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Uma estrela de Davi de neon que iluminava a comunidade de Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi derrubada por policiais militares em 11 de março. O símbolo, que marcava o território do Complexo de Israel — conjunto de cinco comunidades controladas pelo Terceiro Comando Puro (TCP) —, tinha mais valor simbólico do que prático.
O TCP, facção criminosa que se apresenta como evangélica, está em expansão pelo Brasil. Em 2025, chegou a estados como Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Amapá, Acre, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, sendo classificado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) como a terceira força do crime organizado, atrás apenas do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC).
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No Ceará, a presença do TCP se consolidou por meio de alianças com grupos locais, como os Guardiões do Estado (GDE), incorporando lideranças do Rio de Janeiro e expandindo sua influência na Região Metropolitana de Fortaleza. Desde setembro, 37 membros da facção foram presos no Estado, enquanto investigações seguem sobre práticas de intolerância religiosa e crimes de extorsão.
Pesquisadores destacam que o TCP combina práticas tradicionais do crime organizado com elementos religiosos, fenômeno descrito como “narcopentecostalismo”. Símbolos e ritos evangélicos são usados para legitimar a expansão territorial e confrontos com facções rivais, como o CV, transformando o combate criminal em uma espécie de guerra espiritual.
“A violência praticada pelo grupo é legitimada com discursos de combate às forças do mal, criando uma unidade ideológica interna”, afirma Kristina Hinz, pesquisadora da Uerj. Para especialistas, a retórica religiosa funciona como motivador e ferramenta de coesão dentro do TCP, embora seja rejeitada pelas comunidades evangélicas tradicionais.
O avanço do TCP coincide com episódios de violência intensa no Ceará. Em agosto, escolas chegaram a ser fechadas temporariamente e moradores de Morada Nova abandonaram suas casas em meio a confrontos entre facções rivais. Segundo o sociólogo Luiz Fábio Silva Paiva, do Laboratório de Estudos da Violência da UFC, a expansão reflete fatores como localização estratégica, crescimento do consumo de drogas e presença de mão de obra criminal disponível.
A presença de traficantes evangélicos não é exclusiva do TCP, mas o grupo se destaca por incorporar de forma sistemática símbolos religiosos em sua identidade criminal, aproveitando o crescimento do protestantismo no Brasil. Dados do censo carcerário no Ceará indicam que 43,2% dos presos se declaravam evangélicos, reforçando a influência da fé na dinâmica do crime organizado local.
