Internacional

França suspende exigência de visto para brasileiros na Guiana Francesa e facilita circulação na fronteira com o Amapá

Acordo entre Brasil e França entra em vigor no fim de julho, terá validade inicial de seis meses e poderá impulsionar turismo, comércio e integração entre os dois países.


Em um marco para as relações entre Brasil e França, os dois países oficializaram nesta quarta-feira (1º) a suspensão temporária da exigência de visto para brasileiros que desejam ingressar na Guiana Francesa. A medida, aguardada há anos por moradores da região de fronteira, passa a valer a partir de 31 de julho (com expectativa operacional a partir de 1º de agosto) e terá validade inicial de seis meses, podendo ser prorrogada por mais seis meses.

O acordo foi firmado durante reunião entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros da França, Jean-Noël Barrot, em Brasília. A decisão representa mais um passo no fortalecimento da cooperação bilateral entre os dois países, especialmente na região amazônica.

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Medida elimina uma antiga barreira

Apesar de brasileiros não precisarem de visto para entrar na França continental e em países do Espaço Schengen para viagens de curta duração, a Guiana Francesa possuía regras próprias de imigração por ser um território ultramarino francês localizado na América do Sul.

Na prática, quem desejava atravessar a fronteira pelo município de Oiapoque (AP) precisava solicitar um visto específico, tornando a circulação entre os dois lados da fronteira mais burocrática.

A suspensão dessa exigência era uma reivindicação histórica de autoridades brasileiras, empresários e moradores da região, principalmente por causa da intensa relação econômica, social e familiar existente entre o Amapá e a Guiana Francesa.

Fronteira estratégica entre Brasil e França

O Brasil compartilha aproximadamente 730 quilômetros de fronteira com a Guiana Francesa, sendo o estado do Amapá o único brasileiro que faz divisa com o território francês.

A ligação entre os dois países ocorre principalmente pela Ponte Binacional Franco-Brasileira, inaugurada sobre o rio Oiapoque, conectando a cidade brasileira de Oiapoque à comuna francesa de Saint-Georges-de-l’Oyapock.

Segundo dados oficiais, cerca de 30% da população da Guiana Francesa é composta por brasileiros, muitos deles residentes, trabalhadores ou empreendedores instalados no território francês, reforçando a importância da integração regional.

Comércio, turismo e desenvolvimento

O governador do Amapá, Clécio Luís, comemorou a assinatura do acordo e destacou que o fim da exigência do visto tende a ampliar significativamente as relações comerciais entre os dois lados da fronteira.

Segundo ele, além de facilitar o reencontro de famílias que vivem nos dois países, a medida reduz barreiras ao comércio, fortalece o turismo e cria novas oportunidades de negócios para empresas amapaenses.

O governo brasileiro também avalia que a suspensão do visto dará maior utilização à Ponte Binacional, considerada estratégica para o desenvolvimento econômico da região Norte.

Negociação começou em 2025

A flexibilização havia sido anunciada inicialmente durante a visita oficial do presidente francês Emmanuel Macron ao Brasil, em junho de 2025. Na ocasião, Macron destacou que o Amapá representa a maior fronteira terrestre da França com outro país e classificou a integração regional como prioridade para os governos francês e brasileiro.

Desde então, equipes diplomáticas dos dois países trabalharam na elaboração do acordo, que agora foi oficialmente assinado e regulamentado.

Relação bilateral em expansão

A assinatura do acordo acontece em um momento de aproximação entre Brasil e França. Os dois países celebram, em 2026, os 30 anos do Acordo-Quadro de Cooperação e ampliam parcerias em áreas como defesa, meio ambiente, desenvolvimento sustentável, investimentos e comércio.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a França é atualmente o maior investidor europeu no Brasil, com estoque de investimentos estimado em cerca de US$ 69 bilhões. Em 2025, o comércio bilateral atingiu o maior volume da história, ultrapassando US$ 10 bilhões.