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Investigação sobre venda de sentenças pode alcançar o STJ e servidores da Corte

Operação Sisamnes revela rede milionária de corrupção que envolve advogados, políticos, empresários e servidores; quatro gabinetes de ministros estão na mira


Fachada STJ em Brasília. Até o momento não há confirmação de envolvimento de ministros da corte – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

Uma investigação de grandes proporções conduzida pela Polícia Federal, conhecida como Operação Sisamnes, está prestes a alcançar o Superior Tribunal de Justiça (STJ). O inquérito apura um esquema de vazamento de informações sigilosas e venda de sentenças judiciais, que já levou à deflagração de nove fases desde 2024. Fontes ligadas à apuração revelam que novas buscas e apreensões podem ser realizadas dentro da própria estrutura do STJ.

Até o momento, não há ministros formalmente investigados, mas ao menos quatro gabinetes estão sob análise. O ministro Cristiano Zanin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou uma série de diligências e requisitou ao STJ informações detalhadas sobre servidores que atuaram em gabinetes estratégicos, incluindo logs de acessos e movimentações processuais.

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A investigação, que teve início após o assassinato do advogado Roberto Zampieri em Cuiabá (MT), em 2023, já expôs uma rede nacional de corrupção. Empresários, advogados, lobistas, servidores do Judiciário, agentes públicos e políticos estariam envolvidos em um esquema de venda de decisões judiciais, com pagamento de propinas, obstrução de investigações, e até suspeita de homicídios por encomenda.

Ao longo das fases, mais de R$ 50 milhões foram apreendidos em espécie, além de veículos de luxo e imóveis. Na mais recente etapa, deflagrada em 27 de junho, o prefeito de Palmas (TO), Eduardo Siqueira Campos, foi preso sob acusação de ter se beneficiado de informações privilegiadas, com o auxílio de advogados e um policial civil.

Mensagens interceptadas pela PF revelam que o grupo monitorava decisões do STJ e sabia com antecedência de medidas judiciais, como possíveis afastamentos de autoridades. As evidências apontam que dados sigilosos teriam partido de dentro de um gabinete ministerial, embora não haja confirmação de envolvimento direto de magistrados.

A operação recebeu o nome “Sisamnes” em alusão a um juiz persa punido por corrupção, simbolizando a gravidade dos crimes investigados. Segundo a PF, o caso pode envolver mais tribunais estaduais e deve se desdobrar em novas fases nas próximas semanas.

O STF mantém o inquérito sob sigilo para evitar interferências e reforça que qualquer eventual envolvimento de ministros ou magistrados será apurado com rigor. “A gravidade dos fatos exige resposta imediata”, afirmou o ministro Zanin.

Principais pontos da investigação:

  • Envolvidos em pelo menos sete estados e no Distrito Federal;

  • Prisões e afastamentos de servidores do STJ e TJ-MT;

  • Indícios de lavagem de dinheiro, espionagem, assassinatos encomendados e corrupção sistêmica;

  • PF identificou grupo criminoso chamado “Comando C4” com preços estipulados para execuções de autoridades.

A apuração segue em ritmo acelerado e promete novos desdobramentos. A cada fase, cresce o risco institucional para o Judiciário brasileiro, cuja imagem, segundo Zanin, “pode ser maculada por uma minoria envolvida em condutas ilegais”.

Servidores do STJ (busca e apreensão)

  • Márcio José Toledo Pinto – Assessor, afastado dos gabinetes das ministras Maria Isabel Gallotti e Fátima Nancy Andrighi. Suspeito de repassar informações antecipadas a lobistas.

  • Daimler Alberto de Campos – Chefe de gabinete da ministra Maria Isabel Gallotti, alvo de investigação.

  • Rodrigo Andrade (identificado também como Rodrigo Falcão de Oliveira Andrade) – Chefe de gabinete do ministro Og Fernandes.

Empresários, advogados e próceres do esquema

  • Andreson de Oliveira Gonçalves – Empresário e lobista, apontado como operador central do esquema; teve prisão preventiva decretada.

  • Roberto Zampieri – Advogado assassinado em Cuiabá em 2023. Seu celular foi peça-chave nas investigações. A PF encontrou nele trocas com lobistas e servidores.

  • “Haroldo Augusto Filho” – Filho de ex-deputado de Rondônia, citado em conversas como intermediário ou “Haroldo Fource”.

Agentes públicos do Tocantins

  • Thiago Marcos Barbosa de Carvalho – Assessor jurídico do MP-TO, preso em março de 2025.

  • Ricardo Vicente da Silva – Procurador de Justiça do MP-TO, alvo de mandados de busca.

  • Goianyr Barbosa – Cunhado do governador Wanderlei Barbosa, ex-prefeito de Almas (TO); foi detido após tentativa de esconder dinheiro.

Políticos investigados

  • Eduardo Siqueira Campos – Prefeito de Palmas (TO), foi preso em 27 de junho de 2025. É acusado de receber informações privilegiadas de dentro do STJ.

Outros nomes citados

  • Ivan Lúcio Amarante – Juiz da comarca de Vila Rica (MT), afastado por decisão do CNJ.

  • Desembargadores Sebastião de Moraes e João Ferreira Filho – Alvos da 8ª fase, afastados com tornozeleiras.

  • Ussiel Tavares – Advogado e ex-presidente da OAB-MT, citado na fase de lavagem de dinheiro.

  • Diego Cavalcante Gomes – Empresário envolvido em obstrução de Justiça.

Resumo rápido:

  • três servidores do STJ oficialmente ligados às fases iniciais.

  • Figuras como lobista, advogados e operadores surgiram com força nas evidências colhidas em 2023–2025.

  • A PF já prendeu políticos, advogados e membros do MP no Tocantins.

  • Com a 9ª fase, o prefeito de Palmas também foi preso, ampliando o rol de envolvidos.