O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (8) que considera encerrado o cessar-fogo com o Irã, em meio à retomada dos confrontos militares entre os dois países. Apesar do tom duro, o líder norte-americano não descartou completamente uma eventual retomada das negociações.
Durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara, na Turquia, Trump afirmou que não acredita mais na possibilidade de um entendimento com o governo iraniano.
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“Para mim, o cessar-fogo acabou. Negociar com eles é perda de tempo. São mentirosos”, declarou o presidente ao comentar o agravamento da crise – Foto: Evelyn Hockstein/REUTERS
A tensão voltou a crescer após os Estados Unidos lançarem uma nova ofensiva contra alvos iranianos na terça-feira (7). A ação ocorreu depois que Washington suspendeu a autorização temporária que permitia ao Irã comercializar petróleo, aumentando a pressão econômica sobre Teerã.
Em resposta, o governo iraniano informou ter realizado ataques contra instalações militares norte-americanas na região do Golfo. Desde então, ambos os países passaram a acusar um ao outro de violar os termos do cessar-fogo firmado para reduzir as hostilidades nas últimas semanas.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CentCOM), a ofensiva americana foi motivada por supostos ataques iranianos contra três petroleiros próximos ao Estreito de Ormuz, considerado um dos corredores marítimos mais importantes para o transporte mundial de petróleo.
Em publicação na rede social X, o CentCOM classificou a ação atribuída ao Irã como uma violação direta do acordo de cessar-fogo e afirmou que a resposta militar foi necessária diante da escalada das ameaças.
As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram que mais de 80 alvos foram atingidos durante a operação, incluindo sistemas de defesa aérea, centros de comando e estruturas militares consideradas estratégicas.
Do lado iraniano, veículos de imprensa relataram explosões nos portos de Sirik e Bandar Abbas, além da ilha de Qeshm, no sul do país. Também foram registradas novas explosões na cidade de Bouchehr, segundo a agência iraniana Mehr.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado 85 instalações militares norte-americanas localizadas no Bahrein e no Kuwait, classificando a ação como uma resposta à ofensiva dos Estados Unidos. As autoridades do Kuwait confirmaram o acionamento de sirenes de alerta após ataques com mísseis e drones.
Em comunicado, o Estado-Maior iraniano classificou a ofensiva americana como um “ato flagrante de agressão” e prometeu uma resposta militar ainda mais intensa caso novos ataques sejam realizados. O governo iraniano também pediu aos países vizinhos que impeçam a utilização de seus territórios como base para operações militares dos Estados Unidos contra o Irã.
A nova escalada aumenta a preocupação da comunidade internacional com a possibilidade de ampliação do conflito no Oriente Médio, especialmente diante da importância estratégica da região para o abastecimento global de petróleo.
Petróleo sobe mais de 5%
A deterioração do cenário geopolítico provocou forte alta nas cotações internacionais do petróleo. Nas primeiras horas desta quarta-feira, o barril do Brent, referência global, ultrapassou os US$ 77, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, foi negociado acima de US$ 74, acumulando valorização superior a 5%.

Petróleo: o WTI avançava cerca de 5% na manhã desta quarta-feira, 8 – Foto: Reprodução
Em determinados momentos da sessão, ambos chegaram a subir cerca de 6%, alcançando os maiores níveis desde 23 de junho. A valorização reflete o receio do mercado de que o conflito afete o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa aproximadamente um quinto da produção mundial da commodity.
Segundo o Centro Conjunto de Informações Marítimas, três embarcações comerciais foram atacadas na região na terça-feira (7), levando o órgão a elevar para “severo” o nível de ameaça para navios que transitam pelo estreito. Empresas de transporte marítimo também passaram a rever rotas, e parte dos petroleiros desistiu de cruzar a região diante do aumento dos riscos.
Analistas avaliam que o agravamento das tensões reduz significativamente as chances de retomada das negociações entre Washington e Teerã e pode manter os preços do petróleo próximos de US$ 80 por barril caso o conflito continue se intensificando.
A nova crise reacende preocupações sobre a estabilidade do Oriente Médio e seus impactos sobre a economia mundial, especialmente no mercado de energia, que acompanha de perto os desdobramentos da disputa entre Estados Unidos e Irã.
