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Justiça

Bolsonaro presta depoimento à polícia sobre motim de 8 de janeiro

O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento na sede da Polícia Federal nesta quarta-feira (26) sobre os ataques de 8 de janeiro a prédios do governo na capital, Brasília.


Uma semana após a posse de seu sucessor de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, partidários de Bolsonaro foram acusados de invadir os prédios do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do palácio presidencial. A espectativa é que a justiça chegue aos culpados e autores dos atentados e sejam julgados.

O procurador-geral, Augusto Aras, disse no início deste mês que Bolsonaro “supostamente incentivou a perpetração de crimes” contra o estado de direito . O ex-presidente havia deixado o país após a derrota e estava hospedado em Orlando, na Flórida , durante os ataques, e negou qualquer envolvimento com eles.

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De acordo com a defesa de Bolsonaro, a postagem feita por ele com mentiras sobre o sistema eleitoral foi “acidental”.

O post levantou suspeitas do envolvimento do ex-presidente com os atos golpistas que resultaram na invasão e na destruição das sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Advogado de defesa de Bolsonaro, Fábio Wajngarten disse que o ex-presidente respondeu a todas as perguntas feitas no depoimento de hoje, e que teria, inclusive, repudiado os ataques do dia 8 de janeiro. “As eleições de 2022 são página virada para ele, que condena os atos em Brasília”.

A publicação de fake news em uma rede social pelo ex-presidente foi acidental, segundo os advogados, após Bolsonaro tentar salvar o vídeo contendo informações falsas com críticas ao sistema eleitoral brasileiro e com questionamentos sobre o resultado das eleições.

Na avaliação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a referida postagem pode indicar ligação entre Bolsonaro e os atos golpistas, motivo pelo qual foi determinado à PF que o interrogasse.

Foto: reprodução

Bolsonaro nunca admitiu abertamente a derrota na corrida presidencial mais disputada desde o retorno do Brasil à democracia, há mais de três décadas. Ele também repetidamente fez alegações que semearam dúvidas sobre a confiabilidade do sistema de votação eletrônica do Brasil. Muitos de seus partidários acreditam que a eleição foi fraudulenta, embora não haja evidências.

Seu depoimento durou cerca de duas horas e é um passo à frente em apenas uma das investigações que visam esclarecer os fatos, mas se comprovada a sua participação, o líder de direita pode se tornar inelegível para as próximas eleições ou resultar em prisão.

Bolsonaro admitiu no dia 15 de março que sua inelegibilidade é possível, mas disse que a prisão só poderia resultar de uma decisão “arbitrária”. O ex-presidente negou qualquer irregularidade nos casos.

Joias

Perguntados sobre o caso das joias e dos presentes dados ao ex-presidente pelo governo da Arábia Saudita – e guardados na casa do ex-piloto de Fórmula 1 Nelson Piquet – os advogados negaram qualquer irregularidade. Com relação aos kits de joias, a defesa disse que, nem Bolsonaro, nem a esposa, Michele, sabiam de sua existência.

“Eles só souberam disso 14 meses depois [da entrada dos kits no país]”, afirmou o advogado Fábio Wajngarten no momento em que Bolsonaro já deixava o prédio da PF.

“O acervo se encontra temporariamente armazenado na fazenda do Nelson Piquet porque o presidente não tinha [na época] nem casa. Depois, ele [o kit com joias] seria remetido a outro lugar, para armazenamento adequado”, acrescentou.

Ainda segundo o advogado de defesa, o pedido – para que as joias apreendidas pela Receita fossem entregues a representantes do governo – foi feito “uma única vez ao ajudante de ordens, a fim de evitar um vexame internacional, de um presente dado ao presidente do Brasil ir a leilão”, disse Wajngarten.

Ele acrescentou não ver motivos para a ex-primeira dama Michele Bolsonaro ser intimada pelos investigadores.

Segundo o outro advogado de defesa de Bolsonaro, Daniel Tesser, os kits com as joias foram recebidos pela comitiva brasileira em outubro de 2022. O conjunto apreendido foi o feminino, contendo um colar, um par de brincos, um anel, um relógio de pulso e um pedestal no formato de um cavalo. “Até então não se sabia o que havia ali”, disse Tesser.

O kit feminino estava na mochila do então chefe do escritório de representação do Ministério de Minas e Energia (MME) no Rio de Janeiro, o militar Marcos André Soeiro. Já o masculino (e outros presentes) estava na mala de mão do ex-ministro do MME Bento Albuquerque, e foi liberado.