Internacional

Brasileiro é acusado pelos EUA de lavar US$ 30 milhões para o PCC em esquema com criptomoedas

Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sanciona empresário apontado como operador financeiro da facção; investigação cita movimentação internacional de recursos ilícitos e ligação com o caso Vai de Bet.


O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (1º) sanções contra o brasileiro Victor Henrique de Oliveira Shimada, acusado de atuar como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) em um esquema internacional de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de US$ 30 milhões.

Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, Shimada utilizava criptomoedas e uma complexa rede financeira para ocultar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas e remeter os valores ao Brasil. A medida faz parte da primeira ofensiva do governo norte-americano contra integrantes ligados ao PCC após a facção ser oficialmente classificada como Organização Terrorista Estrangeira (FTO) pela administração do presidente Donald Trump.

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Rede operava entre Brasil e Estados Unidos

De acordo com o comunicado do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), a estrutura criminosa tinha atuação concentrada em São Paulo e no estado da Flórida, nos Estados Unidos.

As autoridades norte-americanas afirmam que, em janeiro deste ano, o FBI prendeu seis integrantes da organização na Flórida, posteriormente denunciados por lavagem de dinheiro perante a Justiça Federal americana.

O núcleo paulista da organização, segundo o governo dos EUA, era liderado por Victor Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, ambos incluídos na lista de pessoas sancionadas.

Criptomoedas e lavagem internacional

As investigações apontam que o grupo utilizava bancos americanos, empresas de fachada e ativos digitais para ocultar a origem do dinheiro obtido principalmente com o tráfico de drogas.

Os recursos eram depositados em diversas instituições financeiras dos Estados Unidos e posteriormente convertidos ou enviados ao Brasil por meio de operações com criptomoedas, dificultando o rastreamento das autoridades.

Segundo os documentos americanos, aproximadamente US$ 30 milhões passaram pelo esquema.

Ligação com o caso Vai de Bet

O Departamento do Tesouro também afirma que Shimada já havia sido investigado no Brasil por outros crimes financeiros.

Em janeiro de 2025, ele chegou a cumprir prisão domiciliar durante investigações envolvendo a empresa Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda., apontada pelas autoridades como instrumento para lavagem de dinheiro em um suposto esquema de fraude publicitária relacionado ao caso da Vai de Bet, antiga patrocinadora do Corinthians.

A empresa também foi incluída nas sanções impostas pelos Estados Unidos.

Codinomes e atuação internacional

Documentos da Justiça americana apontam que Victor Shimada era conhecido pelo codinome “Japa”, enquanto Stella Stefanie utilizaria os apelidos “Prima” e “Lara Croft”.

As investigações ainda indicam que ambos mantinham contato com fornecedores internacionais de drogas, entre eles o mexicano Manuel Garcia-Urrea, conhecido como “Manny” ou “M”.

O grupo também teria contado com o apoio de operadores financeiros nos Estados Unidos, como Ygor Fokin Saviolli, identificado pelos apelidos “YG” e “Boa Sorte”, responsável por facilitar depósitos de recursos ilícitos em diferentes bancos americanos.

Esquema alcançava diversos estados americanos

Segundo as autoridades, os valores eram ocultados em diversas cidades dos Estados Unidos, incluindo:

  • Miami e Pensacola (Flórida);
  • Rochester (Nova York);
  • Chicago (Illinois);
  • Cleveland (Ohio);
  • Atlanta (Geórgia);
  • Minneapolis (Minnesota);
  • Los Angeles (Califórnia);
  • Denver (Colorado);
  • Seattle (Washington);
  • Houston (Texas);
  • Kansas City (Kansas).

O objetivo era fragmentar a movimentação financeira para dificultar o rastreamento dos recursos antes de seu retorno aos integrantes da organização criminosa.

PCC passa a ser tratado como organização terrorista

As sanções ocorrem menos de um mês após o governo dos Estados Unidos anunciar a inclusão do PCC e do Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO).

A decisão, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio em 5 de junho, amplia significativamente os instrumentos legais disponíveis para as autoridades americanas.

Com a nova classificação, o governo dos EUA passa a adotar mecanismos mais rígidos para bloquear bens, congelar ativos, restringir operações financeiras internacionais e responsabilizar criminalmente pessoas e empresas que prestem qualquer tipo de apoio às facções.

Além disso, integrantes comprovadamente ligados ao PCC ou ao Comando Vermelho passam a ter vistos americanos cancelados, tornam-se impedidos de ingressar no país e podem ser deportados caso estejam em território norte-americano.