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Laura Cardoso morre aos 98 anos e deixa legado de mais de oito décadas na dramaturgia brasileira

Atriz foi uma das pioneiras da televisão no país, acumulou mais de 100 trabalhos e atravessou gerações em novelas, séries, filmes e peças de teatro.


A atriz Laura Cardoso, um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (18), aos 98 anos, em São Paulo. A informação foi divulgada durante a madrugada nas redes sociais da artista. A despedida encerra uma das carreiras mais longevas da história da televisão, do cinema e do teatro no Brasil.

Nascida em 13 de setembro de 1927, na capital paulista, Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni começou a carreira ainda adolescente. Aos 15 anos, ingressou no rádio e, poucos anos depois, chegou à televisão. Sua estreia ocorreu em 1952, no programa “Tribunal do Coração”, da TV Tupi, quando o veículo ainda dava os primeiros passos no país.

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Ao longo de mais de oito décadas de carreira, Laura Cardoso participou de mais de 100 produções e se tornou conhecida pela capacidade de interpretar personagens de diferentes perfis, do drama ao humor.

 

Imagem: Reprodução

 

Da televisão pioneira às grandes novelas

Antes de chegar à Globo, Laura passou por emissoras como Tupi, Excelsior, Record e Cultura. Também conciliou a televisão com trabalhos no teatro e no cinema.

A atriz estreou na Globo em 1981, na novela “Brilhante”, de Gilberto Braga. A partir daí, construiu uma trajetória extensa na emissora, participando de algumas das produções mais populares da televisão brasileira.

Entre os trabalhos que marcaram sua carreira estão “Fera Radical”“Rainha da Sucata”“Mulheres de Areia”“A Viagem”“Explode Coração”“Chocolate com Pimenta”“Caminho das Índias”“Gabriela”“O Outro Lado do Paraíso” e “A Dona do Pedaço”.

Em “Mulheres de Areia”, Laura interpretou Isaura, mãe das gêmeas Ruth e Raquel, vividas por Gloria Pires. Em “A Viagem”, deu vida a Guiomar, personagem envolvida com elementos sobrenaturais da trama. Já em “Caminho das Índias”, interpretou Laksmi, uma matriarca de origem indiana.

Uma carreira também marcada pelo cinema

Embora tenha se tornado especialmente conhecida pela televisão, Laura Cardoso também teve uma trajetória expressiva no cinema.

Ela estreou nas telas em “Imitando o Sol”, em 1964, e posteriormente participou de mais de 20 filmes. Entre eles estão “Terra Estrangeira”, de Walter Salles, e “Através da Janela”, de Tata Amaral. Por sua atuação neste último, recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema Brasileiro de Miami, em 2000.

No ano seguinte, foi reconhecida com o Grande Prêmio Cinema Brasil pela atuação em “Copacabana”, dirigido por Carla Camurati.

Em 2006, recebeu ainda a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo governo brasileiro em reconhecimento à sua contribuição para a cultura nacional.

Reconhecimento no teatro

O teatro também ocupou espaço importante na trajetória da atriz. Laura recebeu dois prêmios Shell por trabalhos no palco: em 1990, por “Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu”, de Carlos Alberto Sofredini, e em 1993, por “Vereda da Salvação”, dirigida por Antunes Filho.

A experiência nos palcos ajudou a consolidar a reputação de Laura entre atores e diretores, enquanto sua presença constante na televisão a transformou em um rosto familiar para sucessivas gerações de brasileiros.

Últimos trabalhos

Mesmo depois de reduzir o ritmo de participação em grandes produções, Laura Cardoso continuou trabalhando.

Entre seus últimos trabalhos está o curta-metragem “Dona Rosinha”, lançado em 2025, no qual interpretou a personagem-título. A atriz já havia diminuído sua participação em grandes produções desde 2020.

Na televisão, seu último trabalho em uma novela foi “A Dona do Pedaço”, em 2019. A produção reuniu Laura novamente com o autor Walcyr Carrasco.

Família e despedida

Laura Cardoso deixa duas filhas, Maria de Lourdes e Fátima, além de netos e um bisneto. Familiares e amigos participaram da despedida da atriz nesta terça-feira.

A morte de Laura acontece no mesmo dia em que o Brasil também se despediu de outra grande atriz de sua geração, Glória Menezes, que morreu aos 91 anos no Rio de Janeiro. As duas chegaram a trabalhar juntas em “Um Lugar ao Sol”, de 1959, e décadas depois voltaram a contracenar em “Senhora do Destino”, em 2004.

Um legado que atravessou gerações

Laura Cardoso pertence a uma geração de artistas que ajudou a construir a dramaturgia brasileira desde os primeiros anos da televisão. Sua trajetória acompanhou transformações profundas no audiovisual, passando pelo rádio, pela televisão ao vivo, pelas grandes novelas, pelo cinema e, já nos últimos anos, por novas formas de produção.

Mais do que a quantidade de trabalhos, o legado da atriz está na variedade de personagens e na permanência de sua obra no imaginário popular. Personagens de novelas exibidas décadas atrás continuam sendo lembrados e reprisados, enquanto sua atuação tornou-se referência para diferentes gerações de artistas.

A carreira de Laura Cardoso começou quando a televisão brasileira ainda estava sendo formada e terminou deixando um registro de mais de 80 anos de dedicação à arte de interpretar.

O velório foi realizado na Funeral Home, na Bela Vista, em São Paulo, das 8h às 14h.