Justiça

Rio de Janeiro

Quem era a ‘Diaba Loira’, traficante catarinense morta por trair facção no Rio

Eweline Passos Rodrigues, de 28 anos, teria entrado no mundo do crime após sobreviver a uma tentativa de feminicídio em 2022; mudança de facção selou seu destino.


Eweline Rodrigues, de 28 anos, morreu após confronto entre duas facções criminosas, no Rio de Janeiro – Foto: Reprodução/Facebook/Eweline Rodrigues

A traficante catarinense Eweline Passos Rodrigues, conhecida como “Diaba Loira”, foi encontrada morta na noite da última quinta-feira (14), no bairro de Cascadura, na zona norte do Rio de Janeiro. De acordo com a Polícia Militar, o corpo apresentava marcas de disparos de arma de fogo e foi localizado após um confronto entre facções rivais.

Segundo informações da corporação, a área foi imediatamente isolada para o trabalho da perícia da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Eweline, de 28 anos, era considerada foragida desde julho e estava na mira do Comando Vermelho (CV), facção à qual já havia pertencido antes de migrar para o grupo rival, o Terceiro Comando Puro (TCP).

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Natural de Tubarão, em Santa Catarina, Eweline teria se envolvido com o tráfico após uma tentativa de feminicídio em 2022. Na época, procurou proteção junto ao CV, mas posteriormente mudou de lado e passou a integrar o TCP — movimento visto como traição por seus antigos aliados.

Eweline Passos Rodrigues, de 28 anos, conhecida como “Diaba Loira”, exibia medalhas, era casada e tinha dois filhos (Foto: Reprodução)

Antes de entrar na facção Comando Vermelho, Eweline era casada e mãe de dois filhos, e compartilhava nas redes sociais um estilo de vida completamente diferente. Sem tatuagens pelo corpo, postava fotos da família, da gravidez e até de medalhas conquistadas.

O alerta sobre a sentença de morte contra Eweline teria sido dado após um violento confronto entre CV e TCP no dia 10 de julho, na comunidade do Bateau Mouche, na zona oeste do Rio. Moradores relataram intensos tiroteios durante a madrugada.

Nas redes sociais, a “Diaba Loira” fazia postagens que escancaravam sua ligação com o crime: aparecia ostentando armas, fazendo o símbolo da facção e enviando recados a rivais. Em um de seus últimos vídeos, afirmou não ter medo de morrer.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga o caso.

Eweline Passos no portal dos procurados – Foto: Reprodução/Instagram

A morte de Eweline Passos Rodrigues repercutiu tanto pelo histórico de envolvimento com o tráfico de drogas quanto pela forte presença nas redes sociais.

A execução da “Diaba Loira” chamou atenção não apenas pelas circunstâncias violentas, mas também pelo contraste entre sua vida familiar no passado e a exposição midiática que adotou ao se envolver com facções criminosas. O caso reforça a forma como o tráfico vem utilizando as redes sociais como vitrine de poder, status e intimidação.

A trajetória de Eweline Passos no crime

  • 2022 – Sobrevive a uma tentativa de feminicídio e busca proteção com membros do Comando Vermelho.

  • 2023 – Passa a integrar a facção Terceiro Comando Puro, rompendo com o CV.

  • Julho de 2025 – É declarada foragida e jurada de morte após confronto entre facções.

  • 14 de agosto de 2025 – É encontrada morta a tiros em Cascadura, zona norte do Rio.