O governo federal estuda uma nova estratégia para recuperar milhões de celulares roubados ou furtados em circulação no país. A proposta, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê o envio de mensagens diretamente aos aparelhos identificados como produto de crime, orientando os usuários a devolverem os dispositivos em agências dos Correios.
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Segundo Lula, o Ministério da Justiça possui um banco de dados com cerca de 2,5 milhões de celulares roubados. A ideia seria utilizar essas informações para disparar notificações aos aparelhos cadastrados, alertando que a não devolução poderá resultar em consequências legais.
“Temos o cadastro, o endereço e a identificação desses aparelhos. A intenção é enviar uma mensagem para que sejam devolvidos”, afirmou o presidente durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), realizada em Brasília.
A proposta surge como uma possível ampliação das ações do programa Celular Seguro, ferramenta já utilizada para bloquear aparelhos, linhas telefônicas e contas vinculadas em casos de roubo, furto ou perda.
Desafios para a implementação
Apesar do anúncio, a medida ainda depende de estudos técnicos e enfrenta questionamentos sobre sua efetividade. Um dos principais desafios será identificar se o atual usuário do aparelho tem conhecimento da origem ilícita do celular, especialmente nos casos de compra de boa-fé em mercados informais ou de segunda mão.
Outro ponto que poderá gerar debate é a capacidade operacional dos Correios para receber, armazenar e encaminhar milhões de dispositivos eventualmente devolvidos. Especialistas também apontam a necessidade de regras claras sobre prazos, comprovação de propriedade e procedimentos para restituição dos aparelhos às vítimas.
Além disso, o sucesso da iniciativa dependerá da adesão voluntária dos usuários. Há dúvidas sobre quantas pessoas estariam dispostas a entregar espontaneamente um aparelho após receber uma notificação oficial.
Governo aposta em combate ao mercado ilegal
Para o governo, a medida pode representar um novo instrumento no combate ao mercado clandestino de celulares roubados, considerado um dos principais fatores que alimentam esse tipo de crime no país.
A proposta ainda não tem data para entrar em vigor e deverá passar por avaliações técnicas e jurídicas antes de uma eventual implementação nacional.
O que dizem especialistas
Embora a proposta de notificar usuários de celulares roubados e estimular a devolução dos aparelhos possa representar mais uma ferramenta de combate ao mercado ilegal, críticos apontam que a iniciativa ataca os efeitos, e não as causas do problema. Na avaliação deles, o governo continua sem apresentar medidas estruturais capazes de reduzir os roubos e furtos de celulares nas ruas, fortalecer o policiamento preventivo e desarticular as organizações criminosas responsáveis pela receptação e revenda dos aparelhos.
Sem ações mais amplas na segurança pública, há o risco de que a nova estratégia tenha impacto limitado, enquanto o número de vítimas segue crescendo em diversas regiões do país.
