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Operação conjunta entre EUA e Venezuela mata líder do Tren de Aragua e marca nova fase na cooperação entre Washington e Caracas

Morte de Niño Guerrero encerra anos de busca pelo chefe da organização criminosa mais temida da América Latina; ação reforça ofensiva internacional contra redes transnacionais de tráfico, extorsão e mineração ilegal.


Morte de chefe do Tren de Aragua ‘envia mensagem clara dos EUA à América Latina’

 

CARACAS — Uma operação militar realizada em conjunto pelos Estados Unidos e pela Venezuela resultou na morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, apontado como fundador e principal líder da organização criminosa Tren de Aragua. O anúncio foi feito simultaneamente por Washington e Caracas, em um dos episódios mais significativos da cooperação entre os dois países nos últimos anos.

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Segundo informações divulgadas pelas autoridades americanas e venezuelanas, a ação ocorreu no estado de Bolívar, região estratégica no sudeste da Venezuela, conhecida pela intensa atividade de mineração de ouro e pela presença de grupos armados ligados ao crime organizado.

 

“Eliminamos com sucesso o líder de uma das organizações terroristas mais violentas do planeta”, declarou Trump em publicação nas redes sociais – Foto: Reprodução

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a operação foi conduzida pelo Comando Sul das Forças Armadas americanas em coordenação com forças de segurança venezuelanas.

Pouco depois, o governo venezuelano confirmou a morte de Guerrero Flores e informou que a ofensiva envolveu operações de inteligência, vigilância aérea e ações terrestres contra integrantes de estruturas criminosas instaladas na região.

Quem era Niño Guerrero

Considerado um dos criminosos mais procurados das Américas, Niño Guerrero transformou o Tren de Aragua de uma gangue prisional regional em uma organização criminosa transnacional com atuação em diversos países da América Latina.

Investigações conduzidas por autoridades de segurança da região apontam que o grupo expandiu suas atividades para países como Colômbia, Peru, Chile, Equador, Brasil, Bolívia e Estados Unidos, aproveitando os fluxos migratórios venezuelanos para ampliar suas operações.

O Tren de Aragua é acusado de envolvimento em:

  • Tráfico internacional de drogas;
  • Tráfico de pessoas;
  • Exploração sexual;
  • Extorsão;
  • Sequestros;
  • Assassinatos sob encomenda;
  • Contrabando;
  • Mineração ilegal de ouro.

Nos últimos anos, relatórios de organismos internacionais de segurança passaram a comparar a estrutura do grupo a organizações criminosas de alcance continental, devido à sua capacidade de operar simultaneamente em vários países.

De prisão de luxo a império do crime

A ascensão de Guerrero tornou-se símbolo da crise do sistema penitenciário venezuelano.

Mesmo encarcerado na penitenciária de Tocorón, no estado de Aragua, o criminoso manteve durante anos o controle das atividades da facção.

Relatórios produzidos por centros de pesquisa especializados em segurança pública revelaram que o presídio funcionava praticamente como uma cidade administrada pelo grupo criminoso.

Entre as estruturas encontradas pelas autoridades após a retomada da prisão estavam:

  • Piscina;
  • Zoológico;
  • Restaurante;
  • Casas de apostas;
  • Boate;
  • Parque infantil;
  • Sistema próprio de vigilância.

Especialistas apontam que a autonomia concedida aos chamados “pranes” — líderes de facções que controlavam estabelecimentos penais venezuelanos — permitiu o fortalecimento sem precedentes do Tren de Aragua.

Mudança geopolítica e cooperação inédita

A operação também evidencia uma mudança importante na relação entre Washington e Caracas.

Historicamente marcadas por tensões diplomáticas, as relações entre os dois países passaram por profundas transformações após os acontecimentos políticos ocorridos no início de 2026.

Analistas internacionais avaliam que a cooperação na área de segurança representa um dos primeiros resultados concretos da aproximação entre os governos e pode abrir caminho para novas ações conjuntas contra redes de narcotráfico, mineração ilegal e organizações armadas que operam na região amazônica e na faixa fronteiriça entre países sul-americanos.

Organização é considerada ameaça regional

Nos últimos dois anos, governos da América Latina ampliaram operações contra células do Tren de Aragua.

Autoridades de segurança do Chile, Peru, Colômbia e Brasil registraram prisões de integrantes ligados à organização, especialmente em esquemas de tráfico humano, exploração de migrantes e extorsão.

Os Estados Unidos classificaram oficialmente o grupo como organização terrorista em 2025, aumentando sanções financeiras e ampliando mecanismos de cooperação internacional para rastrear integrantes da facção.

Na época, Washington chegou a oferecer recompensa milionária por informações que levassem à captura de Niño Guerrero.

O futuro do Tren de Aragua

Especialistas alertam, porém, que a morte do líder não significa necessariamente o fim da organização.

Experiências anteriores envolvendo grandes cartéis latino-americanos demonstram que a eliminação de chefes históricos pode provocar disputas internas pelo comando ou acelerar processos de fragmentação das estruturas criminosas.

A expectativa das autoridades é que a operação enfraqueça significativamente a capacidade operacional do grupo, mas investigações continuam para identificar possíveis sucessores e mapear redes financeiras utilizadas para movimentar recursos obtidos por atividades ilícitas em diversos países.

A ofensiva representa um dos golpes mais duros já sofridos pelo Tren de Aragua desde sua criação, encerrando a trajetória de um dos criminosos mais procurados do continente e inaugurando uma nova etapa na luta regional contra organizações transnacionais ligadas ao crime organizado.