A França poderá ter o seu primeiro governo de extrema-direita desde a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial, se o Rassemblement Nacional (RN), de Marine Le Pen, obtiver a maioria absoluta e o seu líder Jordan Bardella, de 28 anos, se tornar primeiro-ministro.
No primeiro turno das eleições, que aconteceu em 30 de junho, nenhum partido ultrapassou o limiar de 289 lugares para uma vitória absoluta. O RN obteve 33,1% dos votos.
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A coligação “Ensemble” (Juntos) de Macron alcançou uma fração de 21% dos votos e os partidos de esquerda tiveram um desempenho relativamente forte.
A Nova Frente Popular, uma aliança entre o Partido Socialista, os Verdes e a França sem Arco de Jean-Luc Mélenchon, formada após a convocação das eleições, obteve 28% – uma ligeira melhoria em relação aos 25,7% que a NUPES, a coligação equivalente, alcançou em 2022.

Os eleitores franceses votam nas eleições legislativas antecipadas, que poderão instituir o primeiro governo de extrema-direita do país – Foto: Jean-Francois Badias
Políticos alvo de atos de violência
As quatro semanas de campanha eleitoral na França foram marcadas pela violência contra políticos e suas equipes.
O Ministro do Interior, Gérald Darmanin, declarou à televisão francesa na sexta-feira de manhã que “51 candidatos e outros membros associados às campanhas foram agredidos fisicamente”. Entretanto, foram registados mais ataques.
Entre os alvos contam-se a candidata do RN em Savoie, Marie Dauchy, que foi forçada a suspender a sua campanha entre as duas voltas, e a porta-voz do governo Prisca Thevenot, que foi alvo de ataques enquanto fazia panfletagem. Dois dos seus colaboradores ficaram feridos.
Nova Caledónia: Emmanuel Tjibaou eleito deputado
Emmanuel Tjibaou tornou-se o primeiro deputado pró-independência da Nova Caledónia, um dos territórios ultramarinos franceses, desde 1986.
Tjibaou, que obteve 57% dos votos, é filho de Jean-Marie Tjibaou, o líder independentista Kanak assassinado na comuna de Ouvéa em 1989.
Observando que, nos últimos anos, o território ultramarino da Nova Caledónia realizou referendos sobre o seu futuro em França, tendo obtido sempre um resultado pró-francês. No entanto, a questão da independência continua sendo muito contestada.
Como funciona o sistema político francês?
Na França, o presidente não é chefe de governo, mas sim de Estado. “O chefe de governo é o primeiro-ministro. O Reagrupamento Nacional garantiu que só indicará o primeiro-ministro caso obtenha maioria absoluta na Assembleia. Se isso ocorrer, teremos uma situação já conhecida na França, que é a coabitação: um presidente de um viés ideológico, e um primeiro-ministro de outra corrente política.
A novidade, em termos franceses, será a extrema direita chefiar o governo”, explica o professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), Adrian Nicolas Albala Young, destacando que a eventual vitória do Reunião Nacional neste domingo terá impactos para a União Europeia, com eventuais reflexos também para o Brasil.
Com informações da EuroNews