Quando o RPM começou a tocar absurdamente nas rádios e TV, esse que vos escreve, ainda um garoto introvertido, odiou a banda de todo o coração por um motivo bem esdrúxulo: os integrantes eram bonitos e todas as meninas eram loucas por eles.

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Foto: reprodução
Na minha cabeça, não poderia existir uma banda que provocava histerismo feminino e, ao mesmo tempo, ser relevante artisticamente (exceto os Beatles, é claro).
Como leitor da revista SOM TRÊS, eu torcia para que um dos meus críticos preferidos – Paulo Ricardo Medeiros – sentasse a lenha no álbum de estreia dos bonitões. Ele nunca o fez.
Mais tarde, descobri que ele e o vocalista da banda eram a mesma pessoa.

Paulo Ricardo Medeiros – ex-líder do RPM e crítico musical – foto: reprodução
Mas não demorou muito para eu perceber que Revoluções Por Minuto é um disco espetacular.
Fora os sucessos radiofônicos, o álbum trazia composições geniais, com arranjos bem elaborados, muitas vezes sombrios, e letras extremamente bem construídas e até complexas.
Nos shows, era curioso ver as adolescentes cantando sobre “guerra fria”, “criança adulterada”, “protestantismo europeu”, “guerrilha”, enquanto gritavam em inacreditáveis decibéis.
Aliás, o espetáculo que se tornou o recordista disco Rádio Pirata Ao Vivo era algo de tirar o fôlego.

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Além de todas as faixas do primeiro LP, a banda incluía trechos de clássicos do rock setentista, novas composições e covers de Caetano Veloso e Secos e Molhados.
Curiosamente, foi a pirataria de “London London”, inclusa nos shows, mas não registrada em álbum, o que levou a banda a lançar um disco Ao Vivo, que vendeu como água no deserto e recentemente foi revisitado em turnê pelo ainda bonitão Paulo Ricardo.
Nesta primeira fase, a banda ainda lançou o ousado Quatro Coiotes, que apesar de não ter vendido como os anteriores, é um álbum que merece respeito.

Encarte do Lp Quatro Coiotes, o disco virou uma raridade – Foto: reprodução
Atualmente, a banda conta com os remanescentes Fernando Deluqui (guitarras) e Luiz Schiavon (teclados), além dos vocais de Dioy Pallone e a bateria de Kiko Zara, que substituiu Paulo P.A Pagni, falecido em 2019.
Paulo Ricardo segue carreira solo, sempre tocando os clássicos do RêPêMê nos shows.
Após quase quatro décadas, a revolução ainda arde no peito.
PS.: “Só tem homem feio aí”
