
As urnas responderam negativamente aos famosos – Foto: Reprodução
A fama acumulada na televisão, na música, no esporte e nas redes sociais não foi suficiente para garantir uma cadeira no Legislativo paulista nas eleições de 2026. Diversas celebridades decidiram disputar vagas de deputado federal ou estadual em São Paulo, mas terminaram a eleição sem mandato.
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Entre os nomes conhecidos que ficaram pelo caminho estão José Luiz Datena, Silvia Abravanel, Rachel Sheherazade, Jean Wyllys, Netinho de Paula, Geraldo Luís, Luís Fabiano, Manoel Gomes, o Caneta Azul, MC Gui e os personagens ligados ao programa do Ratinho, Xaropinho e Marquito.
O melhor desempenho entre os famosos listados foi o de Datena (PSB), que recebeu 51.071 votos. Mesmo assim, a votação não foi suficiente para garantir uma vaga na Câmara dos Deputados. Nas eleições proporcionais, a distribuição das cadeiras leva em consideração também o desempenho do partido ou federação, e não somente a votação individual do candidato.
Silvia Abravanel e Rachel Sheherazade têm votações semelhantes
A apresentadora Silvia Abravanel (PSD), filha do empresário e apresentador Silvio Santos, terminou a disputa com cerca de 22,4 mil votos.
A jornalista e apresentadora Rachel Sheherazade (PSD) teve desempenho praticamente idêntico, também na faixa de 22,4 mil votos. As duas disputaram uma vaga para a Câmara dos Deputados.
Outro nome conhecido da televisão, Geraldo Luís (Avante), recebeu 10.176 votos.
A lista também inclui Eduardo Xaropinho, do PDT, personagem associado ao programa do Ratinho, que alcançou 15.382 votos, e Marquito (PSD), que teve 1.595 votos.
Caneta Azul volta a tentar a política
Um dos resultados que mais chamou atenção foi o do cantor Manoel Gomes, conhecido nacionalmente pelo sucesso viral Caneta Azul.
Candidato a deputado federal pelo Avante, o artista recebeu 7.239 votos e não conseguiu se eleger. Foi sua segunda tentativa de conquistar um cargo eletivo. Em 2022, ele havia disputado uma vaga de deputado estadual pelo Maranhão e terminou como suplente, com 7.543 votos.
Após o resultado, Manoel agradeceu nas redes sociais às pessoas que apoiaram sua candidatura e afirmou que sua trajetória política continua.
O desempenho de Caneta Azul ficou próximo ao de MC Gui (PSD), que recebeu 7.378 votos, mas também não conseguiu uma cadeira.
Futebol também não garantiu votos
A lista de celebridades que tentaram ingressar na política paulista inclui ainda nomes conhecidos do futebol.
O ex-atacante Luís Fabiano (MDB) recebeu 9.613 votos, enquanto o ex-goleiro Sérgio (Solidariedade) terminou com 9.565 votos.
O jogador Finazzi (MDB) teve votação ainda menor: 1.069 votos.
Os números mostram a dificuldade de transformar reconhecimento obtido nos campos em capital eleitoral. Embora jogadores e ex-jogadores tenham grande exposição pública, a eleição proporcional exige organização partidária, estrutura de campanha e capacidade de mobilização de eleitores.
Jean Wyllys também não volta à Câmara
Outro nome de grande projeção nacional que tentou retornar à política institucional foi Jean Wyllys (PT).
Ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro, Wyllys disputou uma vaga por São Paulo e recebeu 18.073 votos, número insuficiente para garantir a eleição.
Sua candidatura ocorreu em um cenário político bastante diferente daquele em que ganhou notoriedade nacional como deputado e integrante da oposição ao governo Jair Bolsonaro.
Baianinho de Mauá e outros nomes
Também ficaram fora da lista de eleitos:
- Adrilles Jorge (União Brasil) — 26.694 votos;
- Netinho de Paula (MDB) — 19.336 votos;
- Eduardo Xaropinho (PDT) — 15.382 votos;
- Geraldo Luís (Avante) — 10.176 votos;
- Luís Fabiano (MDB) — 9.613 votos;
- Sérgio, ex-goleiro (Solidariedade) — 9.565 votos;
- Baianinho de Mauá (União Brasil) — 7.452 votos;
- MC Gui (PSD) — 7.378 votos;
- Caneta Azul/Manoel Gomes (Avante) — 7.239 votos;
- Marquito (PSD) — 1.595 votos;
- Finazzi (MDB) — 1.069 votos.
Os números publicados após o encerramento da apuração colocam essas candidaturas entre as principais apostas de celebridades que não conseguiram transformar notoriedade pública em mandato.
Enquanto famosos fracassaram, fenômeno das redes domina votação
O contraste mais expressivo da eleição paulista está justamente entre algumas das celebridades que não conseguiram se eleger e candidatos que construíram suas carreiras principalmente nas redes sociais.
Na disputa para a Assembleia Legislativa de São Paulo, Eduarda Campopiano (PL) foi eleita com 1.956.238 votos, tornando-se a deputada estadual mais votada do estado em 2026. O resultado representa a segunda maior votação da história da Alesp, atrás apenas dos 2.060.786 votos obtidos por Janaína Paschoal em 2018.
Na Câmara dos Deputados, Lucas Pavanato (PL) também alcançou uma votação histórica, superando a marca de 3 milhões de votos, em um exemplo de como a influência digital e a identificação ideológica podem produzir resultados eleitorais muito superiores aos obtidos por celebridades tradicionais.
O contraste deixa uma mensagem clara das urnas de 2026: ser conhecido não basta para ganhar uma eleição proporcional. A fama pode colocar um candidato no radar do eleitor, mas a conversão dessa popularidade em votos depende de posicionamento político, estrutura partidária, mobilização e capacidade de transformar seguidores em eleitores.
No caso paulista, a eleição mostrou ainda que candidatos com forte presença digital e discurso político claramente identificado conseguiram mobilizar um eleitorado muito maior do que diversas personalidades já conhecidas nacionalmente pela televisão, música ou esporte.
