Uma cerimônia fúnebre foi realizada na mesquita Ibn de Nanterre, onde o jovem morava e perdeu a vida após receber um tiro no peito, durante uma blitz na última terça (27). Depois, o corpo foi encaminhado para o cemitério de Mont Valérien e foi enterrado no fim da tarde. Grupos de jovens afastaram jornalistas que tentavam se aproximar do local.

Multidão marcha em homenagem a Nahel de 17 anos (Paris-frança) Foto: reprodução
“Descanse em sua alma, e que justiça seja feita” disse a mãe de Nahel.
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A França se prepara para viver uma quinta noite consecutiva de protestos violentos contra a morte do adolescente, que provocou uma onda de revoltas nos bairros populares e subúrbios das principais cidades do país. De sexta (30) para sábado, mais de 1,3 mil pessoas foram detidas por participar de saques, vandalismos e ataques à polícia.
Em todo o país, 45 mil policiais estavam nas ruas para conter os distúrbios, mas mesmo assim, 1.350 veículos foram incendiados e 234 prédios foram queimados ou danificados.
Nas cidades de Marselha e Lyon, que enfrentaram violentos distúrbios na última noite, a segurança vai ser reforçada a pedido dos prefeitos.
Macron adia viagem oficial à Alemanha
O presidente francês, Emmanuel Macron, decidiu adiar a visita de Estado que faria à Alemanha a partir da noite de domingo até terça-feira. O anúncio foi feito pela presidência alemã, em um comunicado.
“O presidente francês Macron falou por telefone hoje com o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier e o atualizou sobre a situação em seu país. O presidente Macron solicitou o adiamento de sua planejada visita de Estado à Alemanha”, disse o texto. “O presidente alemão lamenta o cancelamento e compreende perfeitamente a situação”, especifica o comunicado.
Segundo o palácio do Eliseu, ainda não há uma nova data marcada para a viagem. Em Paris, uma fonte do governo insiste que os líderes franceses e alemães têm muitas oportunidades de se encontrarem, e que uma visita de Estado representa, sobretudo, um momento de celebração da amizade franco-alemã.
No final de março passado, o governo francês já havia cancelado a visita de Estado do rei britânico Charles III à França, em meio à crise social devido à reforma da Previdência.
Balanço dos estragos
Nesta tarde, o ministro francês da Economia, Bruno Le Maire, fez um balanço dos estragos causados pelos protestos. Pelo menos uma dezena de centros comerciais, 200 hipermercados, 250 tabacarias e 250 agências bancárias, além de inúmeros fast-foods e lojas de roupas, esportes e tecnologia foram saqueados, danificados ou mesmo totalmente queimados desde terça-feira, quando se iniciaram os distúrbios.

Le Maire chamou os eventos de”imperdoáveis, indescritíveis e intoleráveis” e reafirmou a determinação do governo de restaurar a ordem no país. “Não há nação sem ordem”, disse ele, antes de anunciar um pacote de medidas de apoio aos comerciantes atingidos por vandalismo.
Já o ministro da Justiça, Éric Dupond-Moretti, disse que os serviços de inteligência franceses trabalham para identificar e eliminar as contas nas redes sociais que têm incitado as violências, principalmente no Snapchat. O ministro garantiu que os responsáveis serão encaminhados à Justiça.
Dupont-Moretti ainda reforçou a cobrança feita aos pais dos jovens moradores das periferias, feita por ele próprio na véspera e também pelo presidente Emmanuel Macron. “Eles que cuidem dos seus filhos. Não cabe ao Estado criar os filhos”, criticou.
Mais de 1.300 detidos na França antes do enterro do jovem baleado por policial
A polícia efetuou mais de 1.300 detenções na quarta noite de distúrbios na França pela morte de Nahel, um adolescente de 17 anos baleado pela polícia, cujo funeral foi realizado neste sábado (1º).

Foto: reprodução
O ministro francês do Interior, Gérald Darmanin, informou que a violência foi “de uma intensidade muito menor” do que nas noites anteriores, mas houve 1.311 pessoas presas em todo o país.
O número de detidos registrado neste sábado é o maior desde que os tumultos começaram na terça-feira, após a morte de Nahel. Ele foi baleado à queima-roupa por um policial durante um controle de trânsito em uma periferia de Paris.
