
Ativistas portugueses pela habitação aguardam a chegada da polícia de choque durante um protesto pelo direito à habitação em Lisboa, Portugal, 1 de novembro de 2026 – Foto: Rodrigo Antunes/REUTERS
A crise habitacional em Portugal ganhou novos contornos neste domingo (1º de novembro), após confrontos entre manifestantes e forças de segurança durante a retirada de acampamentos montados em protesto contra o aumento do custo da moradia. A operação policial ocorreu simultaneamente em Lisboa e no Porto e terminou com 13 pessoas detidas.
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Na capital portuguesa, dezenas de policiais, alguns acompanhados por cães, participaram da desmontagem das barracas instaladas na Praça do Rossio. No Porto, a intervenção aconteceu na Praça Dom João I. As operações começaram por volta das 4h30 da manhã.
Durante a ação, manifestantes protestaram contra a presença das forças de segurança e gritaram frases como “Isso está cheirando a ditadura” e “Somos pacíficos”.
De acordo com as autoridades, seis pessoas foram detidas em Lisboa e outras sete no Porto por desobedecerem às ordens policiais para deixar os locais.
Policiais e manifestantes relatam feridos
A polícia portuguesa informou que agentes foram atingidos por garrafas, tinta e artefatos pirotécnicos durante os confrontos. Ao todo, 13 policiais ficaram feridos, sendo que oito precisaram de atendimento hospitalar. No Porto, três policiais à paisana também teriam sido agredidos.
Os manifestantes, por sua vez, contestam os números apresentados pelas autoridades. O movimento Acampada Lisboa afirmou que mais de 30 pessoas ficaram feridas, dez delas encaminhadas para atendimento médico em hospitais.

Tropas de choque detêm um manifestante durante um protesto contra a crise habitacional na Praça do Rossio, no centro de Lisboa, na noite entre 31 de outubro e 1º de novembro de 2026 – Foto: Filipe Amorim/AFP
Mobilização questiona mudanças nas regras de aluguel
Os acampamentos foram organizados após manifestações inicialmente pacíficas contra a escalada dos preços dos imóveis e dos aluguéis no país.
Os participantes criticam propostas do governo de centro-direita que buscam flexibilizar as regras de despejo e eliminar limites aplicados aos valores dos novos contratos de arrendamento.
Na avaliação dos manifestantes, as mudanças podem ampliar a pressão sobre os inquilinos, dificultar o acesso à moradia e deixar famílias em situação de maior vulnerabilidade diante dos aumentos nos custos habitacionais.
Movimento acompanha mobilizações na Espanha
A mobilização portuguesa também segue uma tendência observada na Espanha, onde grupos de manifestantes mantêm acampamentos em Madri e em outras cidades para chamar a atenção para as dificuldades de acesso à moradia.
A crise habitacional tornou-se uma das principais preocupações sociais em diferentes países europeus, especialmente diante da valorização dos imóveis, do aumento dos aluguéis e das dificuldades enfrentadas por jovens e famílias de baixa e média renda para encontrar habitação a preços acessíveis.
Os protestos em Lisboa e no Porto evidenciam o agravamento da tensão em torno das políticas habitacionais portuguesas e ampliam a pressão sobre o governo para apresentar respostas à população.
Presidente pede explicações e novos protestos são convocados
A repercussão da operação policial ganhou dimensão política ainda neste domingo. O presidente de Portugal, António José Seguro, pediu esclarecimentos às autoridades sobre a atuação das forças de segurança durante a retirada dos acampamentos em Lisboa e no Porto.
Segundo informações divulgadas pela imprensa portuguesa, uma nova concentração contra a violência policial foi convocada para as 17h deste domingo, no Rossio, em Lisboa.
Outra informação relevante é que a operação ocorreu uma semana depois de intervenções semelhantes nas duas cidades, que também terminaram em detenções e denúncias de uso excessivo da força.
Milhares foram às ruas contra projeto sobre aluguéis
Antes da retirada dos acampamentos, milhares de pessoas participaram de manifestações no sábado (31), em Lisboa e no Porto. Na capital, os participantes percorreram o trajeto entre o Largo de Camões e a Praça do Rossio. No Porto, a mobilização ocorreu entre a região da Batalha e a Praça Dom João I.
De acordo com informações da Reuters, os manifestantes pedem que o governo retire o projeto de alterações nas regras de arrendamento. A proposta já passou pela primeira votação parlamentar, com abstenção do partido Chega.
O primeiro-ministro Luís Montenegro descartou retirar integralmente a proposta, mas admitiu a possibilidade de alterações antes da votação final, prevista para as próximas semanas.
A dimensão da crise também aparece nos indicadores imobiliários. Segundo dados citados pela Reuters, os preços das casas em Portugal mais que dobraram desde 2017, enquanto os valores dos novos contratos de aluguel quase duplicaram no mesmo período.
A situação coloca a habitação no centro do debate social e político português, com movimentos populares cobrando medidas para ampliar o acesso à moradia e conter a escalada dos preços.
Atualização: 1º de novembro de 2026, com informações da AFP, Reuters, Lusa, Euronews e imprensa portuguesa.
