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Amazonas

Parintins

Garantido gasta mais do que recebe. Presidente do boi resiste no cargo

Todos querem saber como Antonio Andrade gastou o dinheiro que já recebeu. Foram R$ 1,250 milhão da Coca-Cola, pagos dois meses antes do Festival. Mais 5 milhões do Governo do Estado, pagos 45 dias antes. E R$ 1,1 milhão da Ambev, que já pagou metade disso. Os bumbás de Parintins receberão este ano, cada um, em valores brutos (sem impostos ou comissões), R$ 13,6 milhões.


O dinheiro recebido pela agremiação Boi-Bumbá Garantido soma líquidos, R$ 12.336.569,00. O gasto projetado para este ano com a apresentação é de R$ 13,056 milhões, conforme a tesoureira do bumbá. Falta, segundo a calculadora, R$ 719.431,00. Por quê o bumbá pede até R$ 2,5 milhões? “É para a manutenção do patrimônio, como a Cidade Garantido”, disse Antonio Andrade.

Uma fonte, bem informada sobre o Festival Folclórico de Parintins, afirma que o valor líquido que cada bumbá recebeu, este ano, chega perto dos R$ 13,6 milhões. A diferença para o “líquido”, apresentado pela diretoria do Garantido, se refere a descontos obrigatórios que o bumbá tem, por dívidas anteriores. Em determinado momento da entrevista, o presidente chegou a deixar escapar: “Tem outras coisas, até indizíveis”, mas não deu maiores detalhes.

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Andrade disse que há um grupo de WhatsApp, onde participam presidente, financeiro e DGE, no qual são discutidas as prioridades para gastos. “Compramos com oito, nove propostas. Se alguém desviou um centavo do boi deve receber um título de gênio”, enfatizou.

Foto: reprodução

Dinheiro da Samel

Um momento curioso da entrevista foi quando os dirigentes falaram sobre o dinheiro do Grupo Samel. A empresa arrematou o curral do Garantido, por R$ 1,5 milhão. Agora, em acordo celebrado com a Justiça do Trabalho, na terça-feira (20/06), o valor foi entregue para pagamento de dívidas trabalhistas. “O Caprichoso também recebeu esse dinheiro”, disse Andrade.

O presidente do azul e branco, Jender Lobato, que ouvia a entrevista, ligou, imediatamente, para negar. “Aceitamos, como contribuição ao Garantido, que a Samel nos pagasse R$ 600 mil, apenas”, disse Jender Lobato ao Portal do Marcos Santos.

A norma é que valores de patrocínios sejam divididos, meio a meio, em partes rigorosamente iguais, entre os dois bumbás. Dos R$ 1,5 milhão recebidos pelo Garantido, R$ 170 mil foram liberados pelo juízo do Trabalho de Parintins, ano passado. Sobraram R$ 1,330 milhão, a parte agora entregue à Justiça.

O radialista Gil Gonçalves foi incisivo na entrevista. Lembrou que o dinheiro pago aos dois bumbás é igual e que, contra R$ 3 milhões em dívidas pagos pelo Garantido, o Caprichoso pagou mais de R$ 5 milhões. Gil também “cutucou” Antonio Andrade ao dizer que, quando o governador era Amazonino Mendes, o também presidente daquela época, Antonio Andrade, fez a mesma coisa: disse que o boi não entraria na arena por falta de recursos.

Andrade, que, na noite de ontem (21/06), recusou um apelo para renunciar, afirma que está tendo apoio da galera e o dinheiro virá. “Estamos sentindo que há um movimento dos quatro (Governo, Prefeitura de Parintins, Maná e A Crítica) para ajudar.

O prefeito adiantou o dinheiro do som. Maná também se movimenta. Há quatro dias, o negócio estava difícil, mas agora a torcida está doando coisas para o boi”, disse.

Gil reagiu ironicamente: “Não vá me inventar, a essa altura do campeonato, livro de ouro de novo, pelo amor de Deus.” O Garantido, definitivamente, está “pagando sem contar e recebendo sem conferir”.

Antonio Andrade revelou que o bumbá está “importando” (de Manaus) 271 pessoas, só na parte cênica e coreográfica, precisando alimentá-los com comida e transporte. “Contando com os locais são mais de 400 pessoas”, revelou o presidente. São os integrantes de grupos de dança, profissionais, que participarão da cênica do bumbá.

Só os caçawerés, trabalhadores braçais, que empurram as alegorias entre a Cidade Garantido e o Bumbódromo, custarão quase R$ 400 mil, disse o presidente. “Nós precisamos desse recurso ou o boi entrará com todo mundo aborrecido, fazendo greve. Como é que vamos ganhar desse jeito?”, enfatizou o presidente. “Ano passado o erro foi da DGE e este ano o presidente da Comissão de Artes é o Antonio Andrade. Não pode errar”, finalizou Gil Gonçalves.

Antonio Andrade teria dito, a confidentes, que aceita uma intervenção para pagar as contas do bumbá. Mas não a renúncia.

Veja como gasta

Uma pista de como foi usado o dinheiro do Garantido está nos eventos comandados por Antonio Andrade. Veja:

1) Lançamento do Festival em Manaus, o presidente levou toda diretoria, uma banda de Parintins (os dois bumbás têm bandas na capital), enteados, filhos e comitiva de quase 30 pessoas. Todos de avião, com passagens compradas pelo Garantido.

2) Em Brasília, durante evento no Ministério do Turismo, Antonio Andrade desfilava em carro executivo, com motorista. Levou uma comissão, inclusive com esposas de integrantes da diretoria. Tudo pago pelo bumbá.

3) O Garantido disputou o cacique Raoni com o Caprichoso e ganhou. Ele virá a Parintins, no Festival, com uma comitiva de cinco pessoas, com tudo pago pelo bumbá.

4) Durante a Alvorada do Garantido, um dos eventos tradicionais do calendário do bumbá, mais de 20 possíveis jurados teriam ido a Parintins, de avião, com hotel, comida e bebida.

5) O som do Garantido foi contratado de uma pessoa que, sem ter nenhuma caixa sequer, recontratou uma empresa de Manaus. Esta, que também não tem equipamento, quarterizou para outra, de Juruti (PA), que, finalmente, executará o som. O valor das intermediações é mais dinheiro saindo do bolso do vermelho e branco.

6) Dirigentes do bumbá que moram em Manaus vão a Parintins, sempre que há reuniões (quase toda semana), com avião e tudo o mais pago pelo Garantido.

7) O Garantido não tem um esquema profissional para se defender na Justiça.

Antonio Andrade, está sendo ameaçado de morte.

A revelação foi feita ao radialista Gil Gonçalves, da Rádio Clube de Parintins, em entrevista na manhã de ontem (21/06), pela tesoureira do bumbá, Ana Miranda, e confirmada pelo próprio. “O presidente e a família são o número 1” das ameaças, disse ela. Familiares do dirigente, segundo fontes de Parintins, estão limitando as saídas de casa e só o fazem com segurança.

Andrade e Miranda, com a vice-presidente do Garantido, Ida Silva (informação corrigida: a terceira voz na entrevista era de Djanne Senna, da Direção Geral de Espetáculos (DGE). Ida Silva não está nem falando com o presidente, segundo uma fonte esclareceu). Os três participaram do programa para esclarecer a carta enviada às autoridades. Eles disseram que o documento era apenas para Governo do Estado, Prefeitura de Parintins, Maná Produções e TV A Crítica, que movimentam patrocínio e organização do Festival Folclórico. O governador reagiu duramente e chegou a dizer que não aceita “faca no pescoço”.

Com informações do Portal do Marcos Santos