O rádio de sintonia FM (convencional) ainda é um dos principais meios de comunicação no Amazonas. Tem sobrevivido bravamente, apesar das tendências e maior envolvimento do público mais jovem com as redes e midias sociais. Os radialistas que ainda não migraram integralmente aos novos modelos de comunicação de massa, permanecem em suas emissoras transmitindo conteúdo da mesma forma, porém, com mais dinamismo e maior integração, graças a evolução e maior velocidade trazidos pela internet. A estes bravos profissionais comunicadores, o nosso mais sincero agradecimento e apreço.
Breve histórico do rádio no Amazonas

Foto: reprodução
O rádio surge no Estado em 1927, época de intenso desenvolvimento econômico, que tinha como base a produção da borracha. Manaus era uma das cidades brasileiras mais desenvolvidas por conta dos grandes investimentos dos barões da borracha. O rádio estava diretamente relacionado, especialmente, à questões políticas e seus altos e baixos que permearam os principais acontecimentos políticos, econômicos e sociais do Brasil.
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Os moradores da capital à época viajavam nos bondes da linha Cachoeirinha e podiam vislumbrar as edificações recém-inauguradas da Amazon Telegraph, as quais tinham sido projetadas para abrigar uma estação radiofônica fabricada pela companhia inglesa Marconi, de Ondas Curtas, já adaptadas à execução de serviços de broadcast. A “Voz de Manaós” foi inaugurada na primeira quinzena de abril do ano de 1927. A emissora tinha como principal objetivo “transmitir para os municípios do interior dados e informações atualizadas das cotações e valorizações dos produtos naturais nas bolsas internacionais, a situação da moeda brasileira e o câmbio exterior.”
O posicionamento geográfico do Estado fez com que o rádio se tornasse o principal meio de comunicação popular, servindo como uma importante ferramenta para promover a cidadania ao homem do interior que se mantinha isolado do restante do país.

Entrega do prêmio pelo Dr. Coquero Mendes à cantora do rádio, Maria de Lourdes. (Foto:Acervo Abrahim Baze)
Após os anos 1930, Manaus amargou um jejum radiofônico após a extinção da rádio pioneira e somente em 1938 surgiu a “Voz da Baricéa”. A iniciativa foi do técnico em eletrônica e ex-funcionário do Departamento de Correios e Telégrafos e da Manaós Tramways, Lizardo Rodrigues.
A fase de Floração teve início com a compra da Voz da Baricéa por Assis Chateaubriand, dono da Rede de Diários e Emissoras Associados. Nessa época, ela saía do domínio do governo, após a intervenção de Getúlio Vargas.

Assis Chateaubriand – Foto: reprodução
Em 1943, Chateaubriand incorporou a Baricéa em suas empresas, esta passou a se chamar Rádio Baré, ele manteve a tradição de nomear suas emissoras de rádio com nomes indígenas.
“… A Manaus dos primeiros tempos da Difusora era uma cidade de pouco mais de 100 mil habitantes, que almoçava em casa, fazia a sesta, passeava de bonde, lia jornal e ouvia rádio.” Etelvina Garcia – Jornalista.
A Rádio Difusora do Amazonas foi inaugurada em 24 de novembro de 1948, passando a concorrer diretamente com a Rádio Baré, criando programas similares para cada atração existente na emissora rival. Extremamente competitivo, Josué Claudio criou a ‘Crônica do Dia’ para enfrentar a ‘Cônica da Cidade’.

Foto: reprodução
E foi nessa guerra por audiência que as duas emissoras trouxeram grandes artistas do cenário nacional musical entre 1949 e 1959, tendo as despesas com passagens aéreas e hospedagens custeadas por patrocinadores. Essa disputa entre as duas emissoras veio consolidar a radiodifusão sonora do Amazonas, já no final de uma das épocas mais importantes do rádio brasileiro.
A fase de Frutificação é marcada pelo pioneirismo e ousadia de trazer para o Amazonas a primeira rádio de Frequência Modulada (FM) do Brasil – a Rádio Tropical. Inaugurada em 15 de março de 1966, marcou a modernização da comunicação no Amazonas.
Somente alguns ouvintes podiam ter acesso à programação por meio dos aparelhos receptores importados e distribuídos pelo dono da emissora, Antônio Malheiro, que serviam apenas de demonstração para anunciantes e alguns empresários das comunicações. “Os proprietários das demais estações radiofônicas ficaram profundamente impressionados não só com a qualidade do som stereo produzido pelo transmissor”.
Cidade 99,3: Foi inaugurada no dia 15 de março de 1969 com o nome de Rádio tropical, sendo a primeira FM do Brasil. A rádio está no ar há 41 anos. No inicio dos anos 90 aderiu à primeira rede de radio para todo o Brasil, nesse período a Rede Cidade soube da audiência da radio Tropical em Manaus e a convidou para fazer parte do grupo de afiliadas. A rádio tem sua programação direcionadas ao samba, reggae, rock, pop e sertanejo.
ACritica FM 99,3: Foi inaugurada em 7 de setembro de 1978 com o nome de Rádio Independência. Em 1979 passou a incorporar as Empresas de Jornais Calderaro. Em 1989 passou a se chamar Rádio Jornal A Crítica. Em 1897 passou a transmitir por FM e a chamar-se Rádio A Crítica.

