Internacional

Portugal

Papa Francisco cumpre “dia zero” antes do Acolhimento na Jornada Mundial da Juventude

Papa: o mundo precisa da Europa construtora de pontes e pacificadora. Francisco vai permanecer no país até domingo com oito discursos preparados ao longo do maior evento do ano da igreja católica romana.


Papa Francisco chegou em Lisboa, pelas 09h45 da manhã desta quarta-feira, para uma visita de cinco dias no quadro da 37.ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

O Sumo Pontífice foi recebido no aeroporto de Figo Maduro pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, e pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, devoto católico e um dos maiores entusiastas da JMJ em Lisboa.

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A primeira escala de Francisco foi o Palácio de Belém, onde se reuniu durante meia hora com o Presidente Marcelo.

Sonho uma Europa, coração do Ocidente, que use o seu engenho para apagar focos de guerra e acender luzes de esperança; uma Europa que saiba reencontrar o seu ânimo jovem, sonhando a grandeza do conjunto e indo além das necessidades imediatas; uma Europa que inclua povos e pessoas, sem correr atrás de teorias e colonizações ideológicas. Foi o desejo expresso pelo Papa em seu primeiro discurso em terras portuguesas, esta quarta-feira, 2 de agosto, no Encontro com as Autoridades, a sociedade civil e o Corpo Diplomático, no âmbito de sua 42ª viagem apostólica internacional, para a JMJ Lisboa 2023.

Já no início de seu discurso Francisco se disse feliz por estar em Lisboa, cidade do encontro que abraça vários povos e culturas e que, nestes dias, se mostra ainda mais universal; torna-se, de certo modo, a capital do mundo. Isto condiz bem, enfatizou o Pontífice, com o seu caráter multiétnico e multicultural e revela os traços cosmopolitas de Portugal, que afunda as suas raízes no desejo de se abrir ao mundo e explorá-lo, navegando rumo a novos e amplos horizontes.

Ineficácia da nossa resposta às grandes questões de hoje

Do oceano, Lisboa conserva o abraço e o perfume. À vista dele, os portugueses são levados a refletir sobre os imensos espaços da alma e sobre o sentido da vida no mundo. Nesta linha, disse Francisco, gostaria também eu de partilhar convosco algumas reflexões, deixando-me levar pela imagem do oceano.

O oceano não liga apenas povos e países, mas também terras e continentes. As grandes questões hoje, como sabemos, são globais e já muitas vezes tivemos de fazer experiência da ineficácia da nossa resposta às mesmas, precisamente porque o mundo, diante de problemas comuns, se mantém dividido ou pelo menos não suficientemente unido, incapaz de enfrentar juntos aquilo que nos põe em crise a todos. Parece que as injustiças planetárias, as guerras, as crises climáticas e migratórias correm mais rapidamente do que a capacidade e, muitas vezes, a vontade de enfrentar em conjunto tais desafios, observou Francisco.

O Papa Francisco e o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa (Vatican Media)

Europa, para onde navegas?

Referindo-se à Jornada Mundial da Juventude, motivo desta sua viagem apostólica a Portugal, o Papa disse esperar que a mesma seja para o «velho continente», um impulso de abertura universal. Na verdade, o mundo tem necessidade da Europa, da Europa verdadeira: precisa do seu papel de construtora de pontes e de pacificadora no Leste europeu, no Mediterrâneo, na África e no Médio Oriente.

No oceano da história, estamos a navegar num momento tempestuoso e sente-se a falta de rotas corajosas de paz. Olhando com grande afeto para a Europa, no espírito de diálogo que a carateriza, apetece perguntar-lhe: Para onde navegas, se não ofereces percursos de paz, vias inovadoras para acabar com a guerra na Ucrânia e com tantos conflitos que ensanguentam o mundo?

Mais investimento em armas do que no futuro dos filhos

E ainda, alargando o campo, prosseguiu Francisco: Que rota segues, Ocidente? A tua tecnologia, que marcou o progresso e globalizou o mundo, sozinha não basta; e muito menos bastam as armas mais sofisticadas, que não representam investimentos para o futuro, mas empobrecimento do verdadeiro capital humano que é a educação, a saúde, o estado social. Fica-se preocupado ao ler que, em muitos lugares, se investem continuamente os recursos em armas e não no futuro dos filhos.

Para onde navegais, Europa e Ocidente, com o descarte dos idosos, os muros de arame farpado, as mortandades no mar e os berços vazios? Para onde ides se, perante o tormento de viver, vos limitais a oferecer remédios rápidos e errados como o fácil acesso à morte, solução cómoda que parece doce, mas na realidade é mais amarga que as águas do mar?

Jornada Mundial da Juventude, ocasião para construir juntos

Mas Lisboa, abraçada pelo oceano, oferece-nos motivos para esperar, disse o Santo Padre, ressaltando que a Jornada Mundial da Juventude é ocasião para construir juntos.

Reaviva o desejo de criar coisas novas, fazer-se ao largo e navegar juntos rumo ao futuro. Vêm à mente algumas palavras ousadas de Fernando Pessoa: «Navegar é preciso; viver não é preciso (…); o que é necessário é criar» (Navegar é preciso). Trabalhemos, pois, com criatividade para construirmos juntos!