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Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais reúne milhares de pessoas em São Paulo antes da Parada LGBT+

Evento chega à 24ª edição, destaca combate à violência contra a população LGBT+ e antecede a Parada do Orgulho LGBT+, que celebra 30 anos neste domingo.


Fotos: Carlos Augusto de Mello Filho/SP

 

A cidade de São Paulo recebe neste sábado (6) a 24ª edição da Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais, manifestação que integra a programação da Semana da Diversidade e antecede a tradicional Parada do Orgulho LGBT+, marcada para este domingo (7).

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A concentração teve início às 13h no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, com apresentações culturais e artísticas. De acordo com a organização, a expectativa é reunir entre 5 mil e 7 mil participantes ao longo do evento.

A caminhada está prevista para começar por volta das 16h20, seguindo pela Rua Augusta até a Praça Roosevelt, na região central da capital paulista. O encerramento está programado para as 18h.

Entre as principais pautas da mobilização estão o enfrentamento à lesbofobia, a defesa dos direitos da população LGBT+ e o combate à violência. Uma das organizadoras do evento, Fernanda Gomes destacou a importância de manter viva a discussão sobre casos emblemáticos de violência contra mulheres lésbicas.

Segundo ela, a edição deste ano busca ampliar a visibilidade do caso de Luana Barbosa, mulher negra e lésbica que morreu após uma abordagem policial em Ribeirão Preto. O julgamento popular do caso está previsto para ocorrer no próximo ano, após uma década de tramitação.

A caminhada antecede a 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+, considerada uma das maiores do mundo. A celebração acontece neste domingo (7), a partir das 10h, também na Avenida Paulista, reunindo atrações musicais e milhares de participantes.

Entre os artistas confirmados para a Parada estão Gloria Groove, Melody, Pepita, Jup do Bairro, Diego Martins e Katy da Voz e as Abusadas.

Apesar da comemoração pelos 30 anos do evento, a organização informou que houve redução significativa no volume de patrocínios em comparação com a edição anterior. A queda na arrecadação também deve impactar a movimentação econômica gerada pela Parada.

Estimativas da Associação Comercial de São Paulo apontam que o evento deverá movimentar cerca de R$ 466 milhões na economia da capital em 2026, valor inferior ao registrado em 2025, quando a Parada injetou mais de R$ 548 milhões no comércio e nos serviços da cidade.

 

Fotos: Carlos Augusto de Mello Filho/SP

 

Caminhada perde o rumo

Além das atividades oficiais, a edição de 2026 também gerou críticas de alguns participantes e observadores. Um jornalista que acompanha a caminhada desde o início afirma que, em sua avaliação, o evento teve forte predominância de discursos políticos e partidários, com menor destaque para pautas específicas relacionadas à causa lésbica.

Segundo ele, durante o percurso foram ouvidas manifestações sobre temas como o fim da escala de trabalho 6×1, críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, posicionamentos favoráveis à legalização do aborto, além de palavras de ordem relacionadas ao conflito no Oriente Médio. De acordo com o relato, uma militante que afirmou ter participado da flotilha humanitária com destino a Gaza também fez críticas ao governo de Israel.

O jornalista comparou a edição atual com manifestações realizadas em anos anteriores, destacando que, em sua percepção, a caminhada já teve maior foco em pautas diretamente ligadas à vivência e aos direitos das mulheres lésbicas. Ele também mencionou que elementos culturais e de confraternização que marcaram outras edições, como desfile de motociclistas que abria o evento, apresentações e atrações voltadas ao público participante, teriam perdido espaço ao longo do tempo.