Internacional

Racismo

Declaração de vice-governadora argentina sobre Mbappé provoca crise diplomática com a França

Hebe Casado chamou a seleção francesa de "africanos sem educação" após jogo da Copa do Mundo e passou a enfrentar sanções diplomáticas anunciadas pela representação francesa.


Foto: Reprodução redes sociais / Franco Arland – UEFA/UEFA via Getty Images

 

Uma publicação da vice-governadora da província argentina de Mendoza, Hebe Casado, nas redes sociais desencadeou um incidente diplomático entre Argentina e França. A declaração, feita após a derrota do Paraguai para a seleção francesa na Copa do Mundo, foi considerada racista pela representação diplomática francesa e levou à adoção de medidas contra a política argentina.

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Em uma mensagem publicada na rede social X, Casado comentou o resultado da partida e escreveu: “Muito bem, Paraguai. Este time africano sem educação. Não aguento este Mbappé”, em referência ao atacante Kylian Mbappé, principal nome da seleção francesa.

A repercussão foi imediata e chegou ao conhecimento do embaixador da França na Argentina, Romain Nadal, que classificou a manifestação como incompatível com os princípios defendidos pelo governo francês.

Embaixada francesa declara política argentina “persona non grata”

Após desferir comentários racistas sobre jogadores da seleção da França na Copa do Mundo Hebe Casado, vice-governadora da província de Mendoza, na Argentina, foi declarada “persona non grata” pela embaixada francesa no país latino-americano, neste sábado (11/7).

Em resposta à declaração, a representação diplomática francesa informou que Hebe Casado deixará de ser recebida oficialmente na Embaixada e nos consulados da França na Argentina. Segundo o embaixador Romain Nadal, as medidas permanecerão em vigor enquanto não houver uma retratação pública.

O diplomata afirmou que não há espaço para manifestações racistas nas relações entre os dois países e ressaltou que a nacionalidade francesa não é definida pela origem étnica ou pela cor da pele.

“Nossos jogadores nasceram na França e fazem parte de uma República que reconhece seus cidadãos independentemente de sua origem. Temos orgulho da diversidade da seleção francesa e não aceitaremos tentativas de negar essa identidade”, declarou.

Vice-governadora rejeita acusações

Após a repercussão internacional, Hebe Casado afirmou que sua publicação fazia parte do chamado “folclore do futebol” e negou ter cometido racismo.

Segundo ela, sua mensagem foi interpretada de forma equivocada.

“Fazem um drama de tudo. Não vejo em que meu comentário é racista. Se alguém considera a frase racista, talvez seja essa pessoa que esteja atribuindo um significado inferior aos africanos”, declarou.

A vice-governadora é aliada política do presidente argentino Javier Milei e integra o grupo político La Libertad Avanza.

Caso amplia tensão envolvendo Mbappé

O episódio ocorre poucos dias depois de outra polêmica envolvendo Kylian Mbappé. A senadora paraguaia Celeste Amarilla também fez declarações ofensivas contra o atacante francês, utilizando termos considerados racistas.

Na ocasião, Mbappé respondeu publicamente às ofensas, classificando as declarações como “desprezíveis”.

Os dois casos reacendem o debate sobre racismo no esporte e sobre os ataques direcionados a atletas por causa de sua origem ou ascendência, tema que vem sendo discutido por autoridades esportivas e diplomáticas durante a Copa do Mundo.

A seleção francesa é formada por jogadores de diferentes origens familiares, característica frequentemente apontada como reflexo da diversidade da sociedade francesa. As autoridades do país reforçaram que todos os atletas representam oficialmente a França, independentemente da origem de seus pais ou avós.