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Estados encerram 2025 com despesas acima da arrecadação e pior resultado fiscal desde 2014

Renegociações de dívidas e receitas financeiras ajudaram a manter gastos, mas alerta sobre sustentabilidade fiscal continua. Desaceleração da economia fará PIB ter menor alta desde 2020.


Os estados brasileiros registraram em 2025 o quarto ano consecutivo de piora nas finanças, com despesas crescendo acima da arrecadação e o superávit final chegando a apenas 0,04% do PIB — o menor resultado desde 2014.

O enfraquecimento da atividade econômica impactou principalmente a arrecadação do ICMS, enquanto governos que renegociaram dívidas e tiveram receita extra de aplicações financeiras puderam ampliar investimentos e despesas em ano pré-eleitoral. Segundo dados do Banco Central, as despesas cresceram 5,7% acima da inflação, enquanto a receita aumentou apenas 3,4% em termos reais.

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O Comitê de Secretários de Fazenda (Comsefaz) destacou que o crescimento limitado da arrecadação evidencia a vulnerabilidade dos estados, especialmente diante de investimentos necessários em infraestrutura e pressão sobre gastos correntes, como folha de pagamento. Apesar de o programa de renegociação de dívidas (Propag) ter reduzido os juros reais a zero, especialistas alertam que essa vantagem de curto prazo pode comprometer a sustentabilidade fiscal no médio e longo prazo.

Economistas reforçam que os estados mais endividados — São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul — concentram cerca de 90% da dívida com a União, que ultrapassa R$ 800 bilhões. O desafio apontado é equilibrar gastos, investimentos e manutenção de serviços públicos, mesmo em cenário de receitas mais contidas nos próximos anos.

Economia em 2026

A economia brasileira começa 2026 em ritmo mais fraco, com desaceleração da atividade e inflação ainda resistente. A combinação deve levar o PIB a crescer cerca de 2,3%, o menor avanço desde 2020, enquanto a inflação em 12 meses subiu para 4,44% em janeiro, acima do centro da meta.

O cenário é de contradição: juros elevados já esfriam consumo, crédito e produção, mas os preços não cedem na mesma velocidade. O IPCA ficou em 0,33% em janeiro e as projeções indicam aceleração em fevereiro, o que aumenta a cautela do Copom sobre o início do ciclo de cortes da Selic em março.

Economistas apontam que a desaceleração se intensificou no segundo semestre de 2025, refletindo o aperto monetário mais forte em duas décadas. Comércio, indústria e serviços perderam fôlego, com crescimento menor e limitações estruturais, como baixa produtividade. Ao mesmo tempo, a inflação de serviços segue pressionada, mantendo as expectativas elevadas.

O mercado se divide sobre a intensidade do primeiro corte de juros: parte vê espaço para redução de 0,50 ponto percentual, enquanto outra aposta em movimento mais contido, de 0,25 ponto. O desafio do Banco Central do Brasil será calibrar a política monetária diante de uma economia que desacelera, mas ainda convive com inflação acima do desejado.