
O presidente Lula, acompanhado da primeira dama, Janja, desfila em carro aberto durante a celebração do 7 de Setembro, na esplanada dos ministérios, em Brasília – Foto: Pedro Ladeira/Folhapress
O desfile de 7 de setembro em Brasília, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi marcado por uma clara defesa da soberania nacional, mas também pelo esvaziamento do público no início do evento, especialmente na ausência de figuras chave e de grande parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que não compareceram ao desfile.
Com o governo alinhando seu discurso em torno da temática “Brasil Soberano”, a cerimônia foi aproveitada para enviar recados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A solenidade na Esplanada dos Ministérios, que contou com a presença de Lula e sua esposa Janja, e de algumas autoridades, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, foi um reflexo do cenário político acirrado, com apelos à unidade nacional, mas também com fortes tensões.
Continua depois da Publicidade
Ausência do STF e Protestos Contra a Anistia
Enquanto o presidente e seus aliados tentavam reforçar o patriotismo e a defesa da pátria, uma das maiores ausências do evento foi a de seis dos onze ministros do STF, que não marcaram presença no palco das autoridades, o que gerou especulações sobre a relação entre o Executivo e o Judiciário. A falta de apoio explícito das principais figuras do STF contrastou com a edição de 2024, quando figuras como o ministro Alexandre de Moraes estavam presentes.
Além disso, nas arquibancadas, parte do público protestava contra a possível anistia a participantes dos ataques de 8 de janeiro de 2023, ecoando o grito de “sem anistia”. A expectativa sobre o julgamento de Bolsonaro, que pode ser condenado pela trama golpista, também pairou sobre o evento. Em várias capitais, incluindo Brasília, apoiadores do ex-presidente realizaram manifestações paralelas, levantando novamente o debate sobre o perdão judicial aos envolvidos nos ataques ao Congresso.
Estratégia de Nacionalismo e Envolvimento de Bolsonaro
O discurso do governo, centrado na bandeira do nacionalismo e da soberania, teve como principal objetivo retomar um tema frequentemente associado ao bolsonarismo, mas agora sob o comando de Lula, que se utilizou da data para reafirmar a independência do Brasil frente a ameaças externas e internas.
Durante seu pronunciamento, Lula não poupou críticas a Bolsonaro, chamando-o de “traidor da pátria” e afirmando que “a história não os perdoará”. Embora o governo tenha tentado manter uma postura de união, a divisão entre os poderes e o esvaziamento do público em Brasília indicam que o clima político segue polarizado, com o Congresso, o STF e os apoiadores de Bolsonaro em rota de colisão com o Planalto.
A cerimônia também foi marcada por uma série de ausências, como a do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e pela presença de ministros vinculados a partidos como União Brasil e Progressistas, que, em alguns casos, orientaram seus filiados a se afastarem do governo em apoio a Bolsonaro. Isso indicou mais uma vez o descompasso dentro da base aliada e a dificuldade do governo em manter a unidade política.
O Impacto da Anistia e o Papel do Congresso
O projeto de anistia que tramita no Congresso, que pode beneficiar Bolsonaro e outros envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, continua a ser um ponto de tensão entre as forças políticas. Embora o governo tenha evitado um confronto direto, com algumas figuras, como o ministro da Defesa, José Múcio, adotando um tom mais conciliatório, a polarização sobre o tema ainda promete marcar o futuro político do país.
Enquanto o desfile de 7 de setembro terminou com um público estimado de 45 mil pessoas, a ausência de ministros do STF, as manifestações paralelas e os discursos inflamados sobre soberania e patriotismo mostram que o evento se desenhou mais como um reflexo das divisões políticas do Brasil do que como uma celebração de unidade nacional.
Durante as celebrações do Dia da Independência em Brasília, Lula quebrou o protocolo oficial ao se aproximar da população que acompanhava o tradicional desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios.
Antes desse momento, Lula havia participado do evento que teve início por volta das 9h da manhã. Durante o desfile, ele fez uma aparição em um Rolls-Royce conversível, de onde acenou para o público presente na Esplanada.
O evento encerrou marcado pela presença de diversos grupos, que levaram bandeiras e manifestaram apoio, ao final, somando cerca de 45 mil pessoas entre manifestantes e público em geral. A celebração deste ano teve um significado particular após o pronunciamento nacional feito por Lula, no qual ele destacou temas como a defesa da soberania do Brasil.