Dissica Calderaro – Foto: reprodução
Em 2009, a rádio passou por mais uma reformulação de programação e mudou o nome para Nova Rádio A Crítica. Atualmente a rede representa emissoras de peso como a Jovem Pan e Fm o Dia. Por fazer parte de um grupo e empresas jornalísticas, a emissora está presente nos principais eventos da cidade e mantém um núcleo especial para a cobertura de esportes.
Boas Novas 107,9: Faz parte dos empreendimentos da Assembléia de Deus no Amazonas. A emissora foi comprada junto com a televisão do grupo Simões, na época chamada de Rádio Ajuricaba, e Rede Brasil Norte. Desde então passou a ser chamada de Boas Novas, com uma programação segmentada voltada ao público gospel. A rádio está no ar há 17 anos, depois de ter sido comprada. A programação era elaborada pelos próprios pastores,mas com o passar dos anos, a rádio foi se profissionalizando, foram contratados pessoas com nível superior. Era uma programação feita por profissionais de fato. A maioria da nossa programação é independente. A rádio encontra-se na web, desde quando se tornou FM.
Amazonas FM 101,5: Foi inaugurada no dia 19 de março de 1985, iniciou suas atividades de radiodifusão com equipamentos precários, porém funcionais. Ela está na internet desde 2003 permitindo que o ouvinte escute a rádio on-line e ainda possa ver o que se passa no estúdio, ao vivo.

Foto: reprodução
A história da rádio é marcada pela promoção de festas, que a deu o slogan de “A rádio dos grandes eventos”. Além de sua variada programação musical, a Amazonas se destaca com o departamento de jornalismo que divulga notícias internacionais, nacionais e locais com ênfase em política e participação popular via telefone.
Novidade FM 100,7: Passou 1 ano em caratér experimental entre 1989 e 1990. Ao entrar no ar em definitivo, tinha uma programação moderna, 90% internacional, voltada a um público “intelectualmente refinado” com músicas oriundas da Europa e Estados Unidos da América. O conteúdo nacional também mantinha caracteristicas de refinamento e manteve-se assim até meados de 1992.
Armando Mendes e Antonio Malheiros – Foto (acervo pessoal)
A troca de perfil elitizado se deu de forma súbita, tornando-se da noite pro dia 100% popular. O axé music ja havia se estabelecido na programação, logo foi introduzido o Brega, o Funk carioca, Pagode e forró. Mas o que fez a diferença, foi o lançamento das primeiras músicas gravadas totalmente ao vivo no curral do Boi Caprichoso na extinta TVlândia, o que deu a Novidade FM o protagonismo no desenvolvimento do fenômeno de sucesso da “Toada de boi-bumbá”.
Em meio a tanta diversidade, Joaquim Marinho, eclético e sagaz, trouxe uma dinâmica totalmente inusitada no inicios das tardes com o “Zona Franca” e Ney Amazonas com “Um toque de Bar” a partir das 19h, mantiveram um pouco da sofisticação do modelo anterior da Novidade FM.

Joaquim Marinho e Ney Amazonas – Fotos: acervo pessoal
Mix FM 100,7: Foi inaugurada no dia 15 de novembro de 2007. Afiliada da rádio MIX São Paulo. Tem uma programação voltada ao público jovem e toca músicas do estilo rock pop e reggae. A emissora ficou no lugar da extinta Novidade FM, de Armando Mendes. A emissora foi uma das principais da cidade de Manaus na década de 90, sempre buscando um público mais elitizado por meio de uma programação repleta de músicas internacionais que muitas vezes ainda não eram tocadas em outras rádios. Atualmente foi introduzido o jornalismo com o programa 18 Horas.

Radio Mix Manaus – Dj Graciano Rebelo e Armandinho – Foto: reprodução
Rio Mar 103,5: Foi inaugurada no dia 15 de novembro de 1954. Inicialmente a Emissora operava uma estação de Onda Média, na freqüência de 990 KHz, com potência de 1,0 KW.
Foi a primeira estação de Onda Média a ser instalada no Amazonas. A frequência original foi modificada, pouco depois, para 1.440 KHz. Desde 1982, opera em 1.290 KHz.
A partir de 1962, o então Arcebispo Metropolitano de Manaus, Dom João de Souza Lima, sentindo a necessidade de utilização do rádio como veículo de apoio nas ações pastorais, adquiriu a emissora em nome da Arquidiocese de Manaus. Grandes transmissões marcaram e marcam a história do Rádio Amazonense, como: Copa de 1970, Visita do Papa João Paulo II ao Brasil, visita do Papa Bento VI ao Brasil, além de partidas importantes de futebol.

Equipe da Rádio Rio Mar – Foto: reprodução
A rádio tem um acervo na discoteca com mais de 40 mil discos, dentre eles, peças históricas como o primeiro LP de Roberto Carlos e a coleção completa dos Beatles.
Em 2000, houve a implantação de novas tecnologias para a Rádio. Hoje seu sistema é completamente automatizado.
Rádio Difusora do Amazonas (96,9): Foi inaugurada no dia 24 de novembro de 1948. Em 1968, passou a operar nas três faixas – AM, FM e OT. A emissora tem o slogan “Rádio do coração do povo” por ter uma programação voltada a serviço e entretenimento. Um dos destaques da Difusora é o “Jornal da Manhã”, programa noticioso.

Valdir Correa – Foto: reprodução
Um dos pontos altos do jornal é a editoria de polícia que é transmitida pelos repórteres de diversos pontos da cidade. O programa tem um alto alcance e uma grande audiência.

Nos anos 80 programas populares de maior audiência, tinham dois nomes de peso, F. Cavalcante e Beto de Paula, que “arrastaram multidões” para suas festas em clubes da cidade – Foto: acervo pessoal
Homenagens do Portal CINCO ao jornalista, professor universitário e escritor, Luiz Eugênio Negreiros Nogueira (in memorian) autor do livro ‘O Rádio no país das Amazonas’ e a todos os artistas que compõem este mundo fabuloso de imaginação, músicalidade, notícias e criatividade.
