Brasil

Economia

Prazo para declarar o IR 2025 encerra hoje. Veja o que pode acontecer se deixar de declarar

Quem atrasa ou não entrega a declaração, está sujeito à multa e a alguns transtornos no dia a dia.


IR 2025: Perdeu o prazo da declaração? Veja o que pode acontecer

Multa mínima é de R$ 165,74 e CPF fica com pendência que pode atrapalhar a vida financeira

Continua depois da Publicidade

O prazo para enviar a declaração do Imposto de Renda 2025 termina às 23h59 desta sexta-feira, 30 de maio. Quem perder o prazo está sujeito a multa e pode enfrentar problemas com o CPF.

Segundo a Receita Federal, até o dia 23 de maio, pouco mais de 65% dos contribuintes haviam entregue a declaração. Quem deixar para a última hora pode encontrar instabilidade no site e correr o risco de não conseguir enviar a tempo.

E se perder o prazo?

Mesmo com o atraso, ainda é possível enviar a declaração, mas haverá multa. O valor mínimo é de R$ 165,74, caso não haja imposto a pagar. Para quem tem imposto devido, a multa é de 1% ao mês sobre o valor, podendo chegar a 20%, mais juros com base na taxa Selic.

Por exemplo, quem deve R$ 20 mil de IR pode pagar até R$ 200 de multa logo no primeiro mês.

Como pagar a multa

A multa é gerada automaticamente no momento da entrega da declaração atrasada. O pagamento deve ser feito em até 30 dias. Caso contrário, os juros começam a ser cobrados. Se houver restituição, o valor da multa será descontado.

E se não declarar?

Quem não entregar a declaração fica com o CPF “pendente de regularização”. Isso pode causar dificuldades para:

  • Abrir contas em banco

  • Pedir empréstimos ou cartões

  • Participar de concursos públicos

  • Tirar ou renovar passaporte

A Receita Federal esclarece que não há prisão nem bloqueio do CPF por conta da pendência, mas ela serve como um alerta para que a pessoa regularize sua situação.

Dicas para não cair na malha fina no IR 2025

Mesmo que a declaração ainda esteja incompleta, envie dentro do prazo. Depois, é possível corrigir as informações com uma retificação — exceto se já tiver caído na malha fina e apresentado documentos à Receita.

1. Organize e guarde todos os documentos necessários

Manter uma organização rigorosa dos documentos que comprovam rendimentos e despesas é fundamental. Isso inclui informes de rendimentos fornecidos por empregadores e instituições financeiras, recibos de despesas médicas e educacionais, e comprovantes de outras deduções.

A advogada Daniela Poli Vlavianos, sócia do escritório Poli Advogados & Associados, frisa a importância de o contribuinte adotar medidas preventivas o quanto antes, reunindo e mantendo essas informações em fácil acesso. “É essencial para o correto preenchimento dos rendimentos tributáveis e isentos.”

2. Utilize a declaração pré-preenchida

A Receita Federal disponibiliza a opção de declaração pré-preenchida do Imposto de Renda, que já contém informações fornecidas por fontes pagadoras e outras instituições. “Baixe a declaração pré-preenchida para verificar as informações constantes e verificar se estão corretas”, recomenda Luiz Henrique Mazetto Veronezi, sócio do PLKC Advogados.

Isso porque a ferramenta pode ajudar a minimizar erros de digitação e omissões. Mesmo assim, os especialistas lembram ser crucial a revisão de todos os dados antes de enviar a declaração.

3. Fique atento aos informes de rendimentos

Certifique-se de que os valores informados na declaração correspondem aos informes de rendimentos fornecidos por empregadores e instituições financeiras. Discrepâncias entre esses valores podem levar à retenção da declaração. A Receita Federal utiliza inteligência artificial para identificar inconsistências, tornando o cruzamento de dados mais rigoroso.

Marcelo John Cota de Araújo Filho, advogado tributarista do escritório Schiefler Advocacia, alerta que as instituições bancárias e fontes pagadoras também prestam informações ao Fisco. Elas indicam quais foram os pagamentos e deduções realizadas ao longo de um exercício financeiro, fazendo o cruzamento de dados.

“Se onde o contribuinte trabalha informa à Receita Federal que fez o pagamento de determinado valor a um contribuinte específico, mas esse mesmo contribuinte não apresenta essa informação, ou apresenta um valor diferente em sua declaração, a chance de que ele caia na malha fina é potencializada.”

4. Atenção às despesas médicas e outras deduções

As despesas médicas são frequentemente alvo de inconsistências. Por isso, é imprescindível que todas as despesas declaradas sejam comprovadas com documentos válidos.

“A cada ano, a Receita aprimora seus sistemas de cruzamento de tais informações com o propósito de verificar se você está reportando rendimentos e despesas corretamente em sua DIRPF”, diz Veronezi.

Vale ressaltar que despesas não dedutíveis, como massagistas, nutricionistas e medicamentos, não devem ser incluídas na declaração.

5. Declare todos rendimentos e despesas de dependentes

É essencial informar todos os rendimentos recebidos no ano-calendário, sejam eles salários, aluguéis ou investimentos. Além disso, ao incluir dependentes na declaração, os rendimentos deles também devem ser declarados.

Ainda assim, Rafael Guazelli, especialista em Direito Tributário e sócio-fundador do Guazelli Advocacia, alerta que, antes, o contribuinte deve verificar se o(s) dependente(s) realmente se enquadra(m) nos critérios estabelecidos pela Receita Federal.

6. Evite a duplicidade de informações sobre dependentes

Ao declarar dependentes, assegure-se de que eles não estejam sendo declarados por outra pessoa simultaneamente. “A duplicidade de informações pode gerar inconsistências e levar à malha fina”, alerta Daniela.

7. Informe corretamente rendimentos de fontes pagadoras diferentes

Se você possui múltiplas fontes de renda, é crucial declarar todas elas de forma precisa. O cruzamento de dados pelo Fisco está cada vez mais rigoroso, e a omissão de qualquer rendimento pode resultar em problemas. Os rendimentos de fontes pagadoras diferentes devem ser corretamente informados.

8. Revise minuciosamente todas as informações antes de enviar

Erros de digitação ou informações incorretas podem resultar em inconsistências. Uma revisão detalhada da declaração antes do envio é essencial para garantir que todos os dados estejam corretos e completos.

Daniela Poli Vlavianos ressalta a importância de checar todas as informações antes da transmissão da declaração. “Assim, evita discrepâncias entre os dados informados e aqueles registrados na base da Receita Federal.”

9. Retifique a declaração assim que identificar um erro

Caso perceba algum erro ou omissão após o envio da declaração, envie uma declaração retificadora o mais rápido possível. Isso pode evitar penalidades e fiscalizações mais severas. Os especialistas recomendam manter toda a documentação organizada e, em caso de erro, retificar a declaração antes de uma possível notificação.

10. Acompanhe o processamento da sua declaração

Após o envio, acompanhe o status da sua declaração no portal e-CAC da Receita Federal. Dessa forma, você poderá identificar e resolver possíveis pendências de forma ágil. Luiz Henrique Mazetto Veronezi aconselha os contribuintes a organizarem, de forma antecipada, todos os documentos necessários para o Imposto de Renda.