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Morre aos 95 anos, Benedito Ruy Barbosa, mestre da teledramaturgia brasileira

Dramaturgo autor de clássicos como Pantanal e O Rei do Gado deixa um dos maiores legados da televisão brasileira após mais de seis décadas de carreira marcadas por histórias que retrataram o campo, a cultura nacional e as transformações sociais do Brasil.


O escritor e dramaturgo Benedito Ruy Barbosa morreu na manhã desta terça-feira (7), aos 95 anos, em São Paulo. Considerado um dos maiores autores da história da televisão brasileira, ele estava internado no Hospital HCor, onde tratava complicações decorrentes de insuficiência renal crônica, doença diagnosticada há cerca de três anos. A informação foi confirmada pela unidade hospitalar, que informou que o autor sofreu complicações relacionadas ao quadro clínico.

Em nota, o HCor manifestou solidariedade aos familiares, amigos e admiradores do escritor. Nos últimos meses, Benedito vinha enfrentando sucessivas internações em razão de infecções urinárias recorrentes associadas à doença renal, o que agravou seu estado de saúde. Em janeiro deste ano, ele permaneceu internado por 19 dias para tratamento de uma infecção urinária.

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Benedito Ruy Barbosa, considerado um dos maiores e mais influentes autores da história da televisão brasileira – Foto: Reprodução (Instagram)

 

O velório acontece nesta terça-feira (7), das 15h às 21h, no Funeral Home, no bairro da Bela Vista, região central da capital paulista.

Natural de Gália, no interior de São Paulo, onde nasceu em 17 de abril de 1931, Benedito Ruy Barbosa transformou as experiências vividas na infância e juventude em inspiração para suas obras. Filho do interior, levou para a televisão histórias marcadas pela vida no campo, pelas tradições rurais, pelos conflitos agrários e pela imigração europeia, especialmente a italiana, tornando-se referência na construção de novelas de temática regional.

Sua carreira começou na extinta TV Tupi na década de 1960. Depois, passou por emissoras como TV Excelsior, Record e Bandeirantes até chegar à TV Globo, em 1976, onde escreveu “O Feijão e o Sonho”. A partir daí consolidou uma trajetória de sucessos que atravessou gerações.

Entre suas obras mais marcantes estão Cabocla, Sinhá Moça, Pantanal, Renascer, O Rei do Gado, Terra Nostra, Esperança, Paraíso e Velho Chico. As novelas ficaram conhecidas por unir romance, conflitos familiares, questões sociais e uma forte valorização da cultura brasileira.

Em 1990, Benedito escreveu Pantanal para a extinta TV Manchete após o projeto não ser aceito inicialmente pela Globo. A novela tornou-se um dos maiores fenômenos de audiência da televisão brasileira, revolucionando a dramaturgia nacional e abrindo espaço para produções com maior valorização das paisagens naturais e da cultura regional. O sucesso levou o autor de volta à Globo, onde produziu outros grandes clássicos da teledramaturgia.

Nas últimas décadas, sua obra voltou a conquistar novas gerações. Pantanal ganhou um remake exibido em 2022, enquanto Renascer retornou à televisão em 2024. Ambas as adaptações foram escritas por seu neto, Bruno Luperi, preservando o estilo narrativo que tornou Benedito um dos maiores contadores de histórias do país.

Ao longo de mais de 60 anos de carreira, Benedito Ruy Barbosa recebeu diversos prêmios e reconhecimento pela contribuição à cultura brasileira. Seu estilo, conhecido pelas chamadas “novelas-saga”, influenciou gerações de autores ao retratar personagens profundamente ligados à terra, à família e às transformações sociais do Brasil.

Com sua morte, a televisão brasileira perde um dos principais responsáveis por transformar o universo rural em protagonista do horário nobre. Seu legado permanece vivo nas obras que marcaram milhões de telespectadores e continuam sendo referência na dramaturgia nacional.

Com informações de HCor, SBT News e veículos da imprensa nacional.