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Píer do Chibatão chega a Itacoatiara e prepara operação para enfrentar estiagem no Amazonas

Estrutura flutuante será usada inicialmente para aliviar cargas e poderá fazer transbordo completo caso a vazante comprometa a navegação até Manaus.


Movimentação de cargas no píer do Grupo Chibatão em Itacoatiara (AM) –  Foto: Divulgação/Chibatão

 

O píer provisório flutuante do Grupo Chibatão foi instalado nesta sexta-feira (18) na região do Tabocal, em Itacoatiara, no interior do Amazonas. A estrutura será utilizada como alternativa logística durante o período de estiagem e deverá iniciar as operações na próxima semana.

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A primeira etapa prevê o alívio de carga dos navios. Caso a redução do nível dos rios dificulte a navegação até Manaus, o sistema poderá ser ampliado para operações completas de transbordo e baldeação de contêineres em Itacoatiara.

A estrutura deixou Manaus na quinta-feira (17) e foi posicionada nesta sexta. As equipes concluíram a fixação das boias e agora trabalham nos preparativos para o início das operações.

Píer já foi utilizado na estiagem de 2024

A estrutura é a mesma utilizada pelo Grupo Chibatão durante a severa estiagem de 2024. Naquele ano, quase 59 mil contêineres passaram por Itacoatiara em operações destinadas a manter o abastecimento de Manaus.

A estratégia foi adotada diante das dificuldades de navegação provocadas pela forte redução dos níveis dos rios, permitindo que cargas destinadas ao Polo Industrial de Manaus e ao comércio continuassem chegando ao Amazonas.

Para 2026, o planejamento prevê três guindastes e um equipamento de apoio. A operação deverá funcionar 24 horas por dia, com aproximadamente 150 trabalhadores.

Desse total, cerca de 50 profissionais serão contratados em Itacoatiara, segundo o Grupo Chibatão. A empresa também prevê adquirir no município alimentos, materiais de consumo e outros serviços necessários ao funcionamento da estrutura.

 

Foto: Divulgação/Chibatão

 

Seca exige planejamento logístico

A instalação ocorre em meio ao avanço da vazante dos principais rios amazônicos. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o processo de descida dos rios segue dentro do comportamento esperado para o período na maior parte da região.

Apesar disso, as projeções para Itacoatiara indicam um cenário que exige planejamento. Em estudo divulgado no início de setembro, o SGB estimou que o rio Amazonas poderia atingir, em 31 de outubro, uma cota entre 0,57 metro e 3,32 metros, dependendo da evolução da vazante.

O monitoramento hidrológico também considera a possibilidade de influência do El Niño sobre o comportamento dos rios durante a estiagem de 2026.

Receita Federal acompanha operação

A Receita Federal participa do planejamento para garantir a fiscalização das cargas durante as operações em Itacoatiara.

Segundo informações divulgadas no texto original, o órgão iniciou os preparativos ainda em abril, realizando reuniões com armadores e demais integrantes da cadeia logística. A fiscalização deverá ocorrer desde a chegada dos primeiros navios.

A experiência de 2024 é utilizada como referência para evitar interrupções no fornecimento de matérias-primas, componentes industriais, alimentos e outras mercadorias destinadas ao Amazonas.

Setor produtivo busca evitar impactos

A instalação do píer também é considerada uma medida preventiva pelo setor industrial. A preocupação é que uma eventual restrição à navegação comprometa a chegada de insumos ao Polo Industrial de Manaus.

O planejamento envolve empresas privadas, armadores, operadores logísticos, Receita Federal e representantes da indústria e do comércio.

Além do píer do Chibatão, o governo federal anunciou obras de dragagem de manutenção em quatro trechos hidroviários do Amazonas, com o objetivo de preservar as condições de navegabilidade durante o período de seca.

Outro ponto que entrou no radar do setor é a chamada taxa de seca, cobrada por empresas de navegação durante períodos de restrição hidrológica. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) informou nesta semana que a cobrança de sobretaxas passará por análise regulatória e deverá ser acompanhada pela agência.

Com o píer já instalado em Itacoatiara, a expectativa é que a primeira operação ocorra na próxima semana. Inicialmente, o equipamento será utilizado para aliviar cargas, mas poderá assumir operações completas de transbordo caso a evolução da vazante torne necessário.