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O Amazonas registrou 1.445 focos de calor entre 1º e 24 de agosto de 2026, segundo levantamento divulgado com base nos dados do monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O número faz de agosto, até o momento, o mês com maior quantidade de detecções no estado neste ano.
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Os dados ainda são parciais e podem sofrer alterações até o encerramento do mês. O monitoramento do Programa Queimadas do INPE é atualizado continuamente e permite acompanhar a distribuição dos focos por estados, municípios e diferentes recortes territoriais.
Apuí lidera ocorrências
Entre os municípios amazonenses, Apuí aparece na primeira posição, com 532 focos, seguido por Novo Aripuanã, com 214. Somados, os dois municípios contabilizam 746 detecções — aproximadamente 51,6% de todos os focos registrados no Amazonas no período.
A concentração no sul do estado chama atenção porque a região historicamente enfrenta maior pressão do fogo durante a estação seca. Além de Apuí e Novo Aripuanã, municípios como Maués, Manicoré, Lábrea, Humaitá, Manacapuru, Autazes, Careiro e Canutama também aparecem entre as localidades com registros relevantes no levantamento.
A região de Apuí e Novo Aripuanã também está inserida em uma área de forte pressão sobre a cobertura florestal. Dados e ferramentas do próprio INPE permitem qualificar os focos de calor de acordo com sua ocorrência em vegetação nativa, áreas recentemente abertas ou áreas já utilizadas pela agropecuária.

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Estiagem favorece propagação do fogo
O avanço das queimadas ocorre em um período em que a redução das chuvas e da umidade deixa a vegetação mais suscetível à propagação das chamas. Em boletim publicado em julho, o INPE destacou que o período de seca intensifica a temporada de fogo em diversas regiões brasileiras.
Na análise referente a junho, o instituto já havia identificado aumento do risco meteorológico de fogo no sul do Amazonas, associado à redução das chuvas. O mesmo boletim apontou que as condições de risco tendem a acompanhar a evolução da estação seca nos meses seguintes.
O cenário também preocupa pela possibilidade de aumento da fumaça e de deterioração da qualidade do ar, especialmente em áreas próximas aos focos. Em Manaus, a Prefeitura informou em 18 de agosto que reforçou ações de prevenção às queimadas urbanas, incluindo monitoramento com drones equipados com sensores térmicos, fiscalização e campanhas educativas.
Número de focos não é igual ao número de incêndios
Apesar de o termo “queimadas” ser utilizado no cotidiano, é importante fazer uma distinção técnica: um foco de calor detectado por satélite não corresponde necessariamente a um incêndio individual.
Uma mesma área em chamas pode produzir mais de uma detecção, enquanto incêndios de menor intensidade podem não ser identificados pelos sensores, dependendo das condições atmosféricas, cobertura de nuvens, horário da passagem do satélite e características do fogo.
Por isso, os números do Programa Queimadas devem ser interpretados como detecções de fogo ativo, e não como uma contagem direta de incêndios ou da área efetivamente destruída.
O INPE utiliza dados de satélites para monitorar os focos e disponibiliza ferramentas que permitem acompanhar a evolução das ocorrências ao longo do tempo e em diferentes escalas territoriais.
Uso do fogo também exige controle
O aumento das detecções não significa que todos os focos tenham origem criminosa. O fogo pode estar relacionado a atividades humanas, inclusive práticas agropecuárias, além de ocorrências acidentais e, em determinadas circunstâncias, causas naturais.
O Ibama destaca, entretanto, que a queima controlada depende de autorização do órgão ambiental competente e deve obedecer a planejamento, condições específicas e medidas de segurança. Em caso de perda de controle das chamas, a orientação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Na Amazônia, o Ibama também ressalta a necessidade de prevenção, uma vez que incêndios florestais podem provocar impactos relevantes sobre os ecossistemas. O órgão mantém ações de monitoramento, fiscalização, formação de brigadas e combate por meio do Prevfogo.
Monitoramento será importante até o fim da estiagem
O comportamento das queimadas nas próximas semanas dependerá da evolução das condições meteorológicas e do uso do fogo nas áreas rurais e de vegetação. Como agosto ainda não terminou, o total de 1.445 focos é um retrato parcial do mês, e não o resultado definitivo.
O próprio INPE vem ampliando as ferramentas de acompanhamento. Em agosto, o instituto disponibilizou uma nova versão da Sala de Situação do TerraBrasilis, que integra informações dos sistemas de monitoramento e permite visualizar e qualificar focos de calor por municípios e outros recortes territoriais.
A tendência de aumento das ocorrências durante a estação seca reforça a necessidade de prevenção, fiscalização e resposta rápida, principalmente nas áreas do sul do Amazonas onde os focos estão mais concentrados.
Fonte dos dados: Programa Queimadas/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e informações oficiais de órgãos ambientais. Os números municipais de agosto, até o dia 24, são parciais.
Fontes consultadas
- Programa Queimadas – INPE
- Boletim Infoqueima – junho de 2026
- Sala de Situação do TerraBrasilis – INPE
- Ibama – Uso do fogo e queima controlada
- Prefeitura de Manaus – prevenção às queimadas
