
O ex-vereador de São Paulo Milton Leite (União Brasil) foi preso em operação que investiga infiltração do PCC no transporte de SP – Foto: Afonso Braga/Câmara Municipal de São Paulo
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite se entregou à Polícia Civil nesta sexta-feira (18), em Mogi das Cruzes, após ser alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta. A investigação apura uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo e possíveis conexões com agentes públicos.
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Durante as buscas por Leite, policiais encontraram em um imóvel ligado a um ex-assessor, em Sorocaba, R$ 280 mil em espécie e US$ 89 mil. Somados, os valores chegam a aproximadamente R$ 740 mil, segundo informações divulgadas pela imprensa. A origem do dinheiro ainda é objeto de apuração.
A operação foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil e resultou em mandados de prisão temporária contra 16 pessoas. As investigações apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, fraudes em licitações e utilização de empresas de ônibus em um esquema relacionado ao crime organizado.
Investigação aponta ligação com a Transwolff
Milton Leite é apontado pelos investigadores como possível “dono de fato” da Transwolff, empresa que já havia sido investigada por suspeitas de ligação com o PCC. A acusação, porém, é negada pelo ex-vereador, que afirma não ser proprietário nem ter participação na administração da companhia. A própria Transwolff também nega que Leite tenha participação societária ou função de gestão.
Segundo informações reunidas na investigação, mensagens atribuídas a integrantes do PCC mencionariam Milton Leite como alguém que poderia ser acionado para solucionar questões relacionadas a empresas do transporte público. Os investigadores também analisam depoimentos de policiais que apontariam uma suposta ligação do ex-vereador com a Transwolff.
A apuração é considerada um desdobramento de investigações iniciadas em 2024 sobre a presença do crime organizado no sistema de transporte da capital paulista. Segundo reportagens sobre a operação, o Ministério Público investiga possíveis vínculos do PCC com 12 empresas do setor.
Leite nega acusações
Antes de se apresentar, Milton Leite havia afirmado que não estava foragido e que compareceria às autoridades para provar sua inocência. Após a prisão, sua defesa também contestou as acusações e afirmou que ele está tranquilo diante das investigações.
A prisão é temporária e ocorre durante a fase de investigação. Portanto, as suspeitas apresentadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público ainda dependem da apuração judicial e não representam, por si só, uma condenação.
O caso amplia a investigação sobre a possível relação entre crime organizado, empresas de transporte coletivo e estruturas de poder na maior cidade do país. A apuração deverá esclarecer a origem do dinheiro apreendido, o papel atribuído a Milton Leite e a eventual participação de outros agentes públicos e empresários no esquema investigado.
