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Ministros do STF são flagrados aos risos após sessão em meio à repercussão do caso Moraes-Vorcaro

Registro de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin ocorreu na primeira sessão da Corte após a divulgação de documentos da PF; caso envolve supostos pedidos de ajuda feitos pelo ex-banqueiro.


Após a sessão plenária do STF, Alexandre de Moraes e outros ministros aparecem rindo e descontraídos nos bastidores da Corte – Foto: Reprodução

 

Os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram fotografados conversando e sorrindo após a sessão da Corte nesta quarta-feira (2), em Brasília. O registro ocorreu em meio à repercussão de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e que colocaram o nome de Moraes no centro de uma nova crise institucional.

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A fotografia, feita pelo fotógrafo Brenno Carvalho, de O Globo, ganhou repercussão justamente porque foi registrada na primeira sessão do Supremo após a divulgação de documentos relacionados à investigação sobre o Banco Master.

Apesar da cena descontraída, os ministros não fizeram comentários públicos sobre o conteúdo das mensagens durante a sessão. O registro também não permite saber qual era o assunto da conversa ou se os magistrados discutiam as denúncias que envolvem Moraes e Vorcaro.

O episódio ocorre em um momento de forte pressão dentro da Corte. Reportagens publicadas nos últimos dias apontam que o ambiente entre os ministros ficou tensionado depois que o ministro André Mendonça determinou a retirada do sigilo de documentos relacionados à investigação.

O que revelou a investigação

O material divulgado tem origem na análise, pela Polícia Federal, do celular de Daniel Vorcaro. O relatório reúne mensagens, registros de contatos e outros elementos que, segundo as reportagens, ajudam a reconstruir uma série de interações entre o ex-banqueiro e autoridades.

O relatório da PF tem 218 páginas e registra encontros e contatos atribuídos a Vorcaro e Moraes ao longo de 2024 e 2025.

Entre as mensagens divulgadas está uma conversa na qual Vorcaro teria perguntado a Moraes se seria possível “reverter” determinada situação com “Paulo e Andrei”. A referência foi interpretada nas investigações como uma possível menção ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Outra mensagem atribuída ao banqueiro teria tratado da necessidade de obter “proteção” envolvendo os dois nomes. O conteúdo passou a ser analisado no contexto da investigação, mas a simples menção a autoridades não comprova, por si só, que elas tenham praticado qualquer irregularidade.

 

Foto: Vinícius Schmidt/METRÓPOLES 

 

Vorcaro teria recorrido a Moraes em meio às dificuldades do Banco Master

Segundo informações divulgadas a partir do material apreendido, Vorcaro teria procurado Moraes enquanto enfrentava problemas relacionados ao Banco Master e às investigações que posteriormente culminaram em sua prisão.

Uma das mensagens reveladas mostra o ex-banqueiro perguntando ao ministro se deveria deixar o país, em conversa ocorrida dias antes de sua prisão pela Polícia Federal.

O conteúdo também aponta para uma sequência de contatos entre os dois e para pedidos relacionados ao andamento de questões que preocupavam Vorcaro.

As informações, contudo, fazem parte de material investigativo. Eventuais interpretações sobre intenção, influência ou irregularidade dependem da análise do conjunto dos documentos e das manifestações das autoridades envolvidas.

André Mendonça retirou sigilo dos documentos

A divulgação das mensagens ocorreu depois que o ministro André Mendonça determinou, em 1º de setembro, a retirada do sigilo de uma ação relacionada à investigação do Banco Master.

Mendonça também determinou providências para esclarecer mensagens nas quais Vorcaro faz referência a “Andrei” e “Paulo”. O ministro acionou a Procuradoria-Geral da República para que se manifeste sobre o conteúdo.

O magistrado avalia ainda levar os diálogos atribuídos a Vorcaro e Moraes ao plenário do Supremo.

A medida colocou a própria Corte no centro da discussão sobre os desdobramentos da investigação.

Fachin fala em providências

Diante da repercussão, o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que o tribunal deverá adotar as medidas consideradas necessárias após a análise dos fatos.

Fachin não citou nominalmente Moraes durante sua manifestação, mas afirmou que ministros do Supremo devem observar limites institucionais e que as providências cabíveis serão anunciadas no momento adequado.

A declaração foi interpretada como uma resposta à crise que se instalou na Corte após a divulgação dos documentos.

Segundo a Agência Brasil, Fachin deve anunciar nos próximos dias as medidas que considerar adequadas diante das informações reveladas no caso.

Associação pede afastamento de Moraes

A repercussão também provocou manifestações de entidades da área jurídica.

A Associação Brasileira de Advogados Criminalistas (Abracrim) pediu o afastamento cautelar de Alexandre de Moraes enquanto os fatos são apurados. Para a entidade, a medida seria necessária para preservar a credibilidade e a imparcialidade institucional do Supremo durante a apuração.

Até o momento, porém, Moraes continua exercendo normalmente o cargo de ministro do STF.

Primeira sessão ocorreu sem debate público sobre o caso

Na sessão desta quarta-feira (2), os ministros analisaram processos que já estavam na pauta e não discutiram publicamente as mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro.

Moraes participou dos trabalhos e chegou a apresentar voto em um processo tributário. Segundo informações divulgadas após a sessão, ele não fez referência pública às novas revelações nem ao ministro André Mendonça.

A sessão transcorreu, portanto, sem uma manifestação formal do plenário sobre o caso.

Nos bastidores, entretanto, a crise ganhou força. Reportagens apontam que os ministros enfrentam um impasse sobre como tratar institucionalmente as informações reunidas pela Polícia Federal.

Fotografia ganha repercussão nas redes

Foi nesse cenário que a imagem de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Fachin conversando e sorrindo após a sessão passou a circular nas redes sociais.

A fotografia, entretanto, não permite concluir o tema da conversa nem a posição dos ministros em relação às denúncias. O registro deve ser entendido apenas como uma imagem feita após os trabalhos do Supremo, sem que seja possível estabelecer, a partir dela, qualquer ligação direta com o conteúdo da investigação.

O caso segue em apuração e poderá ter novos desdobramentos a partir das manifestações da PGR, das providências determinadas por André Mendonça e das medidas que Edson Fachin afirmou que serão anunciadas pelo Supremo.

Entenda o caso

A crise atual teve como ponto central a divulgação de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro durante investigação da Polícia Federal. Os documentos mencionam Alexandre de Moraes e outras autoridades, além de registrar pedidos e contatos atribuídos ao ex-banqueiro.

Entre os principais pontos sob análise estão a natureza da relação entre Vorcaro e Moraes, o conteúdo e o objetivo das conversas, eventuais contatos com outras autoridades e se houve alguma interferência indevida em investigações ou procedimentos relacionados ao Banco Master.

Até que os fatos sejam integralmente esclarecidos, as mensagens e suas interpretações devem ser tratadas como elementos de uma investigação, e não como comprovação definitiva de crimes ou irregularidades por parte das autoridades citadas.

 

Fontes: CNN, Folha de São Paulo, Poder 360, Agência Brasil, Metrópoles, UOL notícias.