A roda-gigante instalada na Ponta Negra, em Manaus, travou na noite de sábado (22), pouco mais de 48 horas após ser inaugurada. O equipamento estava cheio no momento da paralisação, e vídeos gravados por visitantes mostraram desespero entre as pessoas presas nas cabines.
Antes da chegada do Corpo de Bombeiros, que realizou o resgate, funcionários da empresa concessionária tentaram manusear a estrutura, segundo testemunhas, sem utilizar equipamentos de proteção individual (EPI). O g1 não conseguiu contato com a empresa responsável até a última atualização desta reportagem.
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Relatos de quem estava no brinquedo mostram o pânico. “Eu já chorei, eu não queria vir. Estou presa aqui em cima”, disse uma cliente em um dos vídeos.
Durante uma transmissão ao vivo, o prefeito de Manaus, David Almeida, afirmou que uma equipe ligada ao ex-vereador Amauri Gomes esteve no local para “cortar os fios de energia” do equipamento. Ele sugeriu que a interrupção do funcionamento poderia ter sido causada por uma sabotagem, o que será investigado.
O que diz o prefeito
A prefeitura informou que a roda-gigante, inaugurada na quinta-feira, cumpre os trâmites técnicos e legais, e opera por meio de outorga onerosa. Os ingressos, entretanto, têm valores mais altos do que os originalmente anunciados como “acessíveis”: o ticket custa R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada). Na compra online, as taxas elevam os valores para R$ 46 e R$ 23.
Em nota, o município afirmou “repudiar veementemente o ato de vandalismo” e declarou que houve violação da caixa de energia que alimenta o equipamento, coincidindo com o momento da paralisação. A gestão municipal reforçou que a roda-gigante utiliza carga elétrica dentro dos padrões técnicos e que a instalação obedece aos laudos e normas do Implurb.
Mais cedo no sábado, Amauri Gomes esteve na Ponta Negra denunciando uma suposta ligação clandestina abastecendo a roda-gigante. Segundo ele, um engenheiro eletricista teria confirmado o uso irregular da energia da prefeitura.
Resposta do vereador na delegacia
De acordo com o boletim registrado, Amauri Gomes negou qualquer participação na interrupção do funcionamento da roda-gigante. Ele afirmou que esteve no local apenas para verificar denúncias de uso irregular da rede elétrica e declarou que “não realizou, nem autorizou, qualquer ação que pudesse provocar danos ao equipamento ou colocar pessoas em risco”.
