A Justiça da Itália autorizou nesta quinta-feira (26) a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, condenada no Brasil por envolvimento na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça. A decisão foi tomada pela Corte de Apelação italiana, que analisou o pedido formal encaminhado pelo STF.
Apesar do aval judicial, o processo ainda não foi concluído. A defesa da ex-parlamentar informou que vai recorrer da decisão, o que pode prolongar o caso antes de uma definição final pelo governo italiano, responsável pela palavra final sobre a extradição.
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Deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) – Foto: Reprodução
Condenação e fuga do Brasil
Zambelli foi condenada em maio de 2025 pela Primeira Turma do STF a 10 anos de prisão em regime fechado, além da perda do mandato parlamentar. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, considerou que ela participou de um esquema para inserir documentos falsos nos sistemas do CNJ, com o objetivo de desacreditar o Judiciário brasileiro.
Após a condenação, a ex-deputada deixou o país pela fronteira com a Argentina, passou pelos Estados Unidos e seguiu para a Europa. Com isso, passou a ser considerada foragida da Justiça brasileira.
O STF então determinou sua prisão definitiva e solicitou a inclusão do nome de Zambelli na lista de difusão vermelha da Interpol, o que levou à sua captura em território italiano em julho de 2025.
Prisão e processo de extradição
Desde a prisão, Zambelli permanece detida em Roma. As autoridades italianas justificaram a manutenção da prisão preventiva pelo risco de fuga.
O processo de extradição enfrentou sucessivos atrasos, incluindo:
- Greve de advogados na Itália
- Apresentação de novos documentos pela defesa
- Adiamentos de audiências
Durante esse período, a ex-deputada afirmou nas redes sociais ser vítima de perseguição política e declarou que pretende provar inocência.
Situação política e perda de mandato
Além da condenação criminal, Zambelli também perdeu o mandato parlamentar. O STF determinou a cassação, posteriormente confirmada após divergência com a Câmara dos Deputados.
Em dezembro de 2025, a ex-deputada apresentou carta de renúncia, alegando perseguição e defendendo sua trajetória pública. A renúncia, no entanto, não altera os efeitos da condenação, que já a torna inelegível.
Para onde Zambelli pode ser levada
Caso a extradição seja confirmada, Zambelli deverá cumprir pena no Brasil, possivelmente na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), conhecida como Colmeia.
A unidade prisional abriga detentas condenadas por crimes de grande repercussão nacional, incluindo o caso do assassinato do menino Rhuan Maycon, ocorrido em 2019, que chocou o país pela brutalidade.
Cronologia do caso
- 15 de maio de 2025 – STF condena Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto
- 25 de maio de 2025 – Ex-deputada deixa o Brasil
- 7 de junho de 2025 – STF decreta prisão definitiva e pede extradição
- Julho de 2025 – Zambelli é presa na Itália após alerta da Interpol
- Março de 2026 – Justiça italiana autoriza extradição
O que acontece agora
Com a decisão da Justiça italiana, o caso entra em sua fase final, mas ainda depende de dois fatores:
- Análise de recursos da defesa
- Decisão política do governo italiano sobre a extradição
Até lá, Carla Zambelli segue presa na Itália, aguardando os próximos desdobramentos de um processo que envolve autoridades brasileiras e europeias e que tem impacto direto no cenário político e jurídico do Brasil.
