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Correios ampliam prejuízo bilionário e governo estuda novo aporte para manter plano de recuperação

Estatal registra perda de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026; especialistas alertam para desafios estruturais e necessidade de mudanças para recuperar competitividade.


Com prejuízo crescente sob a gestão Lula, estatal depende de crédito com garantia da União e pode demandar novo socorro financeiro do governo – Foto: Reprodução

 

Os Correios enfrentam um agravamento de sua situação financeira em 2026 e podem registrar o maior prejuízo de sua história pelo segundo ano consecutivo. Após fechar 2025 com perdas recordes de R$ 8,5 bilhões, a estatal acumulou prejuízo de R$ 3,16 bilhões apenas no primeiro trimestre deste ano, levando o governo federal a avaliar novos aportes financeiros para sustentar o plano de recuperação da empresa.

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A estratégia de reestruturação, iniciada com a meta de recolocar a estatal no azul até 2027, é sustentada por um empréstimo de R$ 12 bilhões garantido pela União. O plano inclui programas de demissão voluntária (PDV), fechamento de unidades, venda de ativos e medidas para redução de custos. Apesar disso, os resultados ainda não foram suficientes para interromper a sequência de prejuízos.

Caso o desempenho observado no início de 2026 seja mantido, os Correios poderão superar o rombo histórico registrado no ano passado.

Plano de recuperação enfrenta dificuldades

Entre as principais ações adotadas pela empresa está o Programa de Demissão Voluntária. A expectativa inicial era desligar cerca de 10 mil funcionários, mas apenas 3.181 empregados aderiram à primeira etapa da iniciativa.

Mesmo abaixo da meta, os Correios estimam uma economia significativa com a redução do quadro de pessoal e já estudam uma nova fase do programa, que poderá atingir aproximadamente 5 mil trabalhadores. A medida também prevê o fechamento de cerca de mil unidades operacionais em todo o país.

Apesar de a empresa ter registrado lucro bruto de R$ 153,4 milhões no primeiro trimestre, o aumento das despesas administrativas e financeiras anulou o resultado positivo. Os gastos administrativos praticamente dobraram em um ano, impulsionados por reajustes salariais, inflação e despesas judiciais.

Especialistas apontam problemas estruturais

Especialistas do setor avaliam que as medidas implementadas até agora aliviam a pressão financeira no curto prazo, mas não solucionam os principais desafios enfrentados pelos Correios.

Entre os fatores apontados estão a perda de competitividade no mercado de encomendas, o avanço das empresas privadas de logística, a redução contínua do volume de correspondências tradicionais e a necessidade de investimentos em tecnologia, automação e modernização da operação.

Segundo analistas, empresas do comércio eletrônico ampliaram significativamente suas redes logísticas nos últimos anos, aumentando a concorrência justamente no segmento considerado estratégico para a recuperação da estatal.

Governo avalia novos recursos

Além do financiamento já contratado, o governo autorizou uma nova operação de crédito de até R$ 8 bilhões com garantia da União para dar continuidade ao processo de reestruturação.

Especialistas alertam, entretanto, que o aumento do endividamento pode ampliar os riscos fiscais caso a estatal não consiga recuperar sua capacidade financeira. Na prática, se os Correios não honrarem os compromissos assumidos, a União poderá ser acionada para cobrir as obrigações.

O Tribunal de Contas da União (TCU) também apontou fragilidades na análise da capacidade de pagamento da empresa e recomendou ajustes no plano de recuperação.

Correios defendem estratégia

Em nota, os Correios afirmaram que os resultados do primeiro trimestre estão dentro das projeções previstas no plano de reestruturação. A empresa informou que parte significativa do prejuízo decorre de despesas extraordinárias com passivos judiciais e precatórios.

A estatal também destacou que continua executando medidas para fortalecer sua situação financeira, modernizar a infraestrutura logística e ampliar sua atuação na economia digital.

Segundo a empresa, a meta permanece a mesma: recuperar o equilíbrio econômico-financeiro e voltar a registrar lucro líquido até o final de 2027.