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Brasil

Política Internacional

Brasil assume presidência do G20 por 1 ano e terá desafios com guerras, questão climática e transição energética

Além dos desafios internacionais, 2024 será ano de eleição, e Lula pretende rodar o País para acompanhar a execução de obras do PAC.


O Brasil assume hoje, pela primeira vez, a presidência rotativa do G20, o grupo das principais economias do planeta e mais a União Europeia e a União Africana criado em 1999 após a crise financeira asiática. Com mandato de um ano, o objetivo do país é promover três bandeiras centrais: combate à fome, pobreza e desigualdade; desenvolvimento sustentável e reforma da governança global. Mas terá que enfrentar outros problemas não menos importantes como as questões climáticas, sustentabilidade, transição energética, até os conflitos entre Rússia e Ucrânica e Israel e Hamas.

Há também uma questão pontual sobre a cúpula, prevista para ocorrer em 18 e 19 novembro de 2024, com os representantes desses países. No evento, deve constar a participação do presidente russo, Vladimir Putin, mas sua presença é incerta. O mandatário é alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e se recusou a participar presencialmente da cúpula do G20 na Índia, em setembro deste ano, participando virtualmente. Lula já disse que, se Putin vier ao Brasil, ele não será preso.

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Tribunal Penal Internacional emitiu em março de 2023 mandados de prisão contra Putin por suposto crime de guerra de deportação ilegal de crianças e transferência ilegal de crianças de áreas ocupadas da Ucrânia para a Rússia – Foto: reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu orientações claras aos diplomatas à frente da organização de 130 reuniões que serão realizadas nas cinco regiões do país, a partir de dezembro: o Brasil, como anfitrião, deve apresentar projetos concretos com efeitos práticos na vida das pessoas. Uma das iniciativas, já pronta, é a proposta de lançar uma aliança global contra a fome.

— Na visão do Brasil, a fome deve estar no centro da agenda internacional e deveria causar indignação, como disse o presidente Lula — diz o embaixador Mauricio Carvalho Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros e sherpa (representante do chefe de Estado nas reuniões) brasileiro.

Atualmente, lembra Lyrio, 750 milhões de pessoas sofrem fome crônica no mundo, e 2 bilhões têm acesso irregular a alimentos. O governo brasileiro quer ir muito além de declarações — que requerem consenso — de boa vontade. Lula espera encerrar a presidência brasileira, no encontro presidencial de 18 e 19 de novembro de 2024, no Rio, com um legado à vida real das pessoas, frisa Lyrio.

Cobranças e críticas

No primeiro ano de sua gestão, o petista fez 15 viagens internacionais e tem criticado continuamente a chamada governança global, incluindo tanto órgãos como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) quanto o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). O petista cobra uma renovação do modelo de participação e decisão em órgãos da ONU, por exemplo.

Na semana passada, o presidente Lula instalou a Comissão Nacional do G20, da qual fazem parte, além dele, os 39 autoridades, entre minsitros, presidentes da Câmara, Senado e Banco Central.

“Possivelmente esse será o mais importante evento internacional que nós iremos organizar”, disse durante o evento. “A gente vai ter uma reunião histórica no País, que espero que possa tratar de assuntos de que nós precisamos parar de fugir, e tentar resolver os problemas. Não é mais humanamente explicável o mundo tão rico, com tanto dinheiro atravessando o Atlântico, e haver tanta gente ainda passando fome”, afirmou.

Com a realização de eventos do G20 ao longo do ano que vem no Brasil, o presidente fará mais viagens pelo País para acompanhar a execução de obras. No ano de 2024, é importante a movimentação de Lula pelo Brasil por conta das eleições municipais.

Ao longo do mandato brasileiro à frente do G20, estão previstas ao menos cem reuniões dos grupos de trabalho de diferentes áreas, como economia, Justiça, meio ambiente, saúde. Os encontros acontecerão presencialmente em cidades-sedes das cinco regiões e virtualmente.

No fim da tarde desta sexta, será feita uma projeção no Museu da República, em Brasília, com as principais mensagens da Presidência brasileira do G20: combate à fome, pobreza e desigualdade; desenvolvimento sustentável (econômico, social e ambiental) e reforço da governança global.

O G20

O grupo é formado pelos seguinte membros: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Turquia, União Europeia e União Africana, que recebeu status de membro na Cúpula de Nova Delhi, em setembro. O G20 responde por cerca de 85% do PIB mundial, 75% do comércio internacional e 2/3 da população mundial.

Com agências: O Globo e Terra