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POLÍTICA

Lula pede ajuda de aliados para discutir dívida trilionária do país e conversa define o futuro econômico do Brasil

Encontro no Palácio da Alvorada reúne diferentes visões sobre controle de gastos, manutenção de benefícios sociais, juros e atração de investimentos estrangeiros.


Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante anúncio de Investimentos da Petrobras em Pedra Branca, Laranjeiras (SE) | Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu na manhã desta quinta-feira (5), no Palácio da Alvorada, com integrantes de seu grupo de confiança para discutir os rumos da economia brasileira no quarto mandato. Entre as principais preocupações estão a trajetória da dívida pública, a manutenção dos benefícios sociais e a atração de investidores estrangeiros.

A reunião busca encontrar alternativas para equilibrar as contas públicas sem comprometer os programas sociais do governo. A proposta também envolve aproveitar oportunidades de investimentos internacionais em áreas ambientais e geológicas, especialmente relacionadas aos recursos naturais brasileiros.

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Entre os convidados estão o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, o atual titular da pasta, Dario Durigan, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também foi chamado, mas não pôde comparecer por causa de outro compromisso. O ex-ministro Guido Mantega também manifestou interesse em participar das discussões.

Dívida pública e pressão sobre as contas do governo

O debate ocorre em meio ao aumento do endividamento brasileiro. Segundo os dados apresentados na reportagem, a dívida pública ultrapassou 82% do Produto Interno Bruto (PIB) durante o atual governo, uma elevação de aproximadamente 10 pontos percentuais ao longo do mandato.

Lula foi reeleito em 25 de outubro, com 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL). A discussão sobre a economia ganha importância diante do desafio de conciliar crescimento, investimentos e controle das despesas públicas.

Haddad, Durigan e Galípolo apresentam visões diferentes

O ministro Dario Durigan, que assumiu o Ministério da Fazenda após a saída de Fernando Haddad para disputar o governo de São Paulo, tem recebido aconselhamento de economistas de perfil mais ortodoxo. Ele defende ajustes estruturais e de longo prazo nas contas públicas, com medidas graduais, mas consistentes.

Durigan também aposta na atração de capital estrangeiro para impulsionar o crescimento econômico. Por isso, demonstra preocupação com medidas que possam ser interpretadas como controle de capitais e afastar investidores internacionais.

Já Gabriel Galípolo deve defender a autonomia do Banco Central, a continuidade do regime de metas de inflação e a necessidade de disciplina fiscal. Para a autoridade monetária, sinais concretos de controle dos gastos públicos são importantes para criar condições para a redução dos juros.

Haddad propõe reformulação dos benefícios sociais

Fernando Haddad defende uma nova organização dos programas assistenciais do governo. Em fevereiro, ainda à frente da Fazenda, o ex-ministro propôs uma reformulação dos gastos sociais, com a possibilidade de unificar diferentes iniciativas em um modelo semelhante ao adotado em 2003, quando programas dispersos foram reunidos no Bolsa Família.

A proposta busca reorganizar os benefícios e tornar a política de assistência social mais integrada.

Alckmin defende cortes de despesas e revisão de emendas

O vice-presidente Geraldo Alckmin pretende levar para o governo federal medidas de ajuste fiscal que adotou durante sua gestão no estado de São Paulo. Entre as propostas estão o contingenciamento do orçamento, a redução de despesas administrativas, a revisão de contratos e o corte de cargos comissionados.

Alckmin também defende a redução de gastos considerados supérfluos, a revisão dos supersalários do funcionalismo público e mudanças no fundo eleitoral e nas emendas parlamentares. Na avaliação do vice-presidente, o governo federal precisa dar exemplo de controle das despesas antes de cobrar sacrifícios de outros setores.

Mantega representa ala desenvolvimentista

O ex-ministro Guido Mantega representa uma visão desenvolvimentista dentro do Partido dos Trabalhadores (PT). Ele sustenta que os juros elevados são um dos principais entraves ao crescimento econômico, pois encarecem a dívida pública, dificultam investimentos produtivos e limitam a atividade econômica.

Mantega defende que o crescimento pode contribuir para o equilíbrio das contas públicas. Durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda, entre 2006 e 2014, a dívida líquida do país caiu de 49% para 33% do PIB, conforme dados citados por defensores de sua gestão.

As diferentes propostas apresentadas pelos conselheiros mostram que o governo terá de conciliar posições distintas para definir a estratégia econômica dos próximos anos.