O apresentador e jornalista esportivo Paulo Soares, conhecido pelo público como “Amigão”, morreu nesta segunda-feira (29/9), aos 63 anos. Ícone da ESPN, ele estava afastado das atividades para cuidar da saúde e, em 2023, havia revelado ter passado por seis cirurgias na coluna.
A causa da morte não foi detalhada, mas a emissora confirmou que o jornalista foi vítima de falência múltipla dos órgãos (FMO) — quadro grave em que dois ou mais sistemas vitais deixam de funcionar, como rins, fígado, pulmões e cérebro.
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O que é a falência múltipla dos órgãos
A FMO é considerada uma emergência médica de alto risco, geralmente desencadeada por sepse (infecção generalizada). Traumas graves, como acidentes ou queimaduras extensas, além de doenças autoimunes e intoxicações, também podem levar ao quadro.
O processo costuma ocorrer de forma progressiva: a falha de um órgão desencadeia uma reação em cadeia que compromete outros sistemas. A gravidade aumenta a cada novo órgão afetado — com mortalidade que chega a 60% quando dois órgãos entram em falência, 85% com três e torna-se inevitável quando quatro ou mais deixam de funcionar.
Sintomas e tratamento
Entre os sintomas mais comuns da sepse estão febre alta, calafrios, pressão arterial baixa, respiração acelerada e confusão mental. Grupos mais vulneráveis incluem recém-nascidos, crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas.
O tratamento busca controlar a causa inicial — como a infecção — e oferecer suporte vital em unidade de terapia intensiva, por meio de ventilação mecânica, hemodiálise e estabilização hemodinâmica.
“Prevenir essa condição exige vigilância em todas as etapas do cuidado. A conscientização e a prevenção combinadas podem salvar vidas”, explica a médica Fernanda Pimentel, diretora médica da Baxter para a América Latina.
Recuperação possível, mas difícil
Não existe uma cura única para a falência múltipla. A chance de recuperação depende da rapidez do diagnóstico e da eficácia do suporte oferecido aos órgãos afetados. Em casos de sepse, o uso precoce de antibióticos pode aumentar a possibilidade de reversão do quadro.
Mesmo assim, muitos pacientes sobrevivem com sequelas permanentes, já que alguns órgãos não têm capacidade de regeneração, exigindo, em muitos casos, transplante.
