Política

Eleições 2026

Do palco ao palanque: famosos da música entram na disputa eleitoral de 2026

Ximbinha, Caneta Azul e Menina da Bota apostaram na popularidade conquistada na música para tentar chegar à Câmara; campanhas já movimentaram centenas de milhares de reais em recursos eleitorais.


Ximbinha, Caneta Azul e Menina da Bota – Foto: Reprodução

A eleição de 2026 colocou artistas de diferentes estilos diante de um novo desafio: transformar a popularidade conquistada nos palcos em votos nas urnas. Entre os nomes que decidiram entrar na política estão o guitarrista Ximbinha, o cantor Manoel Gomes, conhecido pelo sucesso “Caneta Azul”, e Maria José Mendes da Cruz, a Menina da Bota.

Os três anunciaram candidaturas a deputado federal, mas o cenário mudou durante a campanha. Ximbinha, que havia registrado candidatura pelo PDT no Pará, acabou renunciando à disputa, segundo os dados eleitorais mais recentes disponíveis. Já Manoel Gomes e Menina da Bota continuam na corrida eleitoral.

Continua depois da Publicidade

Caneta Azul já recebeu R$ 1,2 milhão

Manoel Gomes, o “Caneta Azul”, tenta novamente entrar na política. Depois de disputar uma vaga de deputado estadual no Maranhão em 2022 sem conseguir se eleger, ele agora busca uma cadeira na Câmara dos Deputados por São Paulo pelo Avante.

A campanha do cantor já declarou R$ 1,2 milhão em recursos recebidos, segundo os dados de prestação de contas eleitoral disponíveis. Todo o valor informado até a atualização consultada veio de recursos partidários, em dois repasses realizados pela direção nacional do Avante.

Até 14 de setembro, a campanha havia declarado aproximadamente R$ 439,8 mil em despesas, incluindo serviços de terceiros, impulsionamento de conteúdo e despesas com pessoal. O limite legal de gastos para deputado federal em São Paulo é de aproximadamente R$ 3,18 milhões.

O Avante recebeu aproximadamente R$ 72 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as eleições de 2026. O dinheiro é público e sua distribuição entre os candidatos é definida pelos próprios partidos dentro dos critérios estabelecidos pela legislação eleitoral.

Menina da Bota recebeu quase R$ 700 mil

Em Minas Gerais, Maria José Mendes da Cruz, conhecida como Menina da Bota, disputa uma vaga de deputada federal pelo União Brasil, integrante da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.

A prestação de contas disponível em 18 de setembro aponta R$ 696.610,87 em receitas declaradas. Desse total, R$ 693 mil são recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, repassados pela direção nacional do União Brasil. Outros R$ 3.610,87 aparecem como recursos estimáveis provenientes do diretório estadual do PSD de Minas Gerais.

Os repasses do União Brasil foram realizados em quatro transferências: R$ 193 mil, R$ 100 mil, R$ 100 mil e R$ 300 mil, totalizando os R$ 693 mil provenientes do Fundo Eleitoral.

A candidatura ganhou projeção nas redes sociais por vídeos relacionados à vida no campo. Entre as propostas divulgadas por ela está a melhoria do transporte para facilitar o acesso de moradores da zona rural a escolas e serviços de saúde.

O União Brasil recebeu cerca de R$ 526,2 milhões do Fundo Eleitoral para as eleições de 2026, uma das maiores parcelas distribuídas entre os partidos.

Ximbinha deixou a disputa

No Pará, Cledivan Almeida Farias, conhecido como Ximbinha, havia registrado candidatura a deputado federal pelo PDT. O músico, que ganhou notoriedade nacional como guitarrista e integrante da Banda Calypso, estrearia nas urnas em uma eleição para o Congresso.

Entretanto, os registros eleitorais mais recentes indicam que Ximbinha renunciou à candidatura, e seu registro aparece atualmente como renúncia. Não há, na base consultada, prestação de contas de campanha com recursos recebidos para essa candidatura.

Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral, Ximbinha também informou não possuir bens a declarar. A situação patrimonial, entretanto, é diferente da movimentação financeira de uma campanha e não deve ser confundida com os recursos eleitorais eventualmente recebidos.

A música como passaporte para a política

A entrada de artistas na política não é novidade no Brasil. A fama construída no entretenimento pode proporcionar ampla exposição pública, mas a candidatura exige, além da popularidade, registro eleitoral, prestação de contas e apresentação de propostas ao eleitorado.

No caso dos três artistas, o financiamento das campanhas também revela diferenças importantes. Enquanto Manoel Gomes declarou R$ 1,2 milhão em recursos, Menina da Bota aparece com R$ 696,6 mil, sendo praticamente todo o valor proveniente do Fundo Eleitoral. Ximbinha, por sua vez, desistiu da candidatura antes da eleição.

Para 2026, o TSE destinou aproximadamente R$ 4,96 bilhões ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha, distribuídos entre os partidos conforme critérios previstos na legislação eleitoral. Os recursos são públicos e precisam ser declarados à Justiça Eleitoral.

Assim, a corrida que começou com três artistas tentando trocar o palco pelo palanque terminou, até o momento, com trajetórias diferentes: um desistiu da disputa, enquanto dois seguem tentando transformar notoriedade artística em representação política.