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Governo Federal dá aval à garantia de empréstimo de R$ 1,46 bilhão do Amazonas

Autorização do Ministério da Fazenda permite avanço de etapas administrativas, mas contrato com o Banco do Brasil e liberação dos recursos continuam condicionados ao cumprimento de exigências e ao desfecho das discussões judiciais.


O Governo Federal autorizou a concessão da garantia da União para a operação de crédito de R$ 1,462 bilhão que o Governo do Amazonas pretende contratar junto ao Banco do Brasil. O despacho do Ministério da Fazenda foi assinado pelo ministro Dario Carnevalli Durigan e publicado em edição extra do Diário Oficial da União nesta terça-feira (8).

A autorização representa um avanço importante no processo, mas não significa que o Amazonas já recebeu autorização definitiva para contratar o financiamento ou que os R$ 1,462 bilhão estejam disponíveis nos cofres estaduais.

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A operação continua envolvida em uma disputa judicial iniciada após uma ação popular questionar aspectos fiscais, financeiros e administrativos do financiamento. A Justiça Federal do Amazonas havia determinado a suspensão da contratação e apontado a necessidade de novas avaliações antes que o Estado assumisse uma dívida dessa dimensão.

Para onde irão os R$ 1,462 bilhão

De acordo com a documentação mais recente da operação, os recursos estão distribuídos em três frentes:

  • R$ 1,03 bilhão para o Fundo de Infraestrutura e Desenvolvimento do Estado do Amazonas (FIDEAM);
  • R$ 400 milhões para a capitalização do Fundo Garantidor de Parcerias Público-Privadas (PPP);
  • R$ 32 milhões para o Fundo Estadual de Habitação (FEH).

A alteração na destinação dos recursos está entre os pontos analisados pela Justiça. Documentos apresentados no processo indicam que uma versão anterior da operação previa R$ 310 milhões para amortização da dívida pública estadual. Posteriormente, essa finalidade foi retirada e o mesmo valor foi incorporado à parcela destinada ao FIDEAM, que passou de R$ 720 milhões para R$ 1,03 bilhão.

O juiz responsável pelo caso determinou esclarecimentos sobre a mudança, incluindo a indicação das ações orçamentárias, fontes, contas e dotações que receberão os recursos.

O empréstimo é legal?

Não existe uma decisão judicial definitiva declarando que o empréstimo é ilegal. A própria Justiça Federal esclareceu que a decisão que suspendeu a operação tem caráter provisório e não representa julgamento antecipado do mérito da ação.

Por outro lado, também não é correto afirmar que todas as questões jurídicas estão definitivamente resolvidas apenas porque o Ministério da Fazenda autorizou a garantia da União.

A contratação de operações de crédito por Estados é submetida a uma série de requisitos previstos na legislação fiscal. A Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000) estabelece que o Ministério da Fazenda deve verificar o cumprimento dos limites e das condições para a realização de operações de crédito. A lei também exige demonstração da relação custo-benefício e do interesse econômico e social da operação, além de autorização legislativa.

No caso de uma garantia da União, existem ainda regras específicas relacionadas à capacidade de pagamento do Estado, à suficiência das contragarantias e ao custo da operação. O próprio Tesouro Nacional informa que a análise da capacidade de pagamento é requisito essencial para a concessão de garantia federal a Estados e municípios.

A legislação também prevê que a garantia da União deve estar acompanhada de contragarantia em valor igual ou superior ao da garantia concedida, observadas as demais condições legais.

Por que a Justiça suspendeu a operação?

A decisão da 3ª Vara Federal Cível do Amazonas, divulgada pelo próprio Tribunal Regional Federal da 1ª Região, não apontou uma ilegalidade definitiva no empréstimo. O magistrado identificou, porém, questões que deveriam ser esclarecidas antes da contratação.

Um dos principais pontos foi a ocorrência de mudanças na situação fiscal do Estado durante o processo de análise. Por isso, a decisão determinou que Banco do Brasil, Ministério da Fazenda e Secretaria do Tesouro Nacional reavaliassem a capacidade de pagamento, a sustentabilidade da dívida, as garantias e os riscos da operação.

A Justiça também questionou a alteração na destinação dos R$ 310 milhões e pediu esclarecimentos sobre eventuais operações relacionadas ao refinanciamento ou liquidação de dívidas.

Outro aspecto analisado foi a escolha do Banco do Brasil.

Segundo os documentos considerados no processo, meses antes o Estado havia realizado um procedimento competitivo para uma operação de crédito de valor, prazo e garantia semelhantes, no qual a Caixa Econômica Federal havia apresentado a proposta vencedora. A decisão judicial apontou que a operação posteriormente estruturada com o Banco do Brasil apresentava condições financeiras diferentes e que a Administração deveria demonstrar a vantagem econômica da nova escolha.

