Uma boa notícia para a educação em São Paulo: o Estado aparece entre os líderes do país no número de cidades que alfabetizaram 100% de seus alunos até os 7 anos de idade, de acordo com o novo Índice da Criança Alfabetizada, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC).
Diretora do Instituto Península, Heloísa Morel diz que docente tem peso de 60% no desempenho dos estudantes.
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Apesar do destaque, os dados revelam uma surpresa: nenhuma das dez cidades paulistas no topo do ranking tem mais de 5 mil habitantes ou está próxima da capital. A maioria está localizada na região noroeste do Estado e tem na agropecuária sua principal atividade econômica.
As cidades são: Balbinos, Brejo Alegre, Marapoama, Marinópolis, Murutinga do Sul, Santa Clara d’Oeste, Santo Expedito, São João do Pau d’Alho, Uru e Vitória Brasil.

Crianças em escola da cidade de Brejo Alegre, no interior de São Paulo, que ficou na lista das que têm 100% das crianças alfabetizadas em 2024 – Foto: Ana Lucia Pereira da Silva
Com apenas uma ou duas escolas, essas prefeituras avaliaram de 10 a 30 alunos no 2º ano do ensino fundamental. O segredo do sucesso? Comprometimento contínuo com a alfabetização, políticas públicas de longo prazo, apoio aos professores e foco em práticas pedagógicas eficazes.
A secretária de Educação de Brejo Alegre, Denize de Paula, no cargo desde 2005, afirma que o resultado é fruto de um trabalho consistente: “Construímos bases, estruturas de apoio, para formar repertório e inserir as crianças no mundo escrito”.
O Estado de São Paulo também deu início, em 2024, a um programa de colaboração com os municípios, inspirado no modelo cearense. Ele inclui a distribuição de materiais didáticos, formação docente e repasses do ICMS atrelados ao desempenho educacional.

Mapa: Editoria de Infografia Multimídia Fonte: Índice da Criança Alfabetizada/Inep/MEC
No cenário nacional, o Nordeste aparece com maior número de cidades acima de 90% de alfabetização, superando a meta nacional de 80% até 2030. Apenas duas cidades entre as mais bem colocadas têm mais de 100 mil habitantes: Sobral e Crato, ambas no Ceará.
Já entre as capitais, os extremos ficaram com Fortaleza, com 74,8% de alfabetizados, e Salvador, com apenas 36,8%. A cidade de São Paulo, apesar de melhorias, ocupa a 17ª posição, com 48,3%.
O levantamento mostra que vulnerabilidade econômica não precisa significar fracasso escolar. Mas especialistas alertam: garantir a alfabetização até os 7 anos é apenas o começo. O grande desafio é manter a aprendizagem ao longo de toda a trajetória escolar, especialmente no ensino fundamental 2 e médio, quando os textos se tornam mais complexos.
Enquanto municípios do noroeste paulista lideram com 100% de alunos alfabetizados; Amazonas registra queda e capitais do Norte ficam abaixo da média
O Estado de São Paulo se destaca na alfabetização infantil: dez municípios com menos de 5 mil habitantes atingiram 100% de alunos alfabetizados até os 7 anos, segundo o Índice da Criança Alfabetizada do MEC. Todos estão no noroeste paulista, na região agropecuária, longe dos grandes centros. Já o panorama nacional apresenta contrastes fortes. Embora o Brasil tenha alcançado 59,2% de crianças alfabetizadas em 2024 (frente a 56% em 2023), ainda não atingiu a meta de 60%.
Regiões Emergentes
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Nordeste destaca-se: mais cidades com >90%, muitas inspiradas no modelo cearense.
Capitais e Norte
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Manaus: caiu de 52,2% para 50,13% de alfabetização em 2024; meta local de 56,8% não foi alcançada.
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Amazonas (estado): média de 49,17%, ainda aquém da meta de 56,8%, queda significativa desde 2023.
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Outras capitais Norte: Belém, Boa Vista e Porto Velho ficaram abaixo da média nacional, segundo IDEB municipal mais recente.
Para comparação, entre as capitais:
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Fortaleza lidera com 74,8%
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Vitória tem 73,2%
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São Paulo cresce, mas figura apenas em 17º lugar com 48,3%.
Estratégias que fazem diferença
Cidades pequenas paulistas apostaram em políticas de alfabetização robustas: continuidade entre gestões, formação de docentes desde a educação infantil, práticas de leitura, acompanhamento constante e avaliação sistemática.
Em Brejo Alegre, Denize de Paula, secretária local, destaca: “Construímos bases, estruturas de apoio, para formar repertório e inserir as crianças no mundo escrito”.
O Governo de SP também lançou um programa estadual em 2024, inspirando-se em modelos do Ceará, com distribuição de material didático, formação contínua de professores e ajuste do ICMS conforme desempenho.
Perspectivas e desafios
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A boa performance das cidades paulistas e nordestinas desafia a noção de que vulnerabilidade econômica impede aprendizagem.
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Porém, garantir alfabetização aos 7 anos é apenas a primeira etapa. Há necessidade urgente de manter o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita no Ensino Fundamental 2 e Médio, quando a complexidade dos textos aumenta.
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O caso do Amazonas e das capitais do Norte mostra fragilidade estrutural e a urgência de investimento em suporte técnico, infraestrutura escolar e valorização docente.
Resultados
As pequenas cidades do interior paulista mostram que resultados excepcionais são possíveis com planejamento, continuidade e foco na alfabetização. O desafio, agora, é estender esse modelo a regiões como o Norte, incluindo o Amazonas, e garantir que essas crianças avancem de fato na educação.
