A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou nesta quinta-feira (16) que acompanhará as investigações sobre o vazamento de estireno ocorrido na unidade da petroquímica Innova, localizada na Avenida Abiurana, no Distrito Industrial da capital amazonense. Em nota oficial, a autarquia afirmou que solicitará esclarecimentos à empresa sobre as providências adotadas para conter a ocorrência e avaliará os reflexos do episódio na operação do empreendimento.
O incidente ocorreu na tarde de quarta-feira (15), após uma elevação anormal da temperatura em um dos tanques de armazenamento de monômero de estireno da empresa. De acordo com a Innova, a pressão interna acionou automaticamente os dispositivos de segurança do equipamento, provocando a liberação controlada de vapores químicos para evitar um risco maior. A companhia informou que não houve explosão, incêndio, vazamento de produto líquido nem registro de vítimas dentro da unidade industrial e afirmou que o material remanescente recebeu destinação conforme as normas ambientais.
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Foto: Reprodução
Apesar das informações divulgadas pela empresa, o forte odor característico do estireno foi percebido em diferentes regiões de Manaus, levando trabalhadores e moradores a relatarem desconforto respiratório e irritação nos olhos. O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas permaneceu durante a madrugada e a manhã desta quinta-feira realizando o resfriamento contínuo do tanque para evitar um novo superaquecimento e impedir novas liberações de vapor. Pelo menos 16 pessoas procuraram atendimento médico após apresentarem sintomas relacionados à exposição ao odor, segundo informações divulgadas por veículos locais.
Na manifestação oficial, a Suframa prestou solidariedade aos trabalhadores, familiares e demais pessoas afetadas pelo incidente e informou que acompanhará todas as etapas das investigações conduzidas pelos órgãos competentes. O órgão destacou que solicitará informações técnicas sobre as medidas de contenção adotadas pela empresa, além de avaliar possíveis impactos sobre a regularidade do projeto industrial e as condições de utilização da área concedida à companhia.
A autarquia também ressaltou que a responsabilidade pela operação segura das instalações industriais é da empresa, conforme as licenças ambientais e operacionais em vigor. Já a apuração das causas do acidente, bem como dos possíveis impactos ambientais, sanitários e à saúde da população, ficará sob responsabilidade dos órgãos de fiscalização e investigação.
Gabinete de crise e ações da Prefeitura
Em razão da ocorrência, a Prefeitura de Manaus instalou um Gabinete de Crise para coordenar as ações de resposta envolvendo secretarias municipais, Defesa Civil, Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), Guarda Municipal, Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e outros órgãos. Equipes foram mobilizadas para monitorar a dispersão do produto na atmosfera, reforçar o atendimento nas unidades de saúde próximas ao Distrito Industrial e orientar a população quanto aos sintomas de exposição ao estireno.
Como medida preventiva, estabelecimentos localizados nas proximidades da área industrial também adotaram protocolos de segurança. O Studio 5 Shopping anunciou a suspensão temporária das atividades durante a ocorrência devido ao forte odor percebido por clientes e funcionários.
Investigação continua
Até o momento, as autoridades informam que a prioridade é garantir a segurança da população e concluir a estabilização do tanque afetado. Técnicos seguem monitorando a qualidade do ar e investigando as causas da elevação de temperatura que provocou a liberação dos vapores.
A Suframa reafirmou o compromisso com a segurança das atividades desenvolvidas no Polo Industrial de Manaus e destacou que a atuação integrada entre órgãos federais, estaduais e municipais será fundamental para esclarecer completamente o episódio, identificar eventuais responsabilidades e definir medidas que reduzam o risco de novas ocorrências.
Enquanto as investigações prosseguem, a Innova declarou permanecer à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e informou que revisará seus procedimentos internos para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.
Orientações para moradores em caso de exposição a vapores químicos
Diante de ocorrências envolvendo a liberação de substâncias químicas na atmosfera, especialistas em saúde e órgãos de emergência orientam que a população adote medidas preventivas para reduzir os riscos de exposição.
Quem sentir cheiro intenso de produtos químicos deve deixar a área, sempre que possível, e procurar um ambiente seguro e bem ventilado, distante da origem do vazamento. Também é recomendado manter portas e janelas fechadas caso a orientação das autoridades seja permanecer em local protegido, evitando a entrada de vapores no imóvel.
Pessoas que apresentarem sintomas como irritação nos olhos, nariz ou garganta, tosse persistente, falta de ar, tontura, dor de cabeça, náuseas ou sensação de desmaio devem buscar atendimento médico imediatamente. Em casos de dificuldade respiratória intensa ou perda de consciência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193, devem ser acionados.
Se houver contato da substância com a pele ou os olhos, a recomendação é retirar roupas contaminadas e lavar a região afetada com água corrente em abundância por pelo menos 15 minutos, evitando o uso de produtos químicos ou pomadas sem orientação médica.
Especialistas também orientam que moradores não retornem às áreas isoladas até que os órgãos competentes informem oficialmente que o local é seguro. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias, como asma e bronquite, devem receber atenção especial, pois tendem a ser mais sensíveis à exposição a vapores químicos.
As autoridades reforçam ainda que a população deve acompanhar apenas os comunicados oficiais divulgados pela Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e demais órgãos responsáveis, evitando compartilhar informações não confirmadas que possam gerar desinformação durante a ocorrência.
