
Foto: Reprodução
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que pretende montar uma rede nacional de apoiadores para acompanhar a votação nas eleições de outubro. A proposta foi apresentada durante uma transmissão ao vivo na quinta-feira (17) e prevê cadastro, seleção, credenciamento e treinamento dos voluntários.
Segundo Flávio, a campanha deverá lançar um site para receber as inscrições. Os participantes seriam orientados sobre os procedimentos de fiscalização, principalmente no encerramento da votação e na conferência dos resultados.
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“Vai ter um rápido ensinamento de como é que faz para fazer a fiscalização das urnas, em especial no momento em que a urna fechou”, afirmou o candidato.
Flávio disse ainda que pretende ter pessoas espalhadas pelo país para acompanhar eventuais irregularidades. Entre as situações citadas por ele está a possibilidade de uma pessoa tentar votar no lugar de outro eleitor.
A iniciativa retoma uma estratégia utilizada por Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, quando a campanha do então presidente também mobilizou apoiadores para acompanhar o processo eleitoral.
Fiscalização é prevista nas regras eleitorais
A fiscalização da votação não é, por si só, uma atividade irregular. As regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permitem que partidos, federações e coligações acompanhem as fases de votação e apuração.
Para as eleições de 2026, a regulamentação prevê que partidos, federações e coligações possam nomear fiscais para as mesas receptoras. Esses fiscais podem acompanhar a votação, formular protestos e apresentar impugnações, inclusive relacionadas à identificação do eleitor.
O TSE também mantém procedimentos específicos de fiscalização e auditoria dos sistemas eletrônicos de votação, com participação de entidades fiscalizadoras e acompanhamento de etapas de preparação e auditoria das urnas.
Estratégia ganha peso na reta final
O anúncio ocorre pouco mais de duas semanas antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A proposta de Flávio, portanto, coloca a fiscalização da votação novamente no centro do discurso eleitoral de seu grupo político.
A diferença em relação à fiscalização institucional é que a campanha pretende criar sua própria rede de apoiadores, submetida a cadastro e treinamento definidos pela própria candidatura. A atuação desses voluntários, entretanto, precisa respeitar as regras e os limites estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
Até o momento, o anúncio de uma rede de fiscais não constitui, por si só, contestação formal do resultado eleitoral nem demonstra irregularidade no sistema de votação. O que está documentado é a intenção do candidato de ampliar a presença de seus representantes durante a votação e a apuração.
