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Fumaça volta a sufocar Manaus, enquanto novos incêndios espalham poluição pela capital

Incêndio em Iranduba levou fumaça pela Ponte Rio Negro e atingiu diferentes áreas da cidade; na madrugada desta quinta-feira (1º), outro foco foi registrado na avenida Torquato Tapajós.


 

Manaus começou esta quinta-feira (1º) ainda sob os efeitos de uma das mais fortes ondas de fumaça registradas nos últimos dias. Depois de um incêndio de grandes proporções em uma área de vegetação no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba, a fumaça atravessou a Ponte Rio Negro e avançou sobre Manaus, deixando o ar em condições consideradas péssimas.

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Na noite de quarta-feira (30), sensores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) registraram concentração de partículas finas PM2.5 de 215,3 microgramas por metro cúbico (µg/m³) na Zona Oeste e 234,5 µg/m³ no bairro Compensa. O valor da Compensa corresponde a mais de 15 vezes a referência de 15 µg/m³ estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para exposição média de 24 horas.

A fumaça foi percebida em diferentes pontos de Manaus depois que o vento mudou de direção e carregou a poluição produzida pelo incêndio em Iranduba para a capital. Moradores da Zona Oeste chegaram a relatar dificuldade para respirar e precisaram deixar suas casas temporariamente.

 

Na primeira hora de quinta-feira (01-10-2026) – Imagem produzida pelo APP SELVA

 

Novo incêndio na Zona Norte

A situação ganhou um novo agravante na madrugada desta quinta-feira. Um incêndio atingiu uma área de vegetação na avenida Torquato Tapajós, na Zona Norte de Manaus, em frente à fábrica da Dafra Motos.

Vídeos registrados no local mostram as chamas consumindo a vegetação e uma grande quantidade de fumaça se espalhando pela região. O Corpo de Bombeiros foi acionado para combater o fogo. Até o momento, não havia registro de feridos nem confirmação sobre a causa do incêndio.

O novo foco ocorre em uma área que já havia registrado outro incêndio em setembro, aumentando a preocupação com a sequência de queimadas em áreas de vegetação dentro e no entorno da capital.

 

 

Até onde a fumaça chegou?

O episódio mais recente de maior intensidade teve origem entre os quilômetros 3 e 4 da AM-070, próximo ao distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba, a aproximadamente 27 quilômetros de Manaus.

A fumaça atravessou o Rio Negro e foi observada em diferentes pontos da capital, inclusive na região central. Registros feitos por moradores mostraram a coluna de fumaça sendo vista à distância a partir de Manaus.

Na noite de quarta-feira, a fumaça já havia tomado áreas da Zona Oeste, com relatos de presença dentro de residências no bairro São Jorge. O alcance exato da pluma nesta quinta-feira, entretanto, depende da direção e da velocidade dos ventos e não havia, até o fechamento desta atualização, um mapa oficial em tempo real que permitisse delimitar com precisão todos os bairros atingidos.

Além da fumaça proveniente de Iranduba, o novo incêndio na Torquato Tapajós representa uma fonte adicional de material particulado dentro da própria área urbana de Manaus.

 

Manaquiri também sente os reflexos da fumaça – Imagem gerada pelo APP SELVA

 

Incêndio mobilizou bombeiros em Iranduba

O incêndio registrado na AM-070 mobilizou 24 bombeiros e dez viaturas. Durante a ocorrência, os militares encontraram árvores previamente cortadas e secas na área atingida, e a corporação passou a trabalhar com a possibilidade de que o fogo tenha sido provocado intencionalmente.

O episódio aconteceu poucos dias depois de outro grande incêndio registrado na mesma região. Segundo as informações divulgadas anteriormente, o fogo da semana passada atingiu aproximadamente 700 hectares de floresta.

 

Coluna de fumaça pode ser vista de diversos pontos da capital – Foto: Reprodução

 

Fumaça não vem apenas de um ponto

A presença de fumaça sobre Manaus também está relacionada a incêndios registrados em outros municípios da Região Metropolitana. Em monitoramento divulgado pela Prefeitura de Manaus em setembro, as principais áreas apontadas como origem da fumaça eram Itacoatiara, Careiro da Várzea, Iranduba e Manacapuru.

O cenário, portanto, não deve ser interpretado apenas como consequência de um único incêndio. A combinação de vários focos, condições de estiagem e mudanças na circulação dos ventos pode fazer com que a fumaça se concentre sobre a capital ou seja transportada para outras áreas.

Alerta para a população

Diante dos níveis registrados, a Defesa Civil emitiu alerta de risco severo para a qualidade do ar e recomendou que a população evite a exposição à fumaça e utilize máscara ao sair de casa.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos que merecem atenção especial durante episódios de forte poluição atmosférica.

A orientação é reduzir atividades físicas ao ar livre, manter portas e janelas fechadas quando a fumaça estiver intensa e procurar atendimento médico diante de sintomas como falta de ar, chiado no peito, dor no peito ou piora de problemas respiratórios.

Manaus começa outubro novamente encoberta

A entrada de outubro mantém Manaus diante de um problema que já vinha se agravando desde setembro. O registro de novos incêndios tanto na Região Metropolitana quanto dentro da própria capital aumenta a possibilidade de novos episódios de concentração de fumaça.

Até o momento, é possível afirmar que a fumaça do incêndio de Iranduba alcançou Manaus e diferentes regiões da capital. Já o novo incêndio na Torquato Tapajós produz fumaça dentro da própria cidade. O alcance exato da pluma nesta madrugada, porém, ainda depende de atualização dos sensores ambientais e das condições de vento.

A recomendação, diante do cenário, é acompanhar os índices de qualidade do ar e evitar exposição prolongada enquanto os níveis permanecerem elevados.