votação de relatório que cita Lulinha

A movimentação ocorre em um momento decisivo, já que o relatório apresentado pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL) inclui o pedido de indiciamento de diversas pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Lula exonerou Carlos Fávaro para alterar composição da CPMI do INSS – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O governo federal promoveu, nesta sexta-feira (27), uma mudança estratégica na composição da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, em meio à disputa acirrada pela aprovação ou rejeição do relatório final da investigação.

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A decisão envolveu a exoneração do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que retorna ao Senado, provocando alterações diretas na formação do colegiado. Com isso, a senadora Margareth Buzetti (PP-MT), alinhada à oposição, deixa a vaga, abrindo espaço para o senador Beto Faro (PT-PA), da base governista.

A base governista atua para reunir votos suficientes para barrar o texto. A CPMI é composta por 32 integrantes, sendo necessário o apoio de ao menos 17 parlamentares para a aprovação do relatório.

O relator começou a leitura do relatório nesta sexta, o documento precisa ser votado até sábado (28), data limite de funcionamento da CPMI. Na quinta, o STF negou a prorrogação da CPMI.

Com a mudança na CPMI , a expectativa é que o governo reúna o voto de 20 parlamentares para rejeitar o texto apresentado pelo deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL).

A CPMI é composta por 32 membros, 16 senadores e 16 deputados federais. Para ser aprovado, o relatório precisa ter ao menos 17 votos favoráveis.

Ao longo dos últimos dias, a composição da CPMI do INSS sofreu inúmeras alterações, com base e oposição trocando membros e aliados em busca de uma maioria dos votos. Com isso, parlamentares que sequer compuseram a comissão se tornaram membros no último dia para garantir votos.

A troca de membros se intensificou nos últimos dias. Apenas nesta sexta-feira, foram registradas 21 alterações na composição da comissão, refletindo a disputa direta entre governo e oposição pelo controle do resultado final. Ao longo de toda a CPMI, já foram contabilizadas centenas de mudanças entre titulares e suplentes.

Durante a sessão, a senadora Margareth Buzetti criticou a decisão do governo, afirmando que a medida demonstra receio em relação ao teor do relatório. Após deixar o colegiado, ela declarou à imprensa que se sentiu desrespeitada e acusou o governo de tentar proteger aliados.

Por outro lado, a defesa de Lulinha classificou as acusações como infundadas e com motivação política, afirmando não haver elementos que justifiquem o indiciamento.

A leitura do relatório foi iniciada nesta sexta-feira e precisa ser concluída até sábado (28), prazo final de funcionamento da CPMI, após decisão do Supremo Tribunal Federal de não prorrogar os trabalhos da comissão.

Nos bastidores, a expectativa é de que a disputa permaneça apertada até a votação final, com novas movimentações possíveis para garantir maioria em um dos episódios mais tensos da comissão.