
As duas pinturas levadas pelos ladrões no Museu Renoir pertenciam ao Museu D’Orsay, em Paris – Foto: Reprodução/Museu D’Orsay
Dois criminosos invadiram na madrugada desta terça-feira (8) o Museu Renoir, em Cagnes-sur-Mer, na Riviera Francesa, e roubaram quatro pinturas. Durante a fuga, porém, eles abandonaram duas das obras no jardim do museu após serem identificados pelas câmeras de segurança e perseguidos pela polícia.
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As outras duas pinturas continuam desaparecidas. O prejuízo provocado pelo roubo é estimado em cerca de 9 milhões de euros, aproximadamente R$ 53 milhões na cotação atual.
O alarme do museu foi acionado às 5h48 no horário local. Cinco minutos depois, policiais já estavam no local, mas os criminosos conseguiram escapar. Segundo o prefeito de Cagnes-sur-Mer, Bryan Masson, os suspeitos estavam preparados para a ação e utilizaram uma serra elétrica para cortar as estruturas que prendiam as obras às paredes.

Criminosos entraram pelos jardins
Segundo as primeiras informações da investigação, os suspeitos abriram uma passagem na cerca que protege o terreno do museu e entraram pelos jardins da propriedade.
As imagens de videovigilância mostram pelo menos dois homens dentro do local. Eles chegaram até o espaço onde estavam as pinturas e retiraram quatro obras antes de deixar o prédio. A polícia iniciou as buscas imediatamente após o acionamento do alarme.
Na fuga, dois dos quadros foram abandonados no jardim. A localização das obras foi confirmada posteriormente pelas autoridades, reduzindo pela metade o número de pinturas que permanecem desaparecidas.
Os suspeitos, no entanto, conseguiram escapar e ainda não foram identificados ou presos.
Duas pinturas continuam desaparecidas
Entre as obras que permanecem fora do museu estão “Retrato de Madame Colonna Romano”, de 1910, e “Jovem Mulher no Poço”, de 1886. As duas pertencem ao Museu d’Orsay, em Paris, e estavam emprestadas ao Museu Renoir, em Cagnes-sur-Mer.
As outras duas obras retiradas durante o ataque foram recuperadas no jardim.
O inventário e a avaliação das condições das pinturas recuperadas estão sendo realizados pelas autoridades e responsáveis pelo museu.
Museu fica na antiga casa de Renoir
O Museu Renoir foi inaugurado em 1960 na antiga residência do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir, que viveu seus últimos anos no local. A propriedade fica em uma área elevada de Cagnes-sur-Mer, próxima a Nice.
O espaço reúne obras do artista, esculturas, fotografias, móveis e objetos pessoais. A coleção permanente inclui cerca de 13 pinturas de Renoir e aproximadamente 40 esculturas, peças de mobiliário e fotografias.
O museu foi fechado após o assalto e deverá permanecer sem receber visitantes até que as autoridades concluam os trabalhos no local e sejam avaliadas novas medidas de segurança.
Roubo ocorre em meio a uma sequência de ataques a museus
O novo assalto aumenta a preocupação das autoridades francesas com a segurança de instituições culturais. O crime ocorre menos de um ano depois do grande roubo ocorrido no Museu do Louvre, em Paris, quando joias históricas da coleção da Coroa Francesa foram levadas.
A sequência de crimes também chamou a atenção da Europol. Um relatório recente da agência apontou uma mudança no perfil dos roubos de patrimônio cultural na Europa, com criminosos recorrendo cada vez mais a métodos rápidos e violentos para retirar peças de alto valor.
Especialistas também alertam que obras de arte, metais e objetos preciosos podem ser direcionados ao mercado clandestino devido ao alto valor econômico e à possibilidade de revenda ilegal.
Polícia tenta identificar os autores
A investigação está em andamento e utiliza as imagens das câmeras de segurança para tentar identificar os dois homens envolvidos.
As autoridades também trabalham para determinar exatamente como os criminosos conseguiram acessar o prédio e se houve algum tipo de falha no sistema de segurança.
Apesar da rápida chegada da polícia, os suspeitos conseguiram deixar o local antes de serem capturados. As duas pinturas recuperadas deverão passar por avaliação para verificar se sofreram algum dano durante a fuga.
Até o momento, duas obras continuam desaparecidas e nenhum suspeito foi preso.
O caso reacende o debate sobre a proteção do patrimônio artístico francês e sobre a necessidade de reforçar a segurança de museus que abrigam obras de valor histórico e financeiro elevado.
