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Construção naval ganha protagonismo na TranspoAmazônia e mira novos investimentos no Amazonas

Quarta edição do evento será realizada em maio de 2027, em Manaus, com foco ampliado em indústria naval, cabotagem, tecnologia, inovação e sustentabilidade.


Ricardo Mendes Lasmar, diretor-presidente da Arsepam; Ali Assi, secretário executivo adjunto da SGVG; Raphael Nery da Silva, coordenador-geral de Análise de Projetos Industriais da Suframa; José Sandro da Mota Ribeiro, chefe do Departamento de Diversificação Econômica da Sedecti; e Phelippe Daou Júnior, CEO do Grupo Rede Amazônica – Foto: Reprodução

 

 

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A indústria naval amazonense será um dos principais destaques da TranspoAmazônia 2027, que terá sua quarta edição realizada entre os dias 19 e 21 de maio do próximo ano, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus.

Durante o lançamento oficial da nova edição, nesta quarta-feira (19), a organização anunciou que o evento passará a se chamar Feira e Congresso Internacional de Transporte, Logística e Construção Naval, incorporando definitivamente a construção de embarcações ao eixo central da programação.

A mudança ocorre em um momento de retomada dos investimentos no setor naval brasileiro e, especialmente, na navegação interior da Região Norte. Dados do Ministério de Portos e Aeroportos mostram que, nos últimos três anos, o Fundo da Marinha Mercante (FMM) destinou R$ 406,7 milhões para projetos na Região Norte, permitindo a entrega de 70 embarcações e contribuindo para a geração de aproximadamente 3,1 mil empregos diretos.

Amazonas concentra um dos principais polos navais da região

A escolha da construção naval como um dos grandes eixos da TranspoAmazônia está relacionada à importância que o segmento possui para a economia e para a logística amazonense.

De acordo com dados do Governo do Amazonas, o Estado possui mais de 300 estaleiros, entre empreendimentos de pequeno, médio e grande porte. Os estabelecimentos atuam tanto na construção quanto na manutenção e reparo de embarcações. Os estaleiros de reparo ocupam cerca de 20% da orla de Manaus.

A importância do transporte fluvial também é diretamente relacionada à realidade geográfica do Estado. Segundo o Invest Amazonas, cerca de 500 mil pessoas utilizam embarcações para chegar a municípios e comunidades, enquanto o transporte hidroviário permanece como principal meio de deslocamento de passageiros e cargas em grande parte do território amazonense.

Dados reunidos pela Sudam apontam ainda que a frota regional gira em torno de 5 mil embarcações e que aproximadamente 95% do abastecimento dos municípios amazonenses ocorre por via fluvial.

Novos investimentos já estão em andamento

A expansão da TranspoAmazônia ocorre paralelamente a uma nova rodada de investimentos na indústria naval do Estado.

Em abril deste ano, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que o Fundo da Marinha Mercante aprovou R$ 409,7 milhões para 41 projetos no Amazonas, envolvendo construção de embarcações, manutenção, reparos e docagem.

Segundo o governo federal, os projetos têm potencial para gerar 606 empregos diretos e ampliar a capacidade de transporte de cargas e passageiros por hidrovias no Estado.

Outro empreendimento de grande porte é executado pelo Juruá Estaleiro e Navegação, em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus. De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, o estaleiro trabalha na construção de 108 balsas mineraleiras para a LHG Mining, em um projeto estimado em R$ 767,2 milhões, com potencial de gerar 5.616 empregos diretos. Também estão em construção três empurradores fluviais, em um projeto de R$ 327,6 milhões.

O conjunto de investimentos faz parte de uma retomada mais ampla do setor. Entre 2023 e 2026, o Fundo da Marinha Mercante contratou R$ 14,43 bilhões para 849 obras em todo o país, com impacto estimado em 48.708 empregos.

TranspoAmazônia movimentou mais de R$ 1 bilhão em 2026

A aposta da organização para 2027 também leva em consideração os resultados da edição realizada em maio deste ano.

A TranspoAmazônia 2026 terminou com negócios estimados em R$ 1,16 bilhão, segundo balanço divulgado pela Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz). Os segmentos que concentraram maior volume de negociações foram comercialização de veículos, tecnologia para transporte e logística e combustíveis e lubrificantes.

A edição deste ano também reuniu representantes internacionais e empresas de diferentes segmentos da cadeia de transporte e logística. A expectativa para 2027 é ampliar a participação empresarial e atrair novos investidores.

De acordo com informações divulgadas antes do lançamento, 60% dos estandes e espaços da edição de 2027 já estavam comercializados.

Cabotagem entra no centro dos debates

Além da construção naval, a cabotagem deverá ganhar espaço na programação do próximo ano.

O setor é considerado estratégico para a integração logística brasileira por permitir o transporte de cargas entre portos do país, reduzindo a dependência do transporte rodoviário em determinadas rotas.

Na Amazônia, a discussão ganha uma dimensão adicional devido à integração entre rios, portos, terminais, estaleiros e corredores de exportação.

O debate também se conecta ao crescimento da produção agrícola do Centro-Oeste e à utilização dos corredores hidroviários da Região Norte para o escoamento de grãos e outras commodities.

Tecnologia e sustentabilidade

A organização também pretende ampliar os debates sobre tecnologia, inovação, segurança e sustentabilidade.

O desafio é conciliar o crescimento da indústria naval e da movimentação de cargas com as características ambientais da Amazônia. Nesse contexto, a modernização da frota pode contribuir para embarcações mais eficientes, seguras e adequadas às diferentes condições de navegabilidade dos rios.

O Governo do Amazonas destaca, por exemplo, que aproximadamente 90% das embarcações utilizadas no Estado ainda são de madeira, o que abre espaço para a substituição gradual por estruturas de aço e para o desenvolvimento de novas soluções construtivas.

Um setor estratégico para a economia amazônica

A construção naval não representa apenas uma atividade industrial no Amazonas. Ela está diretamente ligada ao abastecimento, ao transporte de passageiros, ao agronegócio, à mineração, ao petróleo e gás e à integração dos municípios do interior.

O fortalecimento do setor pode gerar efeitos em toda a cadeia produtiva, envolvendo estaleiros, fornecedores de peças e equipamentos, trabalhadores especializados, empresas de manutenção, transportadoras e operadores portuários.

Com a construção naval incorporada oficialmente ao nome e à programação da TranspoAmazônia, a edição de 2027 pretende transformar Manaus novamente em ponto de encontro de empresários, investidores, especialistas e autoridades envolvidos com o futuro da logística e da navegação na Amazônia.

Serviço

Evento: 4ª Feira e Congresso Internacional de Transporte, Logística e Construção Naval – TranspoAmazônia 2027
Data: 19 a 21 de maio de 2027
Local: Centro de Convenções Vasco Vasques, Manaus (AM)
Realização: Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz)

Fontes: Ministério de Portos e Aeroportos, Governo do Amazonas/Invest Amazonas, Sudam, Sinaval e informações oficiais da TranspoAmazônia.