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Amazonas

R$ 1 a cada R$ 4 enviados por Omar foi para o reduto do prefeito afastado Adail Pinheiro, que chegou a declarar: “Sou prefeito com sua ajuda”

Enquanto o clã Pinheiro é alvo de operação da PF por desvios e organização criminosa, município abocanhou um de cada quatro reais das emendas do senador, superando até a capital.


Foto: Reprodução

O município de Coari, sob o comando do clã de Adail Pinheiro, transformou-se no principal destino do dinheiro público blindado por emendas individuais do senador Omar Aziz (PSD) entre 2023 e 2026. Ao todo, a cidade abocanhou a impressionante cifra de R$ 33,95 milhões — o equivalente a 24,5% de todo o orçamento de emendas que o parlamentar distribuiu para 46 municípios do Amazonas.
O fluxo bilionário de recursos chama atenção no momento em que a prefeitura se tornou o epicentro de um escândalo de corrupção investigado pela Polícia Federal.
A disparidade na divisão do bolo de emendas é explícita. Coari conseguiu superar inclusive a capital, Manaus, recebendo R$ 12 milhões a mais do que a segunda colocada no ranking, que ficou com R$ 21,93 milhões. Outros municípios importantes receberam fatias muito menores: Manacapuru (R$ 13,25 milhões), Parintins (R$ 8,59 milhões) e Tefé (R$ 7,94 milhões). Quando somadas as emendas coletivas de bancada (R$ 11,67 milhões), o cofre de Coari foi turbinado com R$ 45,62 milhões.

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A engrenagem da aliança política

O privilégio financeiro de Coari reflete uma ligação umbilical entre Omar Aziz e Adail Pinheiro. Em março de 2025, o próprio Adail escancarou a dependência política ao disparar em público: “Eu sou prefeito de Coari com sua ajuda”, selando o apoio à futura candidatura de Omar ao governo do estado. Em abril de 2026, a parceria foi reforçada com palanques e agendas lotadas na cidade, ao lado do deputado federal Adail Filho e do senador Eduardo Braga.
O idílio político, contudo, colidiu com a Operação Dinastia do Lago da Polícia Federal. Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, Adail Pinheiro foi afastado cautelarmente do cargo por 90 dias. A PF cumpre dezenas de mandados de busca e apreensão para desarticular o que aponta como uma organização criminosa incrustada na prefeitura de Coari, suspeita de fraudes em licitações, desvio de verbas públicas, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

Censura na Justiça para apagar o passado

Diante do desgaste devastador da operação policial sobre seu principal aliado, Omar Aziz correu ao Judiciário. O senador moveu uma ação na Justiça Eleitoral (processo nº 0601776-58.2026.6.04.0000) para exigir a derrubada de mais de 30 reportagens e postagens que conectam o seu nome ao de Adail Pinheiro. A ofensiva jurídica tenta frear o estrago na imagem pública de Omar após o escândalo estourar.

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Até o momento, a Polícia Federal não confirmou se o senador é investigado ou se as emendas milionárias enviadas por ele fazem parte das fraudes. A defesa de Adail Pinheiro nega as acusações, alega inocência e afirma que o afastamento temporário não significa condenação culposa.