
Autoridades procuram por homem que pode ter se passado por policial para cometer crimes e assassinar a deputada Melissa Hortman e seu marido – Foto: Reprodução/pixabay
Um ato de violência brutal e politicamente carregado em Minnesota ofuscou o tão esperado desfile militar realizado em Washington neste sábado (14), que também comemorava os 79 anos do presidente Donald Trump. Enquanto a capital se preparava para o evento histórico, orçado em US$ 45 milhões, a deputada democrata Melissa Hortman, de 55 anos, foi assassinada, junto com seu marido, em sua residência. O senador John Hoffman e sua esposa também foram baleados, mas sobreviveram após intervenções cirúrgicas.
O governador de Minnesota, Tim Walz, classificou o ataque como um “ato deliberado de violência política”, sublinhando a gravidade da situação. A deputada Hortman, ex-presidente da Câmara dos Representantes de Minnesota, foi morta em um atentado planejado e executado com frieza. Walz também fez um apelo por diálogo pacífico: “Não resolvemos as nossas diferenças com violência ou sob a mira de armas”, afirmou.
Continua depois da Publicidade

Melissa Hortman era principal liderança do Partido Democrata em Minnesota – Foto: Deutsche Welle
Ataque coordenado e foragido
O superintendente do Departamento de Apreensão Criminal de Minnesota, Drew Evans, relatou que o senador Hoffman e sua esposa foram baleados primeiro. Cerca de 90 minutos depois, Melissa Hortman e seu marido foram assassinados. O atirador, disfarçado de policial, fugiu após uma troca de tiros com a polícia nas proximidades da residência dos Hortman. Até o momento, o suspeito continua foragido e uma operação de busca já foi iniciada.
Protestos contra o autoritarismo e o desfile militar
O ataque ocorreu no mesmo dia em que milhares de pessoas se preparavam para protestar contra a política autoritária do presidente Donald Trump. O movimento “No Kings”, que criticava a militarização do governo e as políticas de Trump, agitou as ruas de diversas cidades americanas. Protestos em locais como Nova York, Los Angeles e Chicago foram acompanhados por declarações fortes contra o que é visto como uma tentativa de Trump de consolidar um regime autoritário, comparado a regimes como o de Kim Jong-un e Vladimir Putin.
O presidente Trump, que sobreviveu a um atentado no ano anterior, condenou rapidamente a violência, mas não deixou de se referir aos manifestantes de forma agressiva, chamando-os de “pessoas que odeiam o nosso país”. A Casa Branca, por sua vez, afirmou que o presidente é a favor de protestos pacíficos, embora tenha se posicionado contra aqueles que buscam confrontar sua administração.
Governador da Califórnia pede resistência
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, um dos principais opositores de Trump, fez um apelo à população para “resistir e não se curvar” diante do que ele considera uma tentativa de Trump de instaurar um regime autoritário. Newsom criticou o desfile militar, comparando-o a cenas vistas em regimes ditatoriais e sublinhou a necessidade de proteger a democracia.
Divisões políticas profundas e o futuro da democracia
Os Estados Unidos estão cada vez mais polarizados, com democratas acusando Trump de abusar de seu poder executivo e atacar instituições fundamentais como a mídia e o sistema educacional. O governador Tim Walz de Minnesota lembrou que, apesar da tragédia, é essencial que o país continue buscando soluções pacíficas para suas divisões políticas.
“Este evento trágico deve servir de lembrete para todos nós. A democracia é construída por meio do debate e da resolução pacífica de nossas diferenças”, concluiu Walz.
