Política

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Operação Dinastia do Lago coloca Coari sob pressão e expõe relação política entre Adail Pinheiro e Omar Aziz

Prefeito foi afastado do cargo, PF apreendeu dinheiro e veículos e investigação apura suspeitas de fraude em licitações, corrupção, desvio de recursos e lavagem de dinheiro; aliança pública com senador Omar Aziz amplia a cobrança por explicações.


Foto: Reprodução (IA)

A Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (16), colocou novamente a administração de Coari no centro de uma investigação sobre possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos. O prefeito Adail Pinheiro foi afastado do cargo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto buscas foram realizadas em Manaus e Coari contra pessoas ligadas ao grupo político e empresarial investigado.

Segundo as informações divulgadas sobre a operação, a investigação apura suspeitas de fraude em procedimentos licitatórios, desvio de recursos públicos, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. Foram expedidos mandados de busca e apreensão e determinadas medidas cautelares, entre elas o afastamento de agentes públicos. A existência da investigação, porém, não representa condenação dos envolvidos, que têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

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Dinheiro, carros e bens de luxo entram no foco da investigação

Um dos pontos que chamam atenção na operação é o volume e a natureza dos bens apreendidos.

A investigação teve como ponto de partida a apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie, em maio de 2025, com três empresários do Amazonas durante um voo entre Manaus e Brasília. A partir da análise de documentos, equipamentos eletrônicos e movimentações financeiras, os investigadores passaram a apurar uma possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros.

Na fase deflagrada nesta semana, reportagens sobre a operação apontam a apreensão de aproximadamente R$ 990,5 mil em dinheiro, além de 21 veículos. Na residência do deputado federal Adail Filho, em Manaus, também foram registrados 18 relógios, joias e valores em reais e dólares. A quantia exata em dinheiro encontrada no imóvel ainda não havia sido oficialmente detalhada nas informações disponíveis.

Os bens apreendidos deverão passar por análise e, por si só, não comprovam a prática de crime. A investigação terá de esclarecer a origem dos valores, a titularidade dos bens e eventual relação deles com os fatos investigados.

O que a PF procura esclarecer

A apuração busca identificar se empresas e agentes públicos teriam participado de um esquema envolvendo contratos da Prefeitura de Coari. Entre as hipóteses investigadas estão o direcionamento de licitações, a simulação de concorrência e movimentações financeiras que poderiam estar relacionadas ao pagamento de vantagens indevidas ou à ocultação da origem e do destino de recursos.

É justamente nessa etapa que surgem algumas das principais perguntas que ainda precisam de respostas:

  • Qual é a origem dos quase R$ 1 milhão apreendidos nesta fase da operação?

  • Qual a procedência dos valores em espécie encontrados nos imóveis?

  • Qual a origem e a finalidade dos veículos, relógios e joias recolhidos?

  • Quais contratos públicos estão sob investigação e qual o volume de recursos envolvido?

  • Houve efetivamente direcionamento de licitações ou pagamento de vantagens indevidas?

  • Quem seriam os eventuais beneficiários das movimentações financeiras investigadas?

Essas respostas dependem do avanço do inquérito e da análise do material apreendido.

A relação pública entre Adail Pinheiro e Omar Aziz

A operação também ganha dimensão política porque Adail Pinheiro mantém uma relação pública de aliança com o senador Omar Aziz, candidato ao Governo do Amazonas.

Em março de 2025, Adail declarou apoio a Omar e afirmou publicamente que o senador havia sido importante para seu retorno à Prefeitura de Coari nas eleições municipais de 2024. Desde então, os dois apareceram juntos em agendas políticas e institucionais no município.

O grupo político também inclui Adail Filho, deputado federal e filho do prefeito, cuja residência em Manaus foi alvo de busca durante a operação. A relação entre os grupos, portanto, não é apenas uma associação feita a partir da operação: ela já havia sido explicitada publicamente pelos próprios envolvidos em agendas e declarações políticas.

É importante fazer uma distinção: não há, nas informações disponíveis sobre a Operação Dinastia do Lago, indicação de que Omar Aziz seja investigado ou tenha sido alvo das medidas judiciais da operação. A referência ao senador decorre da relação política pública mantida com Adail Pinheiro e seu grupo.

Coari volta ao centro das atenções no interior

Para Coari, município estratégico do interior do Amazonas, o afastamento do prefeito e a investigação sobre contratos da administração municipal abrem uma crise institucional que ultrapassa o âmbito policial.

A população tem interesse direto em saber se os contratos investigados afetaram serviços públicos, obras, fornecedores e a aplicação do dinheiro do município. Também cabe às autoridades esclarecer quais medidas serão adotadas para garantir a continuidade dos serviços durante o afastamento do prefeito.

A repercussão política também exige respostas dos envolvidos. Adail Pinheiro e Adail Filho precisam esclarecer publicamente a origem e a finalidade dos bens e valores apreendidos, dentro dos limites da investigação e do direito de defesa. Da mesma forma, diante da relação política assumida publicamente, Omar Aziz pode ser questionado sobre a natureza de sua aliança com o grupo de Coari e sobre sua avaliação a respeito das investigações.

Até o momento, entretanto, não há dado de pesquisa eleitoral ou outro indicador verificável que permita afirmar que a operação tenha produzido determinado efeito sobre as intenções de voto ou sobre o resultado da eleição. Qualquer conclusão nesse sentido seria prematura.

Investigação ainda está em andamento

A Operação Dinastia do Lago representa uma etapa da investigação. Documentos, equipamentos eletrônicos, valores e bens apreendidos ainda precisam ser periciados, e as suspeitas levantadas pela Polícia Federal deverão ser submetidas ao devido processo legal.

O afastamento cautelar de um agente público e a apreensão de patrimônio são medidas determinadas no curso de uma investigação e não equivalem, por si só, a uma condenação.

O ponto central, agora, é a transparência: esclarecer a origem dos valores, a relação entre os bens apreendidos e os contratos públicos investigados, identificar eventuais responsáveis e informar à população de Coari quais recursos públicos estão sob suspeita e quais medidas serão tomadas para proteger o interesse do município.

O espaço permanece aberto para manifestações de Adail Pinheiro, Adail Filho, Omar Aziz, da Prefeitura de Coari e das respectivas defesas.