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Inteligência artificial divide especialistas entre oportunidades e riscos para a sociedade

Enquanto Jeff Bezos prevê escassez de mão de obra impulsionada pela tecnologia, Celso Amorim alerta para concentração de poder e aumento das desigualdades.


A rápida expansão da inteligência artificial está alimentando um debate global sobre os impactos da tecnologia no mercado de trabalho, na economia e na democracia. De um lado, líderes do setor de inovação enxergam um futuro de crescimento e novas oportunidades. De outro, autoridades e especialistas alertam para os riscos da concentração de poder nas mãos de poucas empresas.

Durante a conferência internacional VivaTech, realizada em Paris, o fundador da Amazon e da Blue Origin, Jeff Bezos, afirmou que a inteligência artificial não tornará os seres humanos obsoletos. Na avaliação do empresário, a tecnologia deverá criar uma escassez de mão de obra ao ampliar a capacidade de inovação e reduzir barreiras para a criação de produtos, serviços e negócios.

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Jeff Bezos, fundador da Amazon e da Blue Origin, e cofundador e co-CEO da Prometheus – Foto: Abdul Saboor/REUTERS

 

“Existe muita preocupação de que a IA torne os humanos redundantes. Discordo totalmente. Acho que ela criará uma escassez de mão de obra”, declarou Bezos.

Segundo o bilionário, a humanidade possui inúmeras necessidades ainda não atendidas e a inteligência artificial funcionará como uma ferramenta capaz de aumentar a produtividade e acelerar o desenvolvimento econômico.

Alerta para desigualdades e poder das big techs

A visão otimista de Bezos contrasta com as preocupações apresentadas pelo assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, o embaixador Celso Amorim.

Durante a Conferência de Segurança Internacional do Forte, em Portugal, Amorim afirmou que a inteligência artificial controlada por um grupo restrito de empresas pode aprofundar desigualdades econômicas e sociais, além de representar riscos para os sistemas democráticos.

Segundo ele, grandes empresas de tecnologia já exercem influência significativa sobre setores estratégicos da economia e sobre o fluxo de informações que circulam nas redes digitais.

 

Assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, embaixador Celso Amorim – Foto Vinicius Loures (Câmara dos deputados)

 

“O Estado não pode abrir mão de sua capacidade regulatória, derivada do voto popular”, afirmou o diplomata ao defender mecanismos de supervisão das plataformas digitais.

Amorim também destacou que a crescente importância dos dados exige investimentos em segurança cibernética e soberania digital. Para ele, informações estratégicas passaram a ter valor econômico, político e militar, tornando-se fundamentais para o funcionamento dos sistemas de inteligência artificial.

O desafio da adaptação

Apesar das divergências sobre os efeitos da tecnologia, especialistas concordam que a inteligência artificial já está transformando a forma como pessoas trabalham, estudam e se relacionam com o mundo.

Ao longo da história, grandes revoluções tecnológicas provocaram receios semelhantes. A mecanização da indústria, a eletrificação das cidades, a informática e a internet alteraram profissões, extinguiram atividades e criaram novas oportunidades econômicas.

Nesse contexto, o principal desafio não parece ser impedir o avanço da tecnologia, mas preparar indivíduos, empresas e governos para conviver com ela.

A inteligência artificial já faz parte da realidade de organizações públicas e privadas em todo o mundo. O debate atual gira menos em torno da possibilidade de sua expansão e mais sobre como garantir que seus benefícios sejam distribuídos de forma equilibrada e que seus riscos sejam adequadamente administrados.

Enquanto alguns defendem maior regulação para evitar concentração de poder e desigualdades, outros argumentam que a inovação continuará avançando e exigirá capacidade de adaptação constante da sociedade.

O consenso é que o futuro do trabalho e da economia será profundamente influenciado pela inteligência artificial. A diferença está em como governos, empresas e cidadãos irão responder às mudanças que já estão em curso.