Isso não significa, por si só, que a contratação direta do Banco do Brasil seja ilegal. O ponto levantado pela Justiça é a necessidade de demonstrar, no caso concreto, que a escolha atende ao interesse público e apresenta justificativa econômica e administrativa suficiente.

Quanto o Estado poderá pagar pelo financiamento?

Informações apresentadas no processo judicial indicam que a operação tem prazo projetado de aproximadamente dez anos e poderá representar custo total superior a R$ 2,6 bilhões, considerando principal e encargos financeiros.

Uma análise citada nas decisões judiciais apontou aproximadamente R$ 1,138 bilhão em custos financeiros ao longo do período, além do principal contratado. O valor exato, entretanto, depende das condições financeiras efetivamente estabelecidas no contrato.

Esse aspecto também entrou na discussão judicial porque a operação representa uma obrigação de longo prazo para o Estado e, portanto, precisa ser compatível com sua capacidade de pagamento.

O que mudou com a decisão do TRF-1?

Durante o feriado de 7 de Setembro, uma decisão proferida no plantão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região permitiu o prosseguimento de procedimentos administrativos relacionados ao financiamento.

A decisão abriu caminho para que o Ministério da Fazenda avançasse na análise e autorizasse a garantia da União. No entanto, segundo as informações divulgadas sobre a decisão, isso não equivale à autorização definitiva para o desembolso dos recursos.

Assim, a autorização federal deve ser entendida como mais uma etapa do processo, e não como a conclusão da operação.

Garantia da União não significa dinheiro liberado

A diferença é importante.

Quando a União concede garantia, ela assume o compromisso de honrar a dívida caso o ente garantido não cumpra suas obrigações, dentro das condições previstas. Em contrapartida, o Estado oferece mecanismos de contragarantia.

A Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece, inclusive, que a garantia da União depende de contragarantia e prevê consequências para o ente cuja dívida venha a ser honrada pelo garantidor.

Por isso, a autorização publicada pelo Ministério da Fazenda não deve ser interpretada como se o Governo do Amazonas já tivesse recebido os R$ 1,462 bilhão.

O que ainda precisa acontecer?

Para que o dinheiro seja efetivamente contratado e desembolsado, ainda precisam ser observadas as etapas administrativas e jurídicas previstas para a operação.

Entre elas estão a verificação das exigências aplicáveis pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a formalização do contrato de contragarantia, além das demais condições previstas no processo.

A legislação federal estabelece diversas normas para a concessão de garantias a Estados, incluindo regras sobre capacidade de pagamento, contragarantias e custo da operação. O Tesouro Nacional mantém regulamentação específica para essas análises.

O caso ainda pode voltar a ser analisado pela Justiça

A decisão da Justiça Federal que suspendeu inicialmente o financiamento deixou claro que a operação poderá ser formalizada posteriormente, desde que sejam concluídas as avaliações necessárias e atendidas as exigências legais, fiscais e administrativas.

Portanto, o cenário atual é de avanço administrativo, mas de controvérsia judicial ainda não encerrada.

O Governo do Amazonas conseguiu superar uma etapa importante ao obter a autorização federal para a garantia, mas a contratação definitiva e o desembolso dos recursos permanecem vinculados ao cumprimento das exigências legais e aos próximos desdobramentos do processo judicial.

Em resumo

  • O financiamento pretendido é de R$ 1,462 bilhão.
  • O credor previsto é o Banco do Brasil.
  • A União autorizou a concessão da garantia federal.
  • A autorização não significa que o dinheiro já foi liberado.
  • A Justiça Federal havia suspendido a operação e levantado questionamentos sobre aspectos fiscais, financeiros e administrativos.
  • Não há, até o momento, declaração judicial definitiva de que o empréstimo seja ilegal.
  • A operação precisa atender às regras da Lei de Responsabilidade Fiscal e às normas do Ministério da Fazenda e do Tesouro Nacional.
  • A mudança na destinação de R$ 310 milhões e a escolha do Banco do Brasil estão entre os pontos que foram questionados judicialmente.
  • O processo ainda pode ter novos desdobramentos antes da liberação efetiva dos recursos.

Fontes principais consultadas: Tribunal Regional Federal da 1ª Região; Tribunal Regional Federal da 1ª Região; decisão sobre o empréstimo · Lei de Responsabilidade Fiscal; Planalto · Tesouro Nacional;  legislação sobre garantias da União · Tesouro Nacional; Garantias da União.