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Café deve ficar até 15% mais caro nos supermercados nos próximos meses

Inflação acumulada de 60% pressiona preços e consumo cai mais de 5%; indústria aposta em recuperação com safra positiva em 2026.


Cafés nas prateleiras de um supermercado de São Paulo – David Lucena/Folhapress

O preço do café nos supermercados brasileiros deve subir até 15% nos próximos meses, segundo projeções da indústria. Parte desse reajuste já foi aplicada pelas fabricantes neste mês de setembro, enquanto o restante está em negociação e deve ser implementado até outubro.

A expectativa do setor, no entanto, é de que os preços entrem em um período de estabilidade até o fim do ano, impulsionados pela previsão de uma safra positiva em 2026. “Todo o mercado trabalha com a possibilidade de uma safra recorde”, afirma Pavel Cardoso, presidente da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café). Segundo ele, o fenômeno climático La Niña pode favorecer a produção com temperaturas mais amenas e chuvas regulares.

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Apesar das expectativas futuras, o impacto da inflação já é sentido no bolso do consumidor. Dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mostram que o café torrado e moído acumula alta de 60,85% nos últimos 12 meses. Nas categorias mais populares — tradicional e extraforte —, o aumento foi de 48,57% entre agosto de 2024 e agosto de 2025.

Como reflexo direto dos preços elevados, o consumo de café no Brasil caiu 5,46% no segundo quadrimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2024 — uma queda que chama atenção por ocorrer justamente no inverno, época em que a ingestão da bebida costuma aumentar.

Estoques em baixa e clima adverso

A escalada nos preços tem origem em uma combinação de fatores climáticos e queda nos estoques. A geada severa de 2021 comprometeu significativamente a produção brasileira, e os anos seguintes foram marcados por novos eventos climáticos extremos, como falta ou excesso de chuvas. Vietnã, Colômbia e Indonésia — outros grandes produtores — também enfrentaram dificuldades semelhantes.

A oferta global foi afetada, enquanto a demanda internacional segue em crescimento, com destaque para mercados como China, Índia, Filipinas e Vietnã. Desde outubro de 2023, essa disparidade entre produção e consumo fez os preços dispararem no mercado internacional.

Mesmo com a previsão de uma boa colheita em 2026, especialistas alertam que os preços não devem retornar aos níveis observados antes de 2023. Será necessário mais de uma safra positiva para recompor os estoques globais e equilibrar o mercado.

Ainda assim, dados preliminares de setembro indicam uma possível retomada no consumo brasileiro, o que pode sinalizar uma leve recuperação para o próximo quadrimestre